Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As cores do Bic Basket

27 de Maio, 2016
Contra todas as expectativas, a nossa fome, que se apregoa por esse mundo, não afecta o desporto do nosso tempo. Com barriga vazia ou não, os amantes da bola fazem-se presente em diferentes pavilhões em apoio à equipa do coração. O pavilhão principal da Cidadela Desportiva registou uma casa cheia de adeptos que testemunharam a qualificação da segunda equipa para a final do BIC Basket'2015/2016. Os parques estavam repleto de viaturas, um indicador que afinal o preço de gasolina não afecta os depósitos. Os meus compatriotas ainda estão de pé.

Contra todas as expectativas, o silêncio e os gritos convergiram-se dentro da Cidadela, numa camaradagem de outros tempos . O amarelo do Petro de Luanda e o vermelho e preto do 1º de Agosto só me fizeram lembrar o meu tempo da OPA, aquele de Organização de Pioneiros de Angola. Na minha inocência, cantava de cor o hino nacional a olhar para a bandeira, com muito orgulho de ser angolano.

Contra todas as expectativas, o nosso desporto alimenta muitas almas de forma directa ou indirecta. Em crise de políticos, o desporto é o veículo de unidade nacional. Está provado.

O amarelo do Petro de Luanda e o vermelho e preto do 1º de Agosto mexeu com a nação. Em diferentes lugares, mormente, bares, botequins, casas de amigos, ruas e ruelas, a juventude e os cotas juntaram-se para apreciar o que há de melhor de basquetebol em África.

Chegou-me informações a dar conta de que em Moçambique, concretamente em Maputo, um dos restaurantes nunca tinha vendido tanta bebida e comida quanto aquele dia da última partida da meia-final entre o Petro de Luanda e 1º de Agosto. Os angolanos, moçambicanos, sul-africanos, tanzanianos, nigerianos, malianos, indianos, portugueses, espanhóis vibraram com o melhor do basquete angolano. A bandeira nacional estava estampada em grande plano dentro do restaurante, em respeito à terra de Agostinho Neto.

Esta dica caiu-me bem ao coração. Senti-me feliz por ser filho desta linda nação. Deste pedaço de terra que se mantém de pé com muito sacrifício.

No calor de Dia de África, urge analisar com muito cuidado a importância do desporto angolano no concerto das nações. Quando se joga basquetebol em Angola, o mundo rende-se ao silêncio. A cada jogada do irreverente Leonel Paulo ou os ressaltos de Kikas Gomes, um homem faminto ou não em qualquer parte do mundo vive um segundo de grande satisfação. Solta sorriso aos lábios e esquece a angústia. Sente-se humano e parte integrante deste universo. A cada triplo de Carlos Morais ou Olímpio Cipriano, os corações desfeitos ganham vitalidade em Angola ou noutra parcela do Universo.

Os casais separados voltam a unir-se com mais amor. O basquetebol angolano tem grande valor sociológico, psicológico, cultural e político.

A gestão do basquetebol deve ser feita com prudência. A animosidade que se inflamam na imprensa deve ser evitada, sob pena de sermos rotulados como "homens musculados". A ti, meu compatriota, nunca abdica das cores amarela, vermelha e preta. São cores de angolanos que lutaram pela libertação e integridade de África.
FRANCISCO CARVALHO

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