Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Arglia sim possvel

01 de Outubro, 2012
A reintegração de Mateus (Petro de Luanda) e de Ary Papel (1º de Agosto), ausentes do embate da primeira mão, no Cairo, bem como as chamadas de Nataniel (Sagrada Esperança), Simão e Miguel (Académica do Soyo), alarga o leque de opções de André N’Zuzi, técnico principal da Selecção Nacional de sub-20, que no próximo dia 7 vai tentar anular a desvantagem (1-2), diante da sua congénere do Egipto, no embate da segunda mão da última eliminatória de acesso à fase final do CAN-2013, que vai ocorrer na Argélia.

Nesse embate, espera-se dos Palanquinhas uma postura calma e serena com os índices emocionais controlados, cujas acções devem basear-se no colectivismo para contrariar os intentos dos egípcios, que tudo farão para, no mínimo, confirmar a vantagem que possuem. Não se deve descurar o apoio do público que vai exercer pressão psicológica sobre os contrários. A sua acção deve ser correspondida de forma positiva pelos jogadores angolanos.

Não se deve, igualmente, perder de vista o facto de os “faraós”, apelido pelo qual é chamada a selecção do Egipto, constituída maioritariamente por jovens, que competem nas principais equipas seniores do campeonato daquele país, não se sentirem intimidados diante de tal facto, por estarem habituados a jogar em estádios europeus e asiáticos que comportam mais de 40 mil almas, quando chamados a participar em competições ou torneios de clubes e de selecções do escalão. Al Alhy, Zamalek e Arab Contractor são algumas das equipas de maior referência do Egipto, habituadas à alta roda do futebol africano, que fornecem o grosso de atletas à selecção de sub-20 daquele país, que é rápida a desenvolver jogadas pelas laterais e na transposição da defesa para o ataque, mas que denota alguma dificuldade quando se encontra em situação defensiva.

Por se tratar de um jogo em que uma selecção ficará arredada de tomar parte na fase final da maior competição futebolística continental do escalão, espera-se, dos angolanos, o menor número de erros possível, para continuarem a brindar com alegria os seus compatriotas. Por terem como adversária uma selecção com a dimensão e estatura da do Egipto, constitui motivo de incentivo para os componentes da Selecção Nacional de Angola, no sentido de mostrarem que também têm valor e que possuem estaleca neste tipo de jogos e competição, a julgar pelo prestígio e respeito que o futebol angolano já alcançou em África.

Este confronto, que esperamos poder constituir um marco inesquecível para ficar registado nos anais da história do futebol e por arrasto, do desporto nacional, que se traduz no apuramento para a viagem à Argélia, está envolto na expectativa de confirmar, diante do seu público, o valor dos angolanos, que no Girabola têm dado muito boa conta de si. Para isso, é necessário que façam valer o seu espírito de entreajuda e com o apoio do público tentem não desperdiçar as oportunidades de golo que possam surgir. Neblú, Chonene, Pirolito, Kibexa, Gui, Benzema, Lírio, Bonifácio, Vado, Dilma, Filipe, Gância, Abdul, Joance, Almeida, Isaías, Eddy e Diógenes são os outros atletas que lutam por um lugar entre os 18 que deverão ser indicados para essa empreitada.
Leonel Libório


Em Profundidade
Vamos acreditar

O futebol nacional, através da selecção nacional de Sub-20, volta este fim-de-semana a competir internacionalmente. Vai medir forças com o Egipto, com quem perdeu por 1-2, nos primeiros 90 minutos da última eliminatória de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações da categoria.
Verdade é que a derrota trazida do Cairo deixou a estrutura do combinado nacional abalada, principalmente porque estiveram em vantagem durante os primeiros 45 minutos.

Mas o sentimento geral do grupo é de que nada está ainda perdido quanto à fase final do CAN/Sub-20. Depois do encontro disputado em território egípcio, todos os jogadores eram unânimes: a reviravolta é possível. Temos equipa para passar à fase final, não tenho dúvidas. Mas temos de entrar com orgulho e humildade e ver o que acontece no final do jogo de Luanda, porque se o Egipto nos ganhou no seu reduto, nós também podemos fazê-lo diante dos nossos adeptos. Tenho consciência das dificuldades, devido à pressão de vencer, mas não é impossível. Os nossos jogadores têm de dar tudo de si ao longo dos 90 minutos.

