Jornal dos Desportos

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Opinio

"Artistas da bola" na rea

15 de Janeiro, 2016
Num processo de revezamento coordenado entre CAN e CHAN, os anos começam sempre com um timbre festivo para aqueles que por esta África imensa se sentem membros da tribo do futebol, sendo, sem dúvida, as maiores manifestações desportivas do continente, talvez superadas apenas pelos Jogos Africanos, pela diversidade de disciplinas e número de praticantes que têm a particularidade de pôr em movimento.

E neste carrossel 2016 não podia ser diferente, salvo se a maledicência se sobrepusesse ao poder dos Deuses do futebol. Não é o caso, e assim nos achamos já no calor ardente da festa que amanhã tem início no Ruanda, este pequeno rincão incrustado na região dos Grande Lagos, dono de um modelo de desenvolvimento considerado exemplar aos olhos da crítica internacional.

É, pois, para o Ruanda que saudosamente remete os angolanos para o 8 de Outubro de 2005, memorável dia em que as emoções subiram ao rubro em face da primeira qualificação a um campeonato do mundo, que vão convergir a partir de amanhã até sete de Fevereiro as nossas atenções, nós que, por várias e redobradas razões, nos deleitamos com o toque artístico que há na arte do jogo da bola.

Não estarão na prova nomes consagrados como Yaya Touré, Aubameyang, Asamoah Gyan, André Aywe e outras estrelas cintilantes que espalham classe e talento nas principais ligas europeias, porque a competição se circunscreve a jogadores que actuam em campeonatos locais. Mas não é isto que lhe retira beleza e garbo, porque entre nomes inscritos por diferentes selecções também pontificam jogadores de gabarito, verdadeiros "artistas da bola", que encantam com o fascínio da sua exibição e classe.

Aliás, o CHAN pode ser uma reluzente e atractiva montra de talentos, onde, com discrição ou não, olheiros ao serviço de diferentes emblemas estarão com missão específica de fisgar os melhores. Isto explica por si só que a prova não estará despida de craques, aqueles que, com a sua arte e engenho levantam plateias e emprestam qualidade ao espectáculo. Sabemo-lo, é de baixo que saem as estrelas do futebol para se juntarem à cintilante constelação.

Competitivamente falando, não se espera muita disparidade entre aquilo que tem sido o CAN. Os países que mais investem na modalidade aparecem sempre na linha de frente quando o tema versa sobre candidatos ao título. Afinal não é a ausência dos seus profissionais que lhes retira o mérito e compromete as aspirações. Estes estão bem identificados e bater-se-ão até ao limite pelas posições honrosas do torneio.

Estaremos de comum acordo que existem países cuja base da selecção é formada por jogadores locais. Estes levam vantagem no CHAN. Porém, pode encontrar algumas dificuldades aqueles que, em regra, apresentam equipas 70/80 porcento formadas pelos seus profissionais. Trata-se, em resumo, de um quesito que poderá jogar contra uns e a favor de outros.

Contrariamente ao CAN, o CHAN, indo apenas na quarta edição, está longe de nos oferecer uma lista com dominadores da prova. Não existem ainda aqueles a quem casa como luva o termo "senhor absoluto". A excepção de ... todas as outras vão quase em igualdade de circunstâncias: tentar a primeira oportunidade de atingir o firmamento, sendo por isso que trabalharam ao longo das últimas semanas. Esta particularidade de a prova não ter uma vasta legião de campeões ajuda no equilíbrio da estrutura psicológica. Pois assim as equipas se acham em igualdade de circunstância, ainda que isso seja apenas teórico.

Angola, que já foi vice-campeã. pode ter alguma palavra a dizer, pese o facto da situação menos boa que atravessa, resultante das convulsões verificadas no seio do grupo. Afinal se para um campeão a meta é sempre a revalidação do título, para um vice-campeão o objectivo não pode ser outro: chegar ao título. Seja isto ou não que a FAF pede a Kilamba e a Makanga, na mesma temos a obrigação de mostrar que também existimos para o futebol. Que venha dai o CHAN, para todos os gostos.

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