Jornal dos Desportos

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Opinio

As "chicotadas" e as opes

04 de Agosto, 2015
À passagem da 19ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, a quarta da segunda volta da presente época, operaram-se mexidas no comando técnico de oito das 16 equipas em prova. Na vertente das mexidas registadas no seio das equipas desta maior prova do futebol, popularmente apelidada de Girabola, o Recreativo da Caála, Sagrada Esperança e o Domant FC lideram as “chicotadas psicológicas”.

O clube da vila da Caála, liderado por uma comissão directiva em face da demissão (por opção própria) do então presidente, Horácio Mosquito, bem como o da Lunda -Norte e do Bengo, já tiveram nesta época três técnicos à frente das suas equipas.

A turma da Caála abriu as hostilidades das “chicotadas psicológicas”, depois de afastar Bernardino Pedroto, logo após à disputa da jornada inaugural do Girabola- 2015.

O treinador português, por sinal o mais titulado da história do Girabola, por via das cinco conquistas na prova ao serviço do Atlético Sport Aviação, ASA (três vezes) e Petro de Luanda (duas), demitiu-se na altura, alegadamente, por questões familiares.

Sucedeu-lhe no cargo Arsénio Ribeiro “Túbia”, que posteriormente foi afastado pela onda de maus resultados (hoje a equipa está colocada na 13ª posição da tabela de classificação geral do Gira-2015 com 20 pontos), pelo também angolano Hélder Teixeira.

Já na formação diamantífera da Lunda -Norte, o português António Caldas, que fez uma grande época em 2014 , foi substituído pelo angolano Francisco Moniz “Frank”, que depois veio a ceder o lugar ao sérvio Zoran Maki.

No Domant FC de Bula Atumba, a última mexida ocorreu na semana finda, com o espanhol Joan Oliva a ser “chicoteado” pelos maus resultados da equipa, abriu o caminho para o angolano Manuel de Carvalho “Nguami”, que se estreou com derrota.

O técnico espanhol, contratado para melhorar a situação da equipa da cidade do Jacaré Bangão, o Bengo, tinha rendido o angolano Paulo Saraiva, mas nem com isso evitou o espectro da despromoção, já que esta mantém-se na cauda da tabela com 13 pontos.

Nas estruturas dos plantéis do actual campeão em título, Recreativo do Libolo e o vice -campeão Kabuscorp do Palanca, também sugiram “chicotadas psicológicas”.

Na formação de Calulo o francês Sébastien Desabre cedeu o posto ao português João Paulo Costa, enquanto na equipa palanquina, presidida pelo carismático Bento Kangamba, o sérvio Ljubomir Ristovski deu o lugar ao angolano Miller Gomes, campeão pelo Libolo em 2014.
Interclube, Progresso do Sambizanga e Sporting de Cabinda são outras equipas em que se verificaram também “chicotadas psicológicas” nesta época de 2015.

Na turma adstrita à Polícia Nacional, o búlgaro Ilian Iliev rendeu o sérvio Veselin Vesco, um velho conhecedor do futebol africano e do angolano em particular, pelos anos que trabalhou não só como técnico do Girabola, mas ao nível das selecções jovens.

Na equipa dos Sambilas, por seu turno, o angolano Mário Calado, que já foi campeão nacional ao serviço do 1º de Agosto e do Sagrada Esperança, foi rendido pelo compatriota Albano César, enquanto no Sporting este cedeu o lugar a Lusudusu Medad.

As demais oito equipas intervenientes no Gira-2015 mantêm-se fiéis aos técnicos com que iniciaram a época: Trata do Benfica de Luanda, com Zeca Amaral no comando; Progresso da Lunda Sul (Kito Ribeiro), 1º de Agosto (Dragan Jovic), Petro (Alexandre Grasseli), ASA (Roberto do Carmo “Robertinho”), FC Bravos (Victor Manuel), Académica do Lobito (Ekrem Asma) e Desportivo da Huíla (Ivo Traça).

Um factor que salta ainda à vista no Gira-2015, como aliás, está a ser norma ao longo dos anos, é a aposta das equipas nacionais, maioritariamente, em técnicos estrangeiros.

Nessa altura, apenas o Benfica de Luanda, Kabuscorp do Palanca, Progresso da Lunda Sul, Progresso do Sambizanga, Clube Desportivo da Huíla, Recreativo da Caála e Domant FC, têm, nesse momento, à frente dos seus plantéis técnicos angolanos.

Os demais nove clubes são orientados por estrangeiros. Melhor dito o Interclube e Sagrada têm a frente dos plantéis os sérvios Veselin Vesco e Zoran Maki, o Sporting tem o congolês Lusudusu Medad, a Académica do Lobito o turco -alemão Ekrem Asma. O Petro e o ASA, os brasileiros Alexandre Grasseli e Roberto Carmo, o Libolo e Maquis, os portugueses Paulo Costa e Victor Manuel, e o 1º de Agosto o bósnio Dragan Jovic.

Curioso ainda, no meio disso, é o facto de muitas das vezes os clubes apostarem em técnicos estrangeiros, em detrimento dos nacionais, numa acção em que as contratações acabam por ser mais caras e redundam em fracassos.

Penso, nessa perspectiva, que se deve dar mais credibilidade aos treinadores nacionais, pois se olharmos bem para o gráfico dos feitos, estes, até tem dado muito boa conta de si. É só prestar atenção aos últimos títulos das equipas do Girabola, que foram todos conquistados por treinadores angolanos.

A “prata da casa” parece estar a sobrepor-se à legião de técnicos estrangeiros, que muitas das vezes arrecada valores chorudos em termos de contratação, mas sem nada fazerem de relevante. É uma questão para reflexão.
SÉRGIO V. DIAS

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