Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As intempries do campeonato

28 de Julho, 2018
Hoje, a minha abordagem vai essencialmente para algumas intempéries, que grassam no nosso campeonato nacional de futebol da I Divisão. O nosso Girabola Zap, a alegria do povo. Por vezes, com situações que admiram qualquer um e ferem o nosso orgulho, enquanto amantes e devotados ao desporto -rei.
Ora, são bolas que batem no travessão da baliza e são julgadas golo, ora, são assinalados quatro pénalties num só jogo, ora, assinalam-se mão à bola e deixam-se de assinalar bola na mão, enfim, um sem número de situações, algumas de bradar aos céus, como justificou há dias, o próprio presidente do órgão reitor do futebol nacional, quando abordado sobre o “escândalo Talaia”.
Antes de prosseguir as minhas abordagens, quero abrir um parêntesis recto, para fazer referências especiais a Nicola Berardinelli. O grande Nicola! Um “guru” do nosso futebol, que há dias passou desta para a outra dimensão da vida. Faleceu.
Não é fácil falar de Nicola Berardinelli, pela trajectória como homem, como desportista e até como militar. Pela sua grandeza. Pela humildade e sentido da vida. Pela sua bravura, estoicismo e determinação.
Nicola Berardinelli foi somente um dos membros fundadores do Clube Desportivo 1º de Agosto. Foi ele, atleta, treinador e dirigente activo. Jogou futebol e era um verdadeiro craque. Treinou o clube, enquanto jogador -treinador contribuiu de forma bastante significativa para a conquista, principalmente, dos três primeiros títulos do Clube central das Forças Armadas Angolana (FAA).
Na verdade, Berardinelli parte deixa “obra feita” que é um verdadeiro legado. A sua dimensão é incomensurável e merece de facto o reconhecimento, não só das gentes do futebol, mas do país . O seu exemplo deve ser seguido pelas novas gerações, que devem de certeza inspirar-se nos seus feitos, na força interior que o movia, tal era a dinâmica, determinação, bravura que evidenciava, não fosse um militar de gema e com tarimba reconhecida.
Em relação às outras makas, que o nosso Girabola, a alegria do povo, encerra, estão sem dúvidas as questões que volta e meia surgem à baila. Trata-se, fundamentalmente, em primeira instância, da falta de salários aos jogadores de várias equipas do nosso campeonato. Há dias, quem destapou o véu, foi o técnico Emená Kuanzambi, do Sporting de Cabinda, mesmo com o peso do futebol que vem evidenciado, infelizmente, vive situações do arco - da -velha.
Afinal, não há bela sem se não. Seis meses sem salários, nem prémios de jogo, para uma equipa que está a fazer uma campanha irrepreensível, é duro demais para os atletas e técnicos, muitos país de família e com imensas responsabilidades nos ombros. Não quero imaginar, no quesito das remunerações, estivesse equacionado, talvez a equipa discutisse lugares cimeiros. Futebol, a equipa leonina da província mais ao Norte do país, tem até de sobra. Tem atletas competentes e com grande qualidade, um técnico humilde que demonstra conhecer bem os fundamentos da estratégia e da táctica, pela forma como arma a equipa para cada jogo. E, isso, é demonstrado no campo, a cada jogo.
Torna-se ingente, premente e urgente, que as pessoas de direito acudam a situação, pois, se os resultados desportivos estão à vista, ninguém duvida da prestação competitiva da equipa, que neste ano de 2018 regressou ao convívio dos grandes e com uma evolução surpreendente a todos os títulos.
Necessário se torna, que os potenciais patrocinadores continuem a apostar as suas marcas neste emblema, que tem imensa visibilidade no nosso Girabola, a propaganda do bom futebol que está a praticar, faz que muito público e aficionados da bola vão ao recinto de jogos para a ver jogar.
Apesar do desporto fazer parte de uma boa governação, conforme se ventila e convenhamos, o governo de Cabinda dá o apoio e carinho à esta equipa, a direcção não pode nem deve descansar à sombra da bananeira, a contentar-se apenas e só, com isso. Não é obrigação do consulado de Eugénio Laborinho prestar assistência continuamente.
Fá-lo de forma pontual. Por isso, mais uma razão para a liderança do grémio esgrimir outros argumentos, para se sustentarem.
O Sporting de Cabinda, clube com uma trajectória invejável e com pergaminhos firmados no nosso futebol, mesmo na onda do “sobe - e - desce” na fina-flor do futebol nacional, deve munir-se de argumentos suficientes para estabilizar as hostes e encetar estudos profundos de natureza orçamental e projecções saudáveis, no que toca à gestão financeira, para evitar derrapagens pouco dignas da sua dimensão.
Foi mau, por exemplo, constatar que a equipa teve imensas dificuldades para sair de Cabinda, a fim de efectuar o jogo com o Interclube, pontuável para a jornada 24º da prova, por manifesta falta de recursos.
Na mesma bitola, falta de alguma organização estrutural, convenhamos. O resultado não podia ser outro, senão a derrota mesmo que ao longo do jogo, os atletas tivessem força anímica para jogar bem, e demonstrar a sua têmpera, como se viu, até com baliza escancarada, falharam golos.
O futebol é coisa séria, como sabemos, torna-se difícil uma equipa que chega em cima da hora do jogo, sem aquecimento, sem adaptação, seja submetida à um jogo intenso diante do Interclube, que fazia daquele “o jogo da sua vida”, por estar em causa o “assalto” à segunda posição da prova, uma fase como essa de perseguição impiedosa ao líder 1º de Agosto, era pouco difícil que os Leões do Norte, diante de peripécias mil, conseguissem muito. Tenho dito...
MORAIS CANÃMUA

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