Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Arbitragem de poca em poca

09 de Dezembro, 2019
A história do Campeonato Angolano de Futebol, Girabola, como também é conhecido, é repleta de factos curiosos em termos de arbitragem. O campeonato é considerado por muitos especialistas do futebol, como um dos mais disputado do nosso Continente, o que é diferente de ser o melhor.
Nestes 40 anos assistimos a excelentes jogos de futebol, as equipas proporcionaram espectáculos desportivos acima da média, valorizando o nosso campeonato.
Infelizmente, a arbitragem esteve em sentido contrario; cada vez mais assistirmos a árbitros pressionados e sem coragem de tomar decisões importantes. Não vou aqui descrever este ou aquele caso de arbitragem que prejudicou ou beneficiou esta ou aquela equipa, durante estes 40 anos de existência do maior prova do desporto nacional. Houve, de facto, muitos casos.
Contabilizando os erros, somente nos jogos dos ditos grandes assistimos a um descalabro da arbitragem: expulsões directas por sancionar, grandes penalidades por sancionar, golos validados correctamente, etc, etc
Esta contabilidade em nada dignifica a arbitragem nacional e coloca em causa a verdade desportiva, que os árbitros têm o dever de salvaguardar. É verdade que os clubes arranjam cada vez mais estratégias para atingir os árbitros, condicionando-os nos seus desempenhos.
Ao longo destes anos, os clubes não se limitaram a falar dos erros dos seus jogos como também fazem referência aos erros nos jogos dos seus adversários. Esta atitude é condenável, tendo em consideração o conformismo demonstrado nos últimos anos, enquanto assistiam ao \"Assassinato\" da arbitragem angolana.
Qual o contributo dos clubes para estabilização da arbitragem? Qual o motivo dos clubes aprovarem regulamentos de arbitragem inadequados a realidade e que em nada melhoram o estado actual?
Todos são responsáveis pelo estado catastrófico da arbitragem nacional. Os clubes não podem reclamar hoje pelas decisões que eles próprios tomaram ontem. Enquanto a prioridade dos clubes estiver focada nas pressões, nas coações e até mesmo nas ameaças, fecham-se as portas a uma estratégia conjunta, para melhorar a arbitragem nacional.
A coação sobre os árbitros de futebol ou de qualquer outra modalidade, que movimenta dinheiro e multidões, é uma das situações a merecer a atenção do Legislador, numa futura e necessária revisão do regime penal nacional. Não é admissível que a quem dirige jogos e tem de decidir em fracções de segundo, possa ter no subconsciente riscos para si ou para a sua família.
Este campeonato paralelo para ver quem fica em primeiro lugar no controlo a arbitragem, ultrapassa e fere de morte toda a disputa desportiva saudável que os adeptos do futebol e não só exigem e pagam. E numa altura em que comemoramos os 40 anos de existência do Girabola, urge levantar a cabeça e olhar para frente. Vamos deixar o passado e viver o
presente.
POLICARPO DA ROSA

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