Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As brincadeiras da FAF e o silncio do Minjud (II)

28 de Novembro, 2019
“Quer queiramos, quer não, temos de reconhecer que o futebol em Angola funciona como uma espécie de religião principal e por isso todo o cuidado é pouco quando as coisas não correm bem com a Selecção Nacional. Não precisamos esperar que coisas más aconteçam. É chegada a hora de o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) agir.” Com este argumento, conclui a primeira parte deste texto à semana precedente.
Conforme dizia, é chegada a hora de o Minjud agir para controlar a situação. A direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) está praticamente sem soluções para inverter o quadro negro da nossa selecção principal, depois dos dois desaires nas duas primeiras jornadas da corrida apara o Campeonato Africano das Nações (CAN) dos Camarões, em 2021.Neste momento, os Palancas Negras, ocupam o último lugar do seu grupo com zero pontos, dois golos marcados e cinco sofridos.
Se a memória não me atraiçoa, este é o pior arranque da nossa selecção em competições internacionais desde 1976, altura em que Angola, efectuou o seu jogo oficial depois da Independência Nacional diante do Congo Brazzaville.
Tudo isso está acontecer porque a FAF tem liberdade a mais, ou seja, tem poderes ilimitados na condução dos destinos do nosso futebol. É verdade que a gestão de Artur Almeida e Silva e seus pares, que começou em Dezembro de 2016, teve bons momentos e trouxe algumas melhorias ao nosso futebol.
Entretanto, neste tipo de gestão, as boas coisas são rapidamente esquecidas quando as fases negativas surgem. Além do mais, a direcção da FAF teve tempo suficiente para rever a sua posição na forma em que conduziu ou conduz a vida do nosso futebol, pois conselhos não lhes faltou.
Assim, podemos considerar que o futebol sénior está em crise. É por isso que o Minjud deve intervir urgentemente por ser a autoridade “máxima” do nosso desporto por determinar ou orientar o que a FAF deve fazer. Isto implica dizer que o Minjud, pode desenhar um plano a ser executado a médio e longo prazo pela FAF.
Portanto, é importante que em função da actual situação que a nossa selecção esta a viver, sejam respondidas as seguintes questões: qual é o nosso objectivo nesta fase de grupos? Chegar a fase final do CAN? Para participar ou competir? Vale a pena chegar a fase final? Porque não aproveitar esta fase de grupos para o CAN e o Mundial de 2022 para preparar uma equipa competitiva para 2023 em diante?
O Minjud, não precisa de fazer isto sozinho, pode e deve contar com o apoio dos cérebros que “fazem” o futebol nacional e não só para que o seu projecto seja coroado de êxitos. Por onde começar? Em minha modesta opinião devemos começar por definir os objectivos a atingir. Em função da nossa realidade, devemos começar por apostar na formação de uma selecção competitiva para os próximos três ou quatro anos sem pressa e podemos incluir já pelo menos 50% dos jogadores da equipa de nacional Sub-17 que participou no último Mundial do Brasil, com Pedro Gonçalves no comando técnico.
Não nos interessa lutar para chegar ao CAN para apenas marcar presença, hasteando a bandeira nacional e cantar o hino, pois os adeptos dos Palancas Negras andam fartos deste tipo de participações. Querem muito mais. Pretendem uma selecção que os dignifique o país, praticando um futebol de qualidade.
Para que isto aconteça, o Minjud deve sair do silêncio permissivo, e agir de acordo com a autoridade e responsabilidade que tem sobre o desporto nacional. Tenho dito!
AUGUSTO FERNANDES

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