Jornal dos Desportos

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Opinio

As denncias de Quipossoa e o silncio da FAF

02 de Novembro, 2017
As graves denúncias feitas por Floriano Quipossoa, ex director desportivo do Progresso da Lunda-Sul, contra a direcção daquele clube do leste é um claro exemplo de que quando as comadres se zangam vale tudo!
Sim, nos últimos tempos, tem sido comum algumas pessoas ligadas ao desporto, especialmente no futebol, denunciarem irregularidades ou actos de injustiça como as que o ex director do Progresso da Lunda-Sul, fez contra os seus ex-patrões.
Por exemplo: em certa ocasião certo treinador de um clube do Girabola, chegou ao ponto de denunciar publicamente um suposto caso de corrupção de alguns elementos ligados a equipa de arbitragem que ajuizaria o jogo de sua equipa no seu reduto.
Por altura de tal denúncia o referido técnico, afirmou que em duas ocasiões, no mesmo dia e em lugares diferentes os fiscais de linha da referida equipa de arbitragem foram vistos a receberem envelopes que supostamente continham valores.Em outra ocasião um presidente de um clube também da primeira divisão, teve a coragem de afirmar que a corrupção no futebol era um facto e que ele mesmo já havia subornado uma equipa de arbitragem e que tinha provas para apresentar publicamente.
É interessante que tais denúncias normalmente são feitas muito tardiamente. Por exemplo, porque é que no caso do treinador que denunciou os fiscais de linha só o fez depois da derrota de sua equipa quando ele ficou sabendo do suposto suborno muito antes do jogo?
O mesmo de pode dizer com relação as denúncias de Floriano Quipossoa. Porque só depois de ser afastado do cargo é que se lembrou de fazer as denúncias? Além do mais o que ele realmente pretende? Que se resolva a questão dos seus salários, do seu despedimento injusto do cargo ou que se resolva a questão da falsificação de documentos e irregularidades nos contratos dos jogadores?
O seu silêncio até antes da sua demissão não indicava que Quipossoa tenha compactuado com a ilegalidade? Temos muita margem para acreditar que sim porque pelo andar da carruagem podemos concluir que ele sabia das irregularidades que denunciou muito antes de ser demitido.
Por outro lado, o silêncio da Federação Angolana de Futebol (FAF), até certo ponto justifica-se porque primeiro o caso deve ser bem analisado. Segundo, algumas denúncias como por exemplo a falsificação de documentos, já deixam de ser um mero caso desportivo e passa a ser um caso de polícia.
Entretanto, o que se pretende dizer é que as pessoas devem ser coerentes nestes casos. Até certo ponto, Floriano Quipossoa, não deixa ter alguma razão pelo facto de ter sido injustiçado.
No entanto temos de ter em mente que Quando se está diante de uma injustiça ou ilegalidade só temos duas hipóteses: denunciar de imediato ou calar-se para sempre. Porque quando as denúncias são feitas do modo em que normalmente têm sido feitas, só depois de os queixosos sentirem-se vítimas das injustiças perde o sentido.
Além do mais, fazer denúncias tardiamente e especialmente em situações que indiquem que o denunciante pactuou com a ilegalidade pode transforma-lo também num criminoso. Por isso a solução é não pactuar com a ilegalidade.
Entretanto, é imperioso que os órgãos de justiça prestem bastante atenção nestas denúncias e tomem medidas duras e exemplares contra os prevaricadores e livrem o desporto de homens sem nenhum senso de moral e justiça.
Temos de admitir que no Mundo em que vivemos não é fácil as autoridades aplicarem a lei como deviam porque existem outras forças que por vezes influenciam na não aplicação da lei como se devia.
É importante lembrar que o nosso objectivo não é desmoralizar ninguém com esta peça mas ajudar as pessoas a verem que se não fizermos o que é certo no momento exacto podemos ser vítimas do nosso silêncio.Podemos dizer que foi o que aconteceu com o senhor Quipossoa, pois o facto de ele se ter apercebido que a sua direcção tinha recorrido a inverdades para manter a sua equipa em dia, foi um grande indicativo de que ele, não deveria avançar com o negócio porque a prior a atitude da direcção indicou claramente de que não eram pessoas fiáveis.
Seja como for temos de acreditar e confiar nas autoridades. Mas para que tal aconteça, é necessário que as pessoas tenham a coragem de fazerem as denúncias de ilegalidades no tempo e na hora certa não dando margem de manobra aos infractores. Porque se não for assim então melhor é calar-se para sempre. Augusto Fernandes

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