Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

ASA em vias de desaparecer

25 de Janeiro, 2018
O ASA entrou numa crise profunda. Crise jamais vista ao longo do seu historial. Depois da situação inédita que ocorreu com a despromoção na elite do futebol nacional, agora, surge a notícia de abandono do cargo do seu presidente de direcção, Elias José, a alegar problemas de saúde.
Reeleito em Outubro de 2016, para mais um mandato de quatro anos, Elias José deixa o clube aviador com uma dívida estimada em cerca de um milhão de dólares, incluindo oito meses de salários em atraso dos seus trabalhadores, de entre técnicos, atletas e pessoal administrativo, de acordo com o próprio quando prestava declarações à Rádio-5.
A decisão de abandonar a presidência, segundo o próprio, foi comunicada ao presidente da mesa da assembleia geral. Dentre os inúmeros problemas que o clube enfrenta, Elias José reclama a falta de pagamento de algumas instituições, cujos serviços são desenvolvidos no espaço adjacente ao complexo do clube, a Sonair por exemplo, que em sua opinião não honra os seus compromissos, há sensivelmente dois anos.
A situação crítica que o clube do aeroporto vivi ao longo dos últimos anos, não é novidade, principalmente, para os sócios e adeptos. Devido à má prestação, ao longo da época passada, a equipa foi despromovida, situação inédita para o clube, depois de 38 anos consecutivos a disputar a principal prova do calendário da FAF.
Assim, mais um emblema histórico, como acontece a tantos outros, é despromovido ou acaba por desaparecer do futebol sénior, devido a gestões ruinosas de pessoas que não pertencem ao mundo do futebol.
A lista de clubes que desapareceram da cena do futebol de primeira classe, é longa e ia ocupar algum espaço, se contabilizássemos todos. Ainda assim, sempre arrisco os que me vêm à memória, neste momento, sem qualquer ordem: Sporting de Luanda, Benfica do Huambo, Petro do Huambo, Atlético do Namibe, Benfica de Luanda, Ferrovia do Lubango, Nacional de Benguela, Sporting de Benguela e tantos outros.
O “pequeno -grande” e simpático clube luandense e do aeroporto, se posso chamar, é um dos históricos clubes de Angola e um dos quatro maiores da capital do país, que em épocas recuadas foi uma das grandes potências do futebol nacional. Depois do Petro de Luanda, 1º de Agosto, a par do Interclube é a equipa luandense que mais campeonatos nacionais ganhou: dois, sob comando do técnico português Bernardino Pedroto.
Tem em registo 38 participações na divisão maior do futebol nacional, em que conquistou dois títulos, e foi despromovido na época passada. A equipa está afastada da 1ª Divisão e em função disso e dos salários em atraso, grande parte dos seus jogadores bateram ostensivamente com a porta. E, agora, o abandono do presidente, a situação fica ainda mais crítica.
Não passa despercebido, os internacionais que o clube aviador teve nas suas fileiras, forneceu à selecção nacional de Angola, jogadores como Joaquim Diniz, Justino Fernandes, Comandante Prata, Chinguito, Love Cabungula, de entre outros.
É uma realidade triste, diga-se em abono da verdade, a que o ASA está a viver. O clube do aeroporto merece estar entre os maiores do nosso futebol e do desporto no seu todo.
Que haja dirigentes capazes e de bom senso, à altura do nome do clube, que tenham a capacidade de reconduzir o clube de volta aos tempos de glória. São os meus votos.
Não termino o meu texto sem falar do CHAN. Aliás, o facto dos Palancas Negras terem jogado ontem à noite, optei por não me debruçar muito sobre a competição. Não sei qual foi o resultado da selecção de Angola que ontem defrontou a do Congo para a derradeira jornada da primeira fase do grupo D. Contudo, estou convicto que o “Onze” Nacional fez a sua parte e está nos quartos de final.
Fase em que não estão muitas das selecção, que à partida eram favoritas em carimbar os seus passes para os “Quartos”.
Não deu a lógica. Alguns dos favoritos ao título foram eliminados, ainda na primeira fase, como os Camarões e a Costa do Marfim. A grande surpresa nos “quartos” é a selecção da Namíbia, que agora vai medir forças com a selecção anfitriã, a de Marrocos, por um passe nas meias-finais. Zâmbia e Sudão vão igualmente defrontar-se nos quartos de final.

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