Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

As verdades e interesses de Artur (Fim)

05 de Dezembro, 2019
Independentemente das reacções que possam vir, com este texto encerro abordagem aberta na semana passada, com o título “As verdades e interesses de Artur”, pelo que, espero, não surjam mais lamúrias, de minha parte, que obrigam a reabrir o dossier, que abarca, e apenas isso, a minha forma de analisar muitas das más coisas protagonizadas por alguns dos principais gestores da FAF.
Devo deixar claro, que as minhas observações incidem na atribuição de um cartão vermelho a equipa directiva da Federação, claro, com as devidas excepções, que em pouco ou nada ajudam a apaziguar a dor que sinto, quando vejo o cortejo de males por que passa o nosso futebol, que verdade seja dita, já esteve melhor servido.
Antes de continuar os argumentos da minha razão, ocorre-me dizer aos paladinos da Federação Angolana de Futebol, que tomei boa nota do recado e quero pedir-vos para estarem descansados, pois não tenho o mínimo interesse em ser o responsável pela área de comunicação da FAF, como apregoais.
Apesar de, vanglória à parte, achar-me com qualificações para fazer melhor que muitos que ainda têm um pensamento reduzido em relação aos meandros da Assessoria de Comunicação e Imprensa, que é mais do que impedir que jornalistas realizem o seu trabalho sem impedimentos que cheiram à manutenção do “pão vosso de cada dia”.
Aliás, os que comigo privam alguma intimidade sabem que, para lá de ter valência académica para exercer a função referida, tenho as baterias apontadas para outras tarefas por esta imensa Angola, que não vive só do futebol, e sobre isso, penso estarmos conversados.
Entretanto, me preocupa a frequência de ocorrências negativas no futebol doméstico, para as quais parece, de forma colectiva e induzida, toda a família do futebol angolano não tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e boca para falar.
Será que todos desaprenderam a fazer as coisas e, mais do que isso, são obrigados a abençoar as verdades e interesses de um número mínimo de pessoas, que “cafricaram” o futebol, que até prova em contrário, entre nós ainda é o desporto rei? Onde estão aqueles que ostentam uma folha de serviço coberta de flavos em prol da verdadeira causa do nosso futebol?
Eles existem e andam por aí. E, fica claro que, se tivéssemos decidido enunciar os nomes e feitos desportivos de todos eles, este cantinho de papel não seria suficiente para apresentarmos a folha de serviço desportivo de pessoas como o Embaixador Rui Mingas, tão-somente um dos artífices da configuração do sector desportivo de Angola no pós independência.
Isso para não trazermos à liça os nomes e feitos de Amílcar Silva, Armando Machado, Justino Fernandes, Pedro Neto, Oliveira Gonçalves, Joaquim Dinis, Jordão, Napoleão Brandão, Praia, Santinho, Kiferro, Ndunguidi, Jesus, Abel, Paulão, Zico, Akwá, Cacharamba, Mantorras, Carlos Queirós, etc, etc.
E por falar nestes activos eternos do futebol nacional, fiquei pasmo e sem compreender como é que, por altura da visita à Angola do Presidente da FIFA, o italiano Infantino, a delegação anfitriã não integrou na sua composição, um craque de renome, para equilibrar as presenças de Samuel Eto\'o e….que fizeram parte da delegação visitante?
Sendo certo que Akwá, para muitos o ícone maior do futebol angolano nos últimos anos, não entra nas contas por conta do impedimento de ordem administrativa e disciplinar que pesa sobre ele, também é certo que uma aposta em Gilberto, Flávio ou até mesmo Lamá, não seria má escolha, pelo contrário.
Mas, enfim, só mesmo Artur Almeida e pares conhecem as razões das suas verdades e interesses, ao ponto de se darem ao prazer de “humilhar” os profissionais da comunicação social, que se deslocaram ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, a fim de reportar a chegada do homem forte do futebol no mundo.
Nisto sim, reconheço a verdadeira habilidade de Artur Almeida e alguns dos seus pares, bons de dribles verbais, e que estão quase sempre dispostos e disponíveis a viverem de forma engalanada, como se fossem os que mais e melhor sabem e fazem em prol do futebol angolano.
Só assim se compreende a “confissão” de que só agora a Federação Angolana de Futebol é um órgão legal, sem que fosse instado a ser profundo e esclarecedor na descoberta, e que se não fossem as “trucas” de Machadinho e Alvarito, por esta altura, estava a ser feita uma romaria para a inscrição de tal feito no Guiness book.
Se calhar terá faltado, -e neste particular, melhor que nós, os homens das leis é quem devem opinar-, algum pronunciamento jurídico para ajudar a clarificar a “verdade de Artur”, longe de qualquer interesse que não estivesse a ser perseguido à titulo individual, como em muitos casos é a tendência de uns quantos iluminados da FAF. Carlos Calongo

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