Jornal dos Desportos

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Opinio

As sadas e entradas na CAF e no Gira

21 de Março, 2017
A um ano para completar três décadas à frente da Confederação Africana de Futebol, o camaronês Issa Hayatou deixa a presidência do órgão reitor do futebol no continente\" poetisado\" por António Agostinho Neto, como “um corpo inerte onde cada um vem debicar o seu pedaço”.

Com esta derrota, o camaronês Issa Hayatou, que assumiu a presidência da CAF em 1988, retira-se efectivamente enquanto presidente da Confederação Africana de Futebol, bem como enquanto vice-presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e membro do seu Conselho Executivo.

Porém, na base da máxima segundo a qual “ os homens passam mas as instituições permanecem”, chegou o dia do fim do reinado de Issa Hayatou, a quem são atribuídas farpas pela forma como geriu o futebol africano, com laivos mesmo de basear o mandato numa “máfia” que favoreceu uns em claro prejuízo para outros, aliás, esta é a dinâmica dos jogos de interesses.

Assume o cadeirão máximo da CAF o presidente da Federação de Futebol do Madagáscar, Ahmad Ahmed, que durante a campanha preconizou a mudança no futebol africano, o que terá agradado o universo votante, sobretudo os agastados com a gestão do compatriota de Roger Milla, Samuel Eto’o, Theófille Abega e companhia.

Para alguns \"opinion makers\" trata-se de uma vitória que surpreendeu o mundo de futebol africano já que, praticamente, ninguém contava com a vitória de Ahmad Ahmed sobre Issa Hayatou, num cenário improvável no passado, para além da pouca expressão futebolística do país de que é natural o agora \"number one\" do futebol africano.

O programa eleitoral do malgaxe contempla, dentre outras tarefas, a intenção de alavancar o futebol africano, incluindo ganhar mais sorteios para a África num mundial alargado da Federação Internacional de Futebol Associado, que “disponibiliza” apenas cinco vagas para o continente africano participar da mais alta cimeira do futebol mundial.

Nesta questão, pensamos que o Ahmad Ahmed terá o apoio da maior parte das federações filiadas na Confederação Africana. Aliás pelo número de jogadores africanos que evoluem pelo mundo a fora, muitos deles compondo o esteio das suas equipas, já se justifica o alargamento do número de selecções africanas na maior montra do futebol no mundo, pelo que saudamos a entrada e perspectiva de Ahmad Ahmed.

Saudamos, igualmente, a entrada no presidente de Direcção do Recreativo do Libolo, Rui Campos, para o Conselho Executivo da CAF, num pleito em que três candidatos disputaram dois lugares atribuídos à região, batendo na concorrência o namibiano Frans Mbidi, sendo que o sul-africano Danny Jordaan foi o mais votado, com 35 pontos.

Mais por cá, em referência ao Girabola Zap, o treinador António Alegre, sentiu a intensidade do chicote e foi acantonado no exército de treinadores desempregados para onde também foram, na mesma semana, João Pintar e Figueiredo, despedidos do Bravos do Maquí e Progresso da Lunda Sul, respectivamente.

Albano César que na época passada treinou a equipa do Sambizanga, ao que se sabe, está à caminho da Lunda Sul, quase que numa espécie de troca ela por ela, atendendo que Kito Ribeiro, actualmente ligado aos pupilos de Paixão Júnior, é proveniente da equipa de Santos Bikuku.

Para a equipa da histórica província do Moxico, a direcção do 11 Bravos do Maquí anunciou estar em conversações avançadas com Zeca Amaral, para ocupar o lugar deixado por João Pintar, o que, ao acontecer, significará o regresso do técnico que já esteve ligado aos “Maquisardes”.

Outra entrada eleita para esta compilação verbal é a de Manucho Gonçalves, actualmente na segunda divisão espanhola, convocado por Beto Bianchi para re-integrar os Palancas Negras, pondo-se fim à uma ausência de dois anos, e parece ser patriótico ignorar as razões (não) ditas e conhecidas que motivaram o jejum do jogador formado nas escolas dos Flaminguinhos à mão do Ti Nandinho, e pelo mesmo patriotismo, nos obrigamos a saudar este regresso e ponto.
Carlos Calongo

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