Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Assim no est nada bom

18 de Julho, 2019
Depois da decepção que foi a participação dos Palancas Negras no Campeonato Africano das Nações, que ainda decorre no Egipto, com encerramento previsto para amanhã, 19 de Julho, pensei que a paz voltaria, quanto antes, a reinar no “quintal” do futebol doméstico, de si já prenhe de problemas.
Não quis, sequer, imaginar, que o meu pensamento ou se preferirem, desejo, fosse tão rapidamente frustrado, o que infelizmente aconteceu, por via das “novelas” da dívida de Akwá, a falta de comparência na concentração dos jogadores seleccionados para a operação CHAN e, por conseguinte, a substituição das Honras pelos Sub 23.
Também entram nas contas a questão do Seleccionador Nacional, que, ao que se fala à boca pequena, teve uma reunião de trabalho com alguns membros da direcção da Federação Angolana de Futebol, que terá decidido por algo que poderá passar pela rescisão do contrato. Será?
Com toda a naturalidade, nesta altura que os clubes preparam a próxima época futebolística, oportuno seria falar sobre esse processo, que até tem muitos motivos de interesse e valor informativo, como as partidas de Show para o Lille de França, Tiago Azulão e Vá, que preferiram outras paragens.
Entretanto, e porque para mim o que envolve a selecção, qualquer que seja, pelo seu sentido de equipa nacional, deve ter primazia em termos de hierarquia informativa, outra hipótese não tive que não esta de, mais uma vez, falar dos Palancas Negras, da FAF e, com algum desconforto, da dívida de Akwá.
Atribuo, mais uma vez, nota negativa ao órgão reitor do futebol angolano, o que vem sendo algo recorrente nas abordagens que faço neste jornal especializado em desporto, procurando ser o mais coerente possível, e analisar apenas os factos como são, à luz do que recomenda o exercício, que vai para lá da simples elaboração de um texto jornalístico.
E dos factos atrás evocados, a primeira conclusão que me permito é que a coisa não está nada boa, e que deve ser feita uma reflexão profunda, pois urge inverter a marcha que o futebol angolano está a seguir, e mais grave que isso, parece existir, nos agentes desportivos, um silêncio sepulcral e de concordância com os males que ocorrem no “quintal do nosso futebol”.
À guisa de exemplo, e convém antes referir que não tenho qualquer tipo de relação com certos dirigentes da Federação Angolana de Futebol, dizia, é uma aberração o espaço concedido (?) à alguns deles para falar em nome da instituição em referência.
Mais grave que isso é que, muitas vezes, pronunciam-se em matéria de pelouros, que estatutariamente são de competências de outras figuras, denotando uma quase desordem no que tange o cumprimento dos preceitos da comunicação institucional que, como muitas vezes referi, é um dos pólos deficitários da FAF.
Não sei qual a razão para tão elevada mediatização de uns e o quase sufoco de outros, mas a verdade é que assim não está nada bom.
A propósito, alguém conhece ou vê por aí o responsável pela comunicação da Federação Angolana de Futebol, enquanto instituição que deve ter bem oleada a máquina informativa, não só pelo seu valor estratégico no posicionamento na gestão, mas como pela dinâmica do órgão que requer