Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ascender num estalar de dedos

07 de Outubro, 2017
Sinceramente, não concordo muito, com os métodos de apuramento de clubes à primeira divisão do futebol nacional. Disputar meia dúzia de jogos, e estar logo apurado para a fina flor do desporto-rei, faz-me muita confusão.
Pelo que conheço de outras realidades, não é tão linear e com facilidades à mistura, que se chega ao escalão superior do futebol, como cá entre nós, que o processo tornou-se tão leviano que hoje num estalar de dedos, consegue-se logo, estar lá.
Sem desprimor para os que alcançaram esta meta e direito, de no próximo Girabola serem inquilinos de “jure” da competição, nomeadamente, o Domant de Bula a Tumba, o Grupo Desportivo “Casa Militar” do Cuando Cubango, e o Sporting de Cabinda, que disputaram o zonal de apuramento, em minha opinião, há muito devia ser reformulado tudo, pois, torna-se um verdadeiro imbróglio.Senão vejamos: hoje por hoje, o zonal de apuramento, vulgo “segundona” ficou reduzida a algumas províncias, que “heroicamente” mantêm a chama e sobrevivência dos clubes com futebol sénior.
Na maioria, em função da pobreza franciscana que assola a maior parte das agremiações que não têm fontes válidas de rendimento, já não se disputam campeonatos provinciais, no escalão sénior.
As agremiações preferem estimular quando podem o futebol nos escalões etários, por não terem capacidade de sustentação, já que a alta competição é exigente, e tem de ter maior capacidade de resposta.Como exemplo flagrante, está a Huíla que durante largos anos colocava duas a três equipas no zonal de apuramento, para disputar a subida.
O Interclube da Huíla, Benfica do Lubango e Clube Ferroviário da Huíla estão hoje reduzidos a uma pequenez impressionante.
A ausência da Huíla, nas três últimas provas de apuramento, até dá dó. Ao referirmo-nos a Huíla, pode-se focar outras províncias com grandes potencialidades, que por falta de subsistência “atiraram a toalha ao tapete, face à realidade objectiva.
Deste modo, as estruturas que regem o futebol nacional, insistem em deixar arrastar esta prova, cujo modelo se mostra desadequado aos paradigmas que hoje a modalidade mostra, e que concorrem para o seu desenvolvimento sustentável e harmonioso. Pelo menos, quatro ou cinco, do universo das 18 províncias do País apresentam o seu candidato a disputar o zonal, cujas séries definem as distribuição geográficas das equipas.
Ainda à respeito da forma de apuramento, é ingente, premente, e urgente rever-se isso. Pode ser nocivo ao nosso futebol. À sua continuidade. À sua saúde. À a sua vitalidade.
Há muito ficou identificado, que quase todos os primo -divisionários que se “aventuram” a disputar o Girabola, são à partida, os principais candidatos à descida de divisão. Ou seja, acabam por serem autênticos “nados - mortos” por não medirem as consequências de uma prova da dimensão do Girabola, sem no mínimo se prepararem de forma conveniente, quer no capítulo desportivo, como estrutural, organizativo e principalmente, financeiro.É realmente aqui, onde está o cerne da questão. Quais afinal, os modelos mais exequíveis para uma melhor conjugação organizativa? Será que assim, está bom?
Não creio, que esteja!...
Sinto, que falta alguma coisa. Falta a coerência de assumir de facto, que devemos mudar. Devemos salvar o futebol, que ao que se sabe, inflama paixões, e arrasta multidões.
Devemos concorrer para ver o futebol como uma vertente social forte, que integra, junta e congrega pessoas, na base da sociologia desportiva e social, com ganhos avultados no equilíbrio psico - emocional de muito boa gente, que tem nele a fonte de descarga das incongruências conjunturais de ordem variada.Para ser franco, muito há a dizer em relação ao tema proposto. Só a questão de patrocínios, que hoje muito se propala, dava para um texto à parte. Tal como se sabe, ninguém investe o “dinheirinho”, sem retorno. Se no caso, o retorno fosse a publicidade a custa do marketing, a verdade é que o produto apresenta-se sem a qualidade exigida, se nos atermos que equipas há do nosso “association”, que perdem jogos por falta de comparência, em sua própria casa…..
Por outro lado, muito se fala de dinheiros, que os clubes intervenientes na prova não conseguem ver a cor, vindos da cadeia televisiva que comprou os direitos de transmissão. Este problema, pode ser o busílis da situação se tivermos em conta, que até podia dar um jeitinho, aos chamados “clubes pobres”….
Por fim, arrisco-me propor um campeonato para a segunda divisão, mais longo, com mais jogos, e com melhor organização, talvez assim seja melhor, para proporcionar mais traquejo aos proponentes, e que não seja assim, tão fácil subir ao Girabola…

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