Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As brincadeiras da FAF e o silncio do Minjud (I)

21 de Novembro, 2019
Depois de orgulhosamente termos sido muito bem representados pela Selecção Nacional de Sub-17 no Mundial da categoria realizado no Brasil e que ditou o país anfitrião como campeão, era de se que o nosso futebol trilhasse novos caminhos competitivamente falando. Sim, quando um filho é muito bem comportado isto reflecte positivamente nos seus pais. Aliás, é motivo de muito orgulho para os país.
O débil nacional número 80 ocorrido no dia 3 do corrente mês entre os dois colossos do nosso futebol, Petro de Luanda e 1º de Agosto, com vitoria dos petrolíferos por 2-1, foi uma autêntica resposta positiva a soberba exibição dos nossos rapazes no Mundial acima referenciado. Dez dias depois, os Palancas Negras, a nossa selecção principal, mais uma vez voltou fazer das suas, ou seja desiludiu aos angolanos, perdendo em pleno Estádio 11 de Novembro por 3-1 com a Gâmbia, o conjunto a prior mais fraco do seu grupo onde também militam o Gabão e a Republica Democrática do Congo (RDC).
Foi como terem dito ao mundo: “os nossos miúdos são mentirosos. Aquilo que fizeram no Brasil foi apenas fogo de artifício.
Nós, os angolanos, não valemos rigorosamente nada futebolisticamente falando. Aquilo foi uma farsa”.
Que vergonha! Como se não bastasse, no dia 17 deste mês os “tais mais velhos” desprovidos de orgulho, confirmaram mais uma vez ao mundo a sua incompetência ao perderem contra o Gabão por 2-1 no jogo da segunda jornada do Grupo D, realizado em Franceville. Por via deste comportamento os Palancas Negras ocupam a ultima posição do grupo sem qualquer ponto!
Tudo isto está a acontecer porque mais uma vez os dirigentes da Federação Angolana de Futebol (FAF) continuam fazendo uso e abuso do seu “direito” de errar porque afinal de contas, como todos nós, também são imperfeitos e só “não erra quem não trabalha”.
Apesar da sua “imperfeição” os dirigentes da FAF conseguiram “adivinhar” que a Selecção Nacional de Sub-17 seria eliminada pela Coreia do Sul, nos oitavos-de-final e por isso programaram promover o treinador Pedro Gonçalves, logo de seguida, a seleccionador da equipa de honras, os Palancas Negras.
Para engordar a sua folha de serviço, Pedro Gonçalves, não pensou duas vezes e aceitou prontamente a “fezada” confiando no bom desempenho que teve nos dois jogos diante da Gâmbia, com vitórias de 1-0 no terreno do adversário e por 2-1 em Luanda.
Com esta atitude a FAF mais uma vez demonstrou a sua grande falta de organização. Imaginemos que os jogadores da Selecção Sub-17 tivessem passado para os quartos de finais. Quem seria o treinador dos Palancas Negras no jogo frente à Gâmbia? Ou será que a nossa selecção foi eliminada por orientação da FAF?
Não queremos acreditar nisto. No entanto, o nível de desorganização da FAF é tão elevado que é impossível fingirmos que não vemos. Mais uma vez os erros na preparação dos dois primeiros jogos da nossa selecção para apuramento ao Campeonato Africano das Nações (CAN) dos Camarões em 2021 são inadmissíveis.
O mais caricato nisto tudo é forma impávida e serena como o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), permite que a FAF ande fora da linha este tempo todo.
É verdade que não é fácil gerir o futebol nesta altura negra da nossa economia. Mas atendendo a importância que os angolanos dão ao desporto-rei e a sua influência na promoção da unidade nacional é importantíssimo que o órgão reitor do nosso desporto intervenha urgentemente. Mesmo não jogando grande futebol, os angolanos acreditam muito na sua selecção e fazem grandes exigências especialmente depois da nossa ida prematura ao Mundial da Alemanha em 2006.
Os adeptos dos Palancas Negras, hoje não se contentam apenas com uma presença num CAN. Querem ver a sua equipa entre as melhores de África e do Mundo.
Este pormenor deve ser tido em conta pelas autoridades desportivas do país quando o assunto for competições internacionais envolvendo os Palancas Negras.
A maior parte dos adeptos está com o orgulho ferido e mais um desaire não sabemos o que pode vir acontecer.
Quer queiramos, quer não, temos de reconhecer que o futebol em Angola funciona como uma espécie de religião principal e por isso todo o cuidado é pouco quando as coisas não correm bem com a Selecção Nacional. Não precisamos esperar que coisas más aconteçam.
É chegada a hora de o Minjud agir. (Continua no próximo número) Augusto Fernandes

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