Jornal dos Desportos

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Opinio

Arbitragem elimina 1 de Agosto

25 de Outubro, 2018
Ao validar o resultado do jogo entre o Esperance de Tunis e o 1ºde Agosto, disputado no passado dia 23 do corrente, a Confederação Africana de Futebol, (CAF), simplesmente confirmou, mais uma vez, que é uma entidade descritível, indigna de confiança e que precisa de uma reforma urgente em todos os sentidos.
É inconcebível, que uma entidade com a responsabilidade da CAF, permita que, em pleno Século XXI, um árbitro indicado por si se comporte como o décimo segundo jogador e “MVP” , cuja actuação foi claramente vista como sendo determinante, para eliminar uma equipa emergente no mosaico futebolístico africano, como foi o caso do nosso 1º de Agosto.
O Mundo testemunhou, mais uma vez, que a CAF não é uma instituição séria e que só existe por conveniência dos mais “espertos” do futebol continental, pois se assim não fosse, no mínimo, impugnava o resultado do jogo, marcaria um segundo jogo em terreno neutro só para não dizer que deveria atribuir vitória ao clube que realmente venceu a eliminatória, o 1º de Agosto, pois o resultado certo deveria ser 4-3, embora não seja também justo.
Pela forma em que o jogo decorreu e pelo comportamento dos adeptos do Esperance, bem “coadjuvados” pela polícia, que em número muito diminuto em função do alto risco que representava o desafio, limitou-se a fingir que estava a trabalhar, até certo ponto podemos dizer que “foi bom” o 1º de Agosto, não ter ganho a eliminatória, porque se não a integridade física dos nossos jogadores correria grandes riscos e, dificilmente, sairiam ilesos do estádio.
Foi claramente visto que os adeptos do Esperance de Tunis, lançavam para a quadra de jogo, objectos contundentes, gases tóxicos e outros objectos perigosos que, por si só, constituem motivos de temor para os jogadores adversários e por isso eram motivos de o árbitro considerar, que não havia condições de segurança nem para si mesmo, para o jogo prosseguir e por isso deveria dar por terminado o mesmo. Não o fez porquê?
Na qualidade de órgão reitor do futebol em África, a CAF, não pode e nem deve continuar a permitir, que a “ máfia “ ou que os malandros do futebol africano, determinem o resultado final das competições por si organizadas. Além disso, já é altura de a Federação Internacional de Futebol Amador (FIFA), fazer uma verdadeira mudança na forma de pensar e agir dos dirigentes da CAF, que pensávamos havia mudado com o fim da era de Issa Ayatou, o último “dono e senhor “da CAF.
Sim, durante cerca de 28 anos, o camaronês hasteou bem alto a bandeira da “lei da gasosa” e teve muita aceitação, tendo por isso como prémio liderado a CAF por quase três décadas. Durante o seu reinado, países como os Camarões, Nigéria e as equipas do norte de África, sempre foram favorecidas pela CAF, sem desconsiderar o seu poderio futebolístico a nível de África.
Talvez alguém diga: “o mau comportamento de um funcionário não tem nada a ver com o seu patrão ou seja o crime não é transmissível e cada um deve responder pelo seu erro”. É verdade. Entretanto, não basta um patrão reconhecer que determinado comportamento de um funcionário seu é ou está errado. É necessário da parte empregadora uma acção, para corrigir o erro. No caso em questão, em função da gravidade dos erros, a CAF, no mínimo, deveria anular o resultado final.
Portanto, depois da vergonhosa atitude da CAF e do seu árbitro, é tempo de países como Angola e outros, que têm sido vítimas destes abusos pelo órgão reitor do futebol em África, deixarem de lamúrias pelos cantos. É hora de agir contra a CAF, por obrigar-lhe a aplicar o que está estipulado por lei com ou sem a mão da FIFA.
Quando acontecem roubalheiras do tipo que o zambiano (Xenofobia a parte) James Sekezue, efectuou contra o 1º de Agosto, as pessoas dizem: Infelizmente em África é assim!” Temos de passar a dizer: Em África este tipo de abusos são inadmissíveis”. Como assim? As equipas ou países que forem prejudicados, devem ter a coragem de tomar posições duras contra o órgão que rege o futebol continental. Por exemplo; depois do que foi feito ao 1º de Agosto, a Federação Angolana de Futebol (FAF) deve usar todos os elementos juridicamente válidos, para contestar o resultado do jogo, processar o árbitro e a própria CAF, mesmo que não se obtenham resultados imediatos.
Augusto Fernandes

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