Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As picardias entre DAgosto e FAF

11 de Janeiro, 2018
As declarações de Adão Costa, vice presidente da Federação Angolana de futebol (FAF) segundo as quais o clube militar do 1º de Agosto, tomou uma medida anti-patriota ao não ceder os seus jogadores para a selecção nacional de futebol que vai disputar o Chan de 2018 que inicia no dia 13 do corrente criou um clima azedo entre as duas instituições.
Adão Costa, mostrou-se indignado com a suposta posição do 1º de Agosto, pois em sua opinião, por ser uma instituição patrocinada pelas forças armadas Angolanas, o 1º de Agosto deveria ser o primeiro a dar o exemplo cedendo os seus jogadores a selecção de todos nós.
Em resposta, o clube militar fez circular um comunicado onde considera as declarações de Adão Costa como sendo “ injuriosas e falsas”. Mas a verdade é que dos 23 jogadores que vão representar os país no Chan dos Marrocos nenhum é do 1º de Agosto.
Tendo em atenção o lema “ a Nação aos seus filhos não implora, ordena” e que o 1º de Agosto conhece muito bem, não se justifica a ausência dos jogadores militares na selecção nacional, pois está em causa os interesses da nação.
Além do mais o 1º de Agosto é o campeão nacional e tem no seu plantel jogadores com grande valia técnica que dariam outra dinâmica à selecção que tanto precisa de bons resultados para sair da vergonhosa 141ª posição que ocupa no Ranking da Fifa e consequentemente atrair potenciais patrocinadores.
Segundo o comunicado da turma do \"Rio seco\", foram convocados nove jogadores dos militares sendo dois jogadores por posição: dois laterais esquerdos, dois trincos, dois extremos e dois laterais direito.
Em função da intenção da direcção do seu clube em atingir a fase de grupos nas Afrotaças, as duas direcções reuniram-se em “terreno militar” e chegaram a conclusão que cederiam apenas quatro jogadores a saber: Bwá, Massunguna, Macaia e Paizo.
Entretanto, por altura da data da apresentação todos os jogadores convocados se fizeram presentes para os exames médicos excepto o Massunguna, que estava de férias no exterior do país e Paizo em Benguela em visita a sua mãe que se encontrava doente.
Para ocupar a o vazio destes jogadores a direcção dos militares enviou dois que faziam parte dos nove a saber: Natael e o Show, este que acabou sendo dispensado pelo medico da selecção por não estar bem fisicamente.
Portanto, segundo a direcção do 1º de Agosto, tudo foi feito para conciliar os interesses da selecção e da sua equipa. Dai a razão de qualificarem como sendo falsas e injuriosas as afirmações do vice-presidente da FAF.
A grande questão é: quem estará a faltar com a verdade? As duas instituições são idóneas e não vemos porque estariam a mentir por um assunto que a priori não é de grande relevância. O que pode ter acontecido em função das explicações de ambos os lados, é que houve deficiência na comunicação entre as duas entidades.
De qualquer modo a forma bombástica em que o 1º de Agosto reagiu as declarações de Adão Costa. Em pleno século 21 já não se admitem atitudes musculosas.
Ao sugerirem que a direcção da FAF abrisse um inquérito para disciplinar o seu funcionário, acusa-lo de incompetente e não merecer estar naquele lugar o 1º de Agosto, ultrapassou os limites e é inadmissível que um clube da sua dimensão e com responsabilidade social que tem neste país tenha este comportamento.
O 1º de Agosto tem a obrigação de ter uma postura mais exemplar por respeito aos milhares de adeptos que têm a nível do país e não só, e que na sua maioria são jovens e que precisam de bons exemplos.
Os maus exemplos que temos visto em países que são tidos como evoluídos e civilizados não devem ser transportados para cá. Todos nós temos de reprovar as atitudes que não dignificam o desporto, que tem a grande função de unir as pessoas.
No entanto, temos de reconhecer que as declarações de Adão Costa, também foram muito duras, pois acusou a direcção do 1º de Agosto de ser anti-patriota, o que é muito grave para uma equipa que representa as Forças Armadas do país.
Assim, estamos a chegar a uma conclusão: Adão Costa, passou dos limites nas suas declarações e a direcção do 1º de Agosto (não sabemos quem assinou o comunicado) ignorou o sábio provérbio que diz: “Não respondas ao insensato segundo a sua insensatez para que não te tornes igual a ele”.
A julgar pelas responsabilidades que ambas instituições têm a nível da país, queremos acreditar que o bom senso vai imperar e que as relações entre ambas continuarão a ser das melhores para o bem do nosso futebol.
De resto, a bola está nas mãos dos presidentes Carlos Hendrick e Artur Almeida e Silva, que terão a missão de orientar a sua tropa a deporem as armas o mais rápido possível e juntos corrigirem o que esteve mal por altura das picardias entre ambos. Bem haja.
AUGUSTO FERNANDES

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