Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Arbitragem ou apito arbitrrio

26 de Agosto, 2013
O árbitro é um elemento de grande valor quando nos referimos à realização de uma disputa desportiva, seja qual for o tipo de jogo que nos propomos realizar. As partidas de futebol de carácter profissional ou particular são acompanhadas por um juiz que tem como função arbitrar e regular a actuação dos contendores para que estes agirem dentro das normas da modalidade em questão.Estes juízes devem possuir carteira para exercício da actividade. A de nível nacional ou para os mais experimentados, internacional. Deste modo, o conhecimento das regras do futebol, por exemplo, é um marco para um árbitro possa fiscalizar com competência os jogos a que é chamado a dirigir.

Em Angola, o conselho nacional de árbitros para o futebol é um órgão colaborador da federação angolana da modalidade e é dirigido por elementos com formação específica para esta área do saber e de grande importância para realização das actividades desportivas. O conselho nacional recebe da federação as orientações sobre o enquadramento dos filiados, no caso árbitros e ela que escala para os jogos do campeonato nacional os melhores em função da importância dos desafios.

Devido a esta importância, proponho uma reflexão sobre o trabalho realizado pelos “homens do apito”, de quem muito se fala, pois, tal como os jogadores e dirigentes desportivos, estão presentes em cada jornada do Girabola e são normalmente alvo de críticas em relação aos resultados dos jogos sobretudo os mais importantes.O trabalho dos juízes é alvo de muitas queixas de alguns dirigentes desportivos, atletas e adeptos. Muitas são a vozes que se levantam, no final de uma partida de futebol, basquetebol, andebol, principalmente quando se sentem lesados ou desfavorecidos no quanto ao resultado final.

“Os árbitros apenas prestam quando o resultado do jogo é a nosso favor”. Ouvi este comentário de um amigo que é dirigente desportivo no final de um jogo na Cidadela Desportiva. Acenei afirmativo porque achei que o dirigente estava a ser sincero. A questão colocada foi a respeito da qualidade do juiz do jogo. Afinal é assim! Pronto, quantas vezes chamei batoteiro a um árbitro por me sentir injustiçado pelo resultado. Mas não podemos descorar da realidade porque muitos dos nossos juízes têm, em alguns momentos prejudicado os clubes ao ajuizarem mal determinado lance e que no final pesa sobre a equipa ou favorece o adversário. Se tendenciosamente ou não, temos de ter muita atenção.

Como é habitual, e para não apresentar opinião distorcida, perguntei ao meu “kota” que é exímio desportista e conhecedor de política onde exerce funções: porquê que os árbitros ou as equipas de arbitragem são vistas como “batoteiros” ou construtores de resultados?
Em resposta e aconselhando que tenha em atenção, disse:

1º-Para que um jogo se realize é necessário a presença de três grupos distintos: duas equipas de futebol (no caso pode ser outra a modalidade) e uma de arbitragem.
2º- O jogo somente começa com a autorização do juiz diante das equipas prontas e de acordo com as condições apresentadas pela anfitriã.
3º- O resultado do jogo é fruto do trabalho e desempenho das duas equipas sem que a arbitragem tenha influência. Ganha a que mais golos marcar ao fim do tempo regulamentar.
4º- Todos os lances devem ser ajuizados com imparcialidade e por isso em alguns momentos a intervenção do árbitro deve acontecer para o jogo ser disputado de acordo com as regras. Sem violência ou anti-jogo.
5º- O soar do apito marca de forma irrevogável o término do jogo e os três grupos deixam as “quatro linhas”. CARLOS GRAÇA

A MINHA REFLEXÃO
A solidariedade que falta


Ser solidário pode significar colocar-se na mesma situação de outro, apoiar sem reservas, condoer-se com o sofrimento de outrem e assim por diante.Uma pessoa solidária faz tudo o que tiver à sua disposição para apoiar alguém que esteja a ser vítima de injustiça ou de imprevistos como a calamidades.Desportivamente falando, existem muitas situações que podem obrigar alguém a ser solidário. Temos várias situações que exigem solidariedade como, por exemplo, quando alguém padece de uma lesão grave devido à actividade desportiva ou quando alguém ligado ao desporto é injustiçado.

Uma das grandes injustiças que podem acontecer no desporto é quando o treinador é despedido por maus resultados. A prática já mostrou que os maus resultados em si não justificam uma “chicotada psicológica” porque as responsabilidades estão repartidas e os atletas têm 50 por cento da responsabilidade do sucesso ou insucesso da equipa.Temos visto vários jogos em que os jogadores se fartam de falhar oportunidades flagrantes de golo. Houve casos em que os atletas das chamadas equipas de primeira água falharam mais de duas dezenas de ocasiões de marcar e o desafio acabou por saldar-se por uma vitória de 1-0 ou algo parecido.

Mesmo diante desta grande realidade, a maior parte das direcções dos clubes optam por dispensar o treinador, culpando-o de todos os maus resultados. O que mais nos preocupa não são essas atitudes de algumas direcções de clubes, mas a forma como outros técnicos aceitam substituir o colega de profissão mesmo em situações em que o antecessor pode não ser o principal culpado.Esta atitude de alguns companheiros de profissão contribui muito para as chicotadas infundadas. Quando um treinador aceita substituir no cargo um colega injustamente chicoteado pode ser comparado ao indivíduo que compra objectos roubados na rua, mesmo sabendo disso e esquece-se que pode ser a próxima vitima.

Assim, era bom para a classe que os treinadores fossem solidários entre si e não aceitassem substituir companheiros de profissão vítimas de maus resultados. Esta posição fazia, no mínimo, que as direcções dos clubes pensassem duas vezes antes de tomarem tais atitudes.Por outro lado, o treinador deve ser bastante criterioso nas escolhas dos jogadores e não aceitar imposições das direcções quanto aos atletas a serem utilizados em determinada época e fazer contratos com grandes cláusulas de rescisão, valorizando a sua contratação e obrigando os responsáveis do clube a ponderarem antes de tomarem uma decisão. Augusto Fernandes

Últimas Opinies

  • 22 de Agosto, 2019

    O divrcio anunciado

    Não faz ainda muito tempo do anúncio do divórcio, entre o órgão reitor do futebol nacional e o então seleccionador nacional de honras, o sérvio Srdjan Vasiljevic, que ontem deixou o país.

    Ler mais »

  • 22 de Agosto, 2019

    Corrigir o mal no futebol (I)

    A semana passada terminei o artigo com a seguinte sentença: “(…) é importante mudar de estratégia

    Ler mais »

  • 22 de Agosto, 2019

    Mais um falso arranque do Interclube

    Para o desalento dos prosélitos do futebol sénior masculino, as cortinas do Girabola Zap, versão 2019/20, foram descerradas com máculas na jornada inaugural que, mais uma vez, põem em causa a capacidade organizativa da Federação Angolana de Futebol (FAF), que parece apostada numa competição em que é premiada a instituição que mais erros comete ao longo do “consulado”.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    O pas dos amigalhaos

    Foi recentemente anunciada a rescisão contratual do treinador Srdjan Vasilevic com a Federação Angolana de Futebol.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Como causar impacto atravs do marketing?

    De facto, para que se crie um impacto forte e eficaz através do marketing desportivo, é indispensável que os clubes e federações deem atenção ao formato comunicativo a ser utilizado.

    Ler mais »

Ver todas »