Jornal dos Desportos

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Opinio

As mortes em campo

11 de Agosto, 2015
Nos últimos tempos, o futebol tem sido acossado com a morte de alguns atletas em campo, por problemas cardíacos, facto que por si só deve merecer atenção dos clubes e dirigentes ligados ao fenómeno desportivo, à escala mundial. Por essa razão e tal como defendeu recentemente, o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), general Pedro Neto, os clubes têm de criar todas as condições médicas de primeiros socorros, para acudirem casos do género, sem sobressaltos.

O líder federativo teceu essas considerações na sequência do incidente por que passou o médio Felisberto do Amaral ou simplesmente Gilberto, capitão da Selecção de Futebol de Honras e do Benfica Luanda, durante um jogo com o Progresso do Sambizanga. O atleta, de 32 anos, caiu inanimado no relvado do Estádio dos Coqueiros, na partida da 18ª ronda do Girabola, a maior prova do futebol nacional que foi disputada a 26 de Julho. Na altura, Gilberto ficou desmaiado quase 30 minutos, período que durou a reanimação, por intermédio do dr. Valdemiro Miranda, médico da equipa do Sambila.

“O Gilberto estava inanimado e não respondia a nenhum dos estímulos. E como não havia material de oxigénio, tivemos de fazer a respiração boca - a - boca”, revelou na ocasião e acrescentou ter sido “graças a Deus” que o jogador regressou à vida. A partir desse incidente, ficou claro que os clubes na condição de visitados devem criar as condições logísticas e médicas para qualquer situação de emergência.

Os clubes, os dirigentes desportivos e todos os agentes ligados ao futebol, em particular, devem ter consciência da importante de terem o aparato de equipamento de primeiros socorros, em que o disfibrilador e outros devem ser obrigatórios. De acordo com Luís Mariano, director clínico da unidade hospital em que Gilberto esteve a receber tratamento após o traumatismo craniano sofrido, “sempre que houver algum tipo de perda de consciência de algum atleta, é preciso haver algum tipo de atendimento médico, para que se tomem medidas que definam o diagnóstico”.

De acordo com o médico da Clínica Girassol, “deve ser norma das equipas ter um médico e disfibrilador, para que em circunstância iguais actuar como tem sido habitual”. Há sensivelmente doze anos, num jogo com a Colômbia, no Estádio de Gerlanda, em Lyon, França, disputado a 26 de Junho e selectivo as meias-finais da Copa das Confederações, ocorreu uma paragem cardíaca ao camaronês Marc-Vivien Foé.

Os médicos ficaram 45 minutos a tentarem reanimar o coração, embora chegasse vivo ao centro médico, morreu pouco depois, apesar dos esforços para o salvar. Tempos depois, o atacante da selecção húngara de futebol, Miklos Fehér, 24 anos, enfrentou situação idêntica num jogo contra o Vitória de Guimarães de Portugal. Após receber um cartão amarelo, sentiu-se mal e caiu de seguida de costas no chão. Transportado ao hospital, não resistiu à paragem cardíaca e faleceu três dias depois.

A sua morte reavivou lembranças de jogadores que morreram em circunstâncias semelhantes, como Marc-Vivien Foé, Miklós Fehér e Serginho.
A 25 de Junho do ano de 2005 abateu-se sobre o futebol português a notícia da morte, por paragem cardíaca, do médio Hugo Cunha, formado nas escolas do FC Barreirense.

No nosso continente, há a assinalar mortes como as de Samuel Okwaraji, Mohamed Abdelwahab e Chaswe Nsofwa. O jogador Samuel Okwaraji morreu a12 de Agosto de 1989, num jogo com Angola. A autópsia revelou que possuía um coração com o tamanho maior que o normal e com forte pressão sanguínea.

A 30 de Agosto de 2006, o futebolista Mohamed Abdelwahab morreu de deficiência cardíaca num jogo treino do Al-Ahly, clube em que evoluíram os angolanos Gilberto, Flávio Amado e Avelino Lopes. Um outro futebolista africano, o zambiano Chaswe Nsofwa, faleceu em 29 de Agosto de 2007, num jogo treino em Berrsheba, Israel.

Neste ano de 2015, por exemplo, ocorreram mortes de outros futebolistas. A 11 de Maio o defesa da equipa do Beerschot-Wilrijk sofreu um enfarte durante um jogo amistoso. Passou por uma cirurgia, ficou em coma, mas morreu de seguida. Três dias depois Emanuel Ortega, ex-lateral direito do San Matin de Burzaco, desequilibrou-se e bateu com a cabeça no muro do Estádio Francisco Bago, num jogo com a do Juventud Unida. O jogador foi levado ao hospital, morreu dias depois.

Ainda em Maio, Cristian Gómez, do Atlético Paraná, faleceu ao cair no relvado durante um jogo da sua equipa com o Boca Juniores, entretanto foi levado ao hospital chegou já sem vida. A 13 de Junho, o atleta David Oniya do T-Team, sofreu uma paragem cardíaca com apenas três minutos de jogo com o Kelantan, também foi levado ao hospital morreu horas depois.

Por tudo isso, é indiscutível a atenção que o assunto das paragens cardíacas de atletas em campo merece, da parte das instâncias desportivas e não só. Não há dúvidas disso…
Sérgio V. Dias

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