Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As marcas que (no) nos marcam

19 de Junho, 2017
Tem sido recorrente, ouvir da parte de algumas pessoas, de idade já avançada, com quem eu privo regularmente, que na vida temos de esperar o melhor, mas estar preparados para o pior!

Isto vem a baila, como fonte de “inspiração, para análise neste artigo, pelo facto, de termos em Angola, eventos desportivos “profissionais”, cujas marcas, consideradas de prestígio, e de peso no contexto empresarialnacional (a julgar que muitas delas dão-se atéo luxo de ser chamadas SUPERBRANDS), “emprestam os seus nomes”, como são os casos do GIRABOLAZAP, BIC BASKET, BAI BASKET, TAÇA CUCA, e por ai fora.

A verdade é que há uma percepção pouco clara ou muito vaga, do que essas marcas na realidade valem junto dos adeptos e consumidores do desporto de uma forma geral, nos quesitos: NOTORIEDADE, PROXIMIDADE e AFINIDADE.

Traduzido, de forma simples para o markeetês (assim como existe o politiques e o economês) é que essas marcas não conseguem juntar a fome, com a vontade de comer, a julgar pelos resultados apresentados pelos vários estudos de opinião e de mercado, que faço questão de pessoalmente analisá-los até a exaustão, onde é perceptível a presença destas mesmas marcas na vida e no dia-a-dia, imagem só, dos mesmos adeptos e consumidores do desporto, ávidos de encher os pavilhões e estádios para acompanhar os eventos desportivos!

Então, não percebo as reias razões pela falta de reconhecimento e da pouca atenção que os adeptos e consumidores do desporto, dão ao deparar-se com as mesmas marcas, que eles próprios dizem lhes dar satisfação, que “juram até lealdade”, as mesmas, mas que na hora, no momento que vêem estas marcas associadas aos principais campeonatos de futebol e basquetebol, sénior masculino não as valorizarem!

Se por um lado, sabemos todos que o “sintoma” para a ausência dos espectadores nos recintos desportivos, tem muito a ver com as “causas”, ligadas a fraca qualidade dos eventos desportivos, por outro lado, pergunto eu o que é essas marcas tidas com “fortes” tem a ganhar a se associar com um produto que está totalmente depreciado em termos de satisfação e qualidade, visto que os adeptos e consumidores de uma forma geral não sentem prazer ou emoção de estar nos referidos eventos?

Sabemos todos, que é difícil apurar de “jure e factos”, apurar o quanto valem os acordos contratuais, para que estas marcas, “emprestem “ o seu nome as competições acima referidas e quanto é que as federações ganham em termos financeiros, aliás, está é uma das coisas que mais me impressiona no meu país, a ideia mais ou menos generalizada de que não se divulga os acordos ou contratos feitos, e que afectam directamente consumidor.

Mas, não é esta questão, que me deixa nessa “saia justa”. Ao contrário, é que no marketing, o principal factor de sucesso de uma marca é o seu posicionamento, sua proposta de valor, associado naturalmente a uma coerente e eficaz estratégia de comunicação. Traduzido no markeetês, quando as marcas são fortes, elas fornecem inúmeras vantagens de marketing, arrastam consigo os seus consumidores fiéis e conseguem “piscar os olhos” aos potenciais consumidores da marca.

No marketing desportivo, eu pessoalmente acredito que uma marca forte ajuda as instituições desportivas a isolarem-se dos efeitos potencialmente prejudiciais, pois a imagem que a marca gera, tem papel importante na consolidação da confiança, da credibilidade e satisfação do adepto e do consumidor do desporto em relação aos eventos desportivos.

Face ao exposto, chego as seguintes recomendações e conclusões:
1º Como defendi, num dos artigos, aqui neste mesmo espaço, em Angola não temos marcas GIRABOLAZAP, BICBASKET, mas sim designações.
2º Em Angola, pouco ou quase nada se faz para tirar proveito do capital associado aos naming, quer da parte desportiva, bem como da parte empresarial, porque não há dados estatísticos que nos ajudam a ter uma noção se com ou sem naming os consumidores do desporto e os adeptos, notam algum diferença nos eventos desportivos.

3º O que temos sim é uma verdadeira desarrumação que consolida, a cada dia para quem vê de fora, e mesmo para quem vê por dentro.
4º Por fim, para transformar esse ciclo vicioso em ciclo virtuoso, onde os eventos desportivos possam tornar-se atractivos eemotivos, tem de necessariamente passar por uma avaliação em termos subjectivos e objectivos, procurando perceber o que, de facto o adepto e consumidor do desporto, procura num determinado evento desportivo, como ele percebe o símbolo da marca, quais os seus hábitos, gostos e preferências quanto a interacção social. O que vier será apenas consequência desta e de outras acções integradas!
NZONGO BERNARDO DOS SANTOS

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