Jornal dos Desportos

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Opinio

As lamrias da FAF

30 de Agosto, 2018

A caminho do seu segundo ano de mandato, a direcção da Federação Angolana de Futebol ( FAF), liderada por Artur Almeida e Silva, continua a choramingar por falta de dinheiro para cumprir com os programas por si elaborados. É interessante que, a actual direcção do FAF, não esteve desavisada sobre a situação financeira da casa que rege o futebol angolano, porque os seus antecessores também passaram a vida a choramingar por falta de verbas.
Ao longo de sua campanha para ocupar o cadeirão máximo da FAF, Artur Almeida, foi dizendo que tinha algumas fórmulas ” mágicas “ de como resolver a situação financeira da instituição que agora dirige. Assim sendo, não se justificam e até já começam a ser irritantes as constantes lamúrias de sua parte e seus pares por falta de dinheiro. No mínimo devem apenas obedecer à velha máxima que diz: “ ajoelhou tem de rezar”.
Uma forma de parar com as choraminguices é optar por programas realísticos e exequíveis em função da sua situação económica. Aliás, anualmente, as federações têm uma verba cabimentada com a qual devem programar as suas acções. Será que FAF não fez contas de quanto precisaria para participar na campanha de apuramento para o CAN de 2019? Por outro lado qual é o objectivo dos Palancas Negras nesta fase?
Ao contratar um treinador expatriado, que a priori é mais caro que um nacional, (xenofobia à parte) a FAF está a dizer que pretende ir o mais longe possível ou não? Quando se contrata um “ craque” é porque a equipa pretende ganhar a competição em que está envolvida.
Porque não optar primeiro por arrumar a casa, definir prioridades, criar condições para levar avante os seus projectos e pacientemente consolida-los? Porque apostar no imediatismo? A FAF não tem porque falhar tanto porque teve tempo suficiente para aprender com os erros de seus antecessores.
Os problemas do futebol angolano são bem visíveis e não precisamos de especialistas para analisá-los. Temos de aprender com o exemplo do
Japão, que em 1985 começou o processo de revolução do seu futebol com a contratação de Zico, antiga estrela brasileira, para coordenar todo o futebol japonês a nível de selecções. Hoje está a colher os seus frutos. Teve de esperar cerca de 20 ou mais anos para colher os frutos!
É verdade que participar nas eliminatórias para um CAN é obrigatório quando já se está inserido num dos grupos e para isso é obrigatório ter dinheiro para a participação nesta fase. Entretanto, em função da situação económica era somente normal esta participação ser bem acautelada para evitar situações desagradáveis.
Em função da dificuldade financeira que a FAF enfrenta nesta altura, os Palancas Negras poderão ver-se privados de jogadores que evoluem no estrangeiro como o Gelson, Mateus Galiano, Djalma e outros contra os Tswaneses.
Por isso a FAF não deve limitar-se aos choros. Deve passar à acção. Uma das formas que nós havíamos sugerido é que assim como clubes como o 1º de Agosto e outros conseguem activos por mobilizar o maior número possível de sócios, a FAF também pode fazer o mesmo.
Não temos dúvidas de que se a FAF mobilizar a nação para angariar os “sócios palancas” será bem-sucedida, porque todos os adeptos das equipas angolanas se revêem na selecção nacional. É uma questão de se experimentar, mesmo que sejamos os primeiros a fazê-lo.
Por outro lado, não consigo perceber como é que clubes como 1º de Agosto e Petro de Luanda, têm patrocínios garantidos de instituições do Estado e por isso realizam os seus campeonatos e participam nas competições Africanas sem sobressaltos, e selecção nacional passe a vida de mãos estendidas.
Não sei quais são as políticas que se aplicam nestes casos, mas é ponto assente que a selecção nacional é mais importante que qualquer clube não importa a que ramo ou instituição do Estado esteja ligado, pois os interesses de qualquer país vêm em primeiro lugar.
Augusto Fernandes


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