Os pupilos de N’zuzi André precisam de dar a volta e não têm muita volta a dar. Parece confuso, mas resume-se facilmente. Para o sonho da Argélia, país que vai albergar a fase final do CAN/Sub-20, no próximo ano, se tornar realidade, os nossos palanquinhas necessitam de vencer por apenas 1-0, de modo a anular a desvantagem de 1-2 trazida da primeira mão. Daí que N’zuzi André deve apostar num onze ofensivo, sem, contudo, descurar o sector defensivo. Os jovens convocados por N’zuzi André têm em mira repetir o já longínquo feito de 2001, quando Angola conquistou o seu único título continental de Sub-20, na altura comandados por Oliveira Gonçalves. Para que este sonho se materialize, temos primeiro de deixar pelo caminho o Egipto.

Os nossos jogadores mostram-se confiantes no apuramento para a decisiva Prova de Elite. Quanto mais tempo passamos juntos, mais unidos nos sentimos. É isso que não se verificou antes do jogo da primeira mão, onde alguns dos jogadores convocados não apareceram, como é o caso do jogador do Petro de Luanda, Mateus; e de outros que não viajaram por indisciplina. Refiro-me a Papel, jogador do 1º de Agosto. Ser chamado à selecção do seu país é o desejo de todos os jogadores de futebol. Ano após ano repetem-se os discursos de “sonho”, “oportunidade de uma vida” e “momento inesquecível”. Mas, por vezes, as chamadas não correspondem às expectativas criadas.

Foi isso precisamente que aconteceu com os dois jogadores. Aliás, esta situação foi igualmente vivida por Gustavo Ferrín, que viu alguns dos seus convocados virarem-lhe as costas. A verdade é que até hoje a FAF não tomou uma atitude em relação aos faltosos. Todos eles continuam a jogar pelas duas equipas, como se nada tivesse acontecido. Toda esta situação, felizmente, está ultrapassada. Os dois jogadores foram novamente chamados e, caso o técnico assim o entenda, podem reforçar a equipa, no próximo domingo. O grupo de trabalho concentra-se hoje de manhã e vão integrar os trabalhos de preparação durante toda a semana.

Durante a semana a equipa técnica tem de corrigir o que esteve mal no Cairo, no sentido de chegar domingo na máxima força, para jogarmos bem e darmos continuidade à exibição demonstrada nos primeiros 45 minutos do jogo da primeira mão. Temos de nos apresentar na melhor forma e mostrar que somos uma equipa coesa. Importante é que a FAF, através do seu departamento das selecções nacionais, cumpra o seu papel e não deixe a selecção à deriva, como aconteceu antes do jogo do Cairo. Há um objectivo a atingir: estar na Argélia em 20013. Estamos a 90 minutos de um sonho que todo o angolano deseja que se concretize. Vamos acreditar nos nossos miúdos.
Policarpo da Rosa

Últimas Opiniões

  • 28 de Maio, 2016

    Como descobrir talentos

    Porém, esquecem os nossos agentes da modalidade que o futebol deixou de ser uma modalidade amadora que se resolve apenas com o faro do treinador. É uma actividade hoje mais colectiva do que nunca, sobretudo no que à direcção técnica diz respeito

    Ler mais »

  • 28 de Maio, 2016

    A terceira ou dcima oitava?

    Será desta que o 1º de Agosto triunfará, pela segunda vez na sua história, em ano que termina com o número seis, coisa que apenas aconteceu no longínquo ano de 1986?

    Ler mais »

  • 27 de Maio, 2016

    As cores do Bic Basket

    Contra todas as expectativas, a nossa fome, que se apregoa por esse mundo, não afecta o desporto do nosso tempo

    Ler mais »

  • 27 de Maio, 2016

    Dias difceis no ASA

    Os adeptos, sócios e amigos do ASA, nos quais se incluem alguns elementos da nomenclatura nacional, ao que se sabe, constituída maioritariamente
    por gente dinâmica e capaz, têm uma palavra a dizer.

    Ler mais »

  • 27 de Maio, 2016

    Novos ventos no ASA

    O caso do ASA não pode surgir como a ponta do Iceberg. Há duas épocas a Sonangol deu o primeiro passo, engendrando profundas mudanças na política de gestão financeira do Petro Atlético de Luanda, e o clube não parou.

    Ler mais »

Ver todas »