Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Assim c vamos ns...

22 de Julho, 2016
Em meio dos assuntos mais mediáticos da praça desportiva na semana em curso, não havendo lugar, tampouco espaço, para analisá-los ao detalhe, um por um, começo a minha prosa pela anunciada desistência, do Girabola Zap, do 4 de Abril do Cuando Cubango, cujo processo de oficialização terá dado entrada ontem na Federação Angolana de Futebol. Claro está, que não chegarei ao ponto final sem uma leve pincelada sobre a ingente missão dos Sub-20 amanhã, quanto mais não seja uma forma de encorajá-los para o que der e vier.

Ora, há uns bons dias que vem fazendo eco a possível desistência da formação do Cuando Cubango da prova, por alegada falta de condições financeiras, que permitam dar suporte às exigências do torneio. Os efeitos da crise estão a limitar as acções de muitos clubes desportivos, e competições onerosas como é o campeonato nacional da primeira divisão passam a ser um desafio apenas de uns e não de todos.

O anuncio do 4 de Abril segue-se ao do Porcelana do Cuanza Norte, que na ponta final da primeira volta também veio a terreiro dizer o que tinha a dizer ou anunciar o que tinha a anunciar. Mas este, por razões alheias ao jornalista, acabou por ficar. Diz-se à boca pequena que durante o intervalo do campeonato instituições de boa fé terão aligeirado os seus cofres. Resta saber se a safra dará para tanto ou haverá outra choradeira.

Porém, contrariamente à equipa do Cuanza Norte, ao que parece o 4 de Abril não está para jogadas de diversão. Dito pelo seu presidente de direcção, caso a formalização da desistência não tenha dado entrada ontem entra infalivelmente hoje sexta-feira. Não tendo a FAF como inviabilizar o desejo de quem assume apenas a sua incapacidade, é um dado quase certo que o Girabola há-de jogar a segunda volta mutilado.

À partida, a situação não surpreende a ninguém que ande de mãos dadas com o nosso futebol e que acompanhe o campeonato de edição para edição, por ser recorrente. De resto, em todas as edições assistimos o mesmo filme, qual longa metragem, ainda que em certos casos, não se efective a desistência, ficando-se por meras ameaças, quiçá de sensibilização de eventuais doadores.

O mais intrigante, em meio de tudo, é que não é de hoje que se sabe, que a disputa do Girabola é um exercício financeiramente exigente. Requer dos participantes enorme capacidade. Logo, a sua disputa mais não será, senão uma espécie de travessia a nado a um oceano tempestuoso, empreitada que não está à altura de muitos. Fazer-se à água, por mera emoção, não passa de uma autêntica aventura de garotice .

Na verdade, a página tantas escapa a sensação de ser com mero espírito de aventura que muitas equipas se embrenham na luta para ascensão a este escalão, na maior dos casos alheios às suas exigências. Espanta que enquanto equipas anunciam retirada da prova outras estejam fortemente empenhadas na disputa do torneio de apuramento, visando a próxima edição, para depois tocar a mesma música. A final quantas andamos?! Há que se disciplinar esta fanfarra.

Quanto à selecção de Sub-20 o que deixo aqui expresso é o seguinte: nos desafios que se colocam ao homem nunca se deve permitir que o optimismo dê lugar ao desânimo. É preciso acreditar até ao limite. Aliás, não é sem razão que se diz "a esperança é a última a morrer". Por nada devemos nos dar por perdidos quando ainda se vislumbra alguma janela aberta para escapar do colapso, da tragédia, do fracasso, da falência.

Assumir a derrota à partida, porque se tem alguma desvantagem do jogo ou da eliminatória anterior é obra de fracos. Regra comum, os fortes partem à luta, com espadas embaciadas ou não, em busca da glória e se o diabo estiver abraçado a eles, deixam a quadra vergados ao ónus da derrota, mas de cabeça erguida, porque tudo fizeram, sem sucesso, para dar outra história ao desafio. Por tudo isso, haja crença, nada está perdido.
Matias Adriano

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