Jornal dos Desportos

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Opinio

As maratonas eleitorais

09 de Dezembro, 2016
Por imposição do ciclo olímpico, as federações nacionais são obrigadas a renovar os mandatos das respectivas direcções até ao presente mês de Dezembro. É por conta dessa “ordem” que assistimos ao frenesim eleitoral nas mais diversas associações. Uns com processos anedóticos, outros nem por isso.

Por dever de consciência, muitos dirigentes estão a abandonar as direcções, outros empurrados pela crise financeira que assola o país, e consequentemente o desporto. Mas nenhum desses critérios deveria ser a razão do fundo para a deserção dos dirigentes que até então juravam amar a modalidade que dirigem.

O critério-mãe devia ser os resultados desportivos. E se assim fosse, seguramente que poucos iriam sobreviver. Pois se contam aqueles que têm tido resultados positivos. Andebol e basquetebol podiam ser quaisquer dificuldades se reeleger, a par de algumas modalidades individual, como ténis, ginástica e a natação.

O menino bonito do desporto nacional, o futebol, aquele que mais engole dinheiro do Estado, está muito mal na fotografia. Para salvar a honra do convento, tivemos este ano mais de uma década depois da qualificação dos sub-17. A última vez que a equipa nacional participou numa fase final da Taça das Nações Africanas foi em 1999, em Conacry. Alguns dos jogadores que constituem a selecção actual tinham apenas dias e meses de vida.

A selecção principal vai mais uma vez acompanhar o CAN da categoria em casa, tal como há dois anos. Assim como o Mundial da Rússia em 2018. É natural, e assim exige a ética republicana, que Pedro Neto e o seu elenco saiam. Pois fez pior do que aquilo que a anterior direcção fez. Justino Fernandes, presidente substituído por Pedro Neto, não compreenderá seguramente por que razão foi “varrido” da Federação Angolana de Futebol por tais que agora não foram capazes de assumir o ónus de terem protagonizado uma situação caricata da história moderna daquela associação. Com mandato em curso, Justino Fernandes viu ser interrompido o seu consulado.

A gestão de Pedro Neto fica marcada por vergonhas crassas que os Palancas Negras enfrentaram, tal como aquela em que jogadores nacionais viram-se impedidos de participar no jogo das eliminatórias frente ao Burkina Faso em pleno 11 de Novembro. Ainda processos disciplinares aos treinadores em vésperas de jogos importantes ou eliminatórias.

Portanto, a gestão de Pedro Neto foi má não apenas no capítulo dos resultados como também administrativo. E faz sentido que este elenco seja substituído. Porém, quem lá for assim como nas outras associações tem de trazer um valor acrescentado, e não esperar por uma providência divina como acontece com muitos. Muitos vão às federações na expectativa de facturarem, razão pela qual se invertem depois os papéis. As prioridades passam a ser negócios consigo mesmo e não a modalidade. Quantos instalaram agências de viagens nas federações ou subcontraram? Quantos não terão montado empresas de organizações de eventos para engolirem tudo que lhes aparecia pelo caminho. Esses e outros esquemas prejudicaram gravemente os resultados desportivos. Não é apenas uma opinião nossa. O Presidente da República fez um reparo nos mesmos termos.
Teixeira Cândido

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