Jornal dos Desportos

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Opinio

As verdades e interesses de Artur (I)

28 de Novembro, 2019
As minhas memórias continuam bem avivadas em relação às promessas feitas pelo actual presidente da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), por altura das eleições que o levaram ao cadeirão máximo da instituição que, pela sua missão, tem elevada relevância no contexto social angolano.
Recordo-me ter defendido, na altura, que dos candidatos à presidência da FAF, o programa que se comprometia de forma séria com os anseios da família do futebol era o da lista encabeçada por Osvaldo Saturnino de Oliveira, também conhecido por Jesus, cuja ficha desportiva o atribui “estatuto” de verdadeiro homem do futebol.
Se calhar, o projecto de Jesus terá sucumbido no posicionamento de alguma franja da sociedade, que terá entendido a proposta como uma espécie de continuidade da anterior direcção, aliada a falta de alguma fluidez na capacidade argumentativa de transmissão, com a recomendada eloquência persuasiva, factor determinante em questões eleitorais.
Passado o tempo e vendo as coisas como estão, confesso, bom seria que o cadeirão da FAF tivesse outro ocupante que não o actual, apesar de ter consciência que esta não passa da minha opinião, com o valor que (não) tem, o que me permite aceitar a existência de um substrato que pensa diferente, e ainda bem que assim é.
A posição defendida no parágrafo precedente fundamenta-se em vários factos positivos que ocorreram na gestão do antigo homem forte da Força Aérea Nacional e do clube 1º de Agosto, Pedro Neto, sem que com isso queira dizer que esteve isenta de erros, o que é impossível, pela condição humana que habilita qualquer um de nós, a falibilidade.
Mas, quis o destino (terá sido mesmo ele?), que o inquilino do edifício da Urbanização Nova Vida fosse o candidato do projecto que apresentou um floreado de acções, que terá convencido os eleitores ao voto na referida candidatura, que em fim de ciclo, está à milhas de ver cumprido um terço das promessas feitas por altura da campanha.
Eis, pois, chegado o momento para os eleitores, no caso as Associações Provinciais de Futebol (APF), resgatar o “poder” que têm e determinar um novo rumo para o futebol angolano, que não beneficiou em nada das mirabolantes promessas da direcção actual, que se “deleitou” apenas em interesses de vária ordem, muitos deles divorciados das reais verdades e necessidades do futebol angolano.
A mais recente verdade dos interesses de Artur, talvez já numa perspectiva eleitoralista, tem que ver com a “descoberta” de que somente agora, no seu mandato, é que a FAF passou a ser um instituto legal, pois no demais todo o seu histórico desenrolou-se num estágio de ilegalidades, com todas as repercussões que tal verdade (?) pode acarretar.
Não tendo fundamentado a razão da sua verdade, apresentando-se como o salvador da “nação futebolística”, Artur Almeida não perdeu por esperar pela resposta do respeitável Armando Machado - em termos de feitos como líder da FAF, dá goleadas a Artur Silva -, que de pronto desmentiu a “verdade do Artur”, deixando uma tarefa para os jornalistas desportivos, consubstanciada em encontrar os interesses subjacentes a tais pronunciamentos.
É natural que, por esta altura que se aproxima o período de renovação de mandatos, Artur Almeida tente de tudo para conseguir a reeleição e por conseguinte, mais um mandato de quatro anos, a frente de uma das mais importantes instituições desportivas do País, e vai daí a apregoar, com alguma argúcia, verdades e interesses que apanham muitos em estado de desatenção incubada, ao ponto de não questionarem a razão dos verdadeiros interesses.
Se calhar, optar por questionar em nada valerá a quem assim proceder porquanto, ao longo do tempo fomos percebendo que o homem forte (?) da Federação Angolana de Futebol apenas diz o que e quando lhe convém, não se importando com o silêncio sepulcral em que se remete em relação a vários assuntos de interesse geral, pelos quais todos somos mandados bugiar.
Ou seja, parece que ao presidente da FAF apenas interessam as aparições em que o show esteja garantido, infelizmente com a conivência de certos profissionais do jornalismo angolano, que fingem desconhecer ou aceitar que muitas das verdades e interesses de Artur Almeida não encontram acolhimento em vários círculos, que discutem o fenómeno futebolístico longe de caprichos e interesses pessoas, por considerarem o futebol, coisa muito séria.
CARLOS CALONGO

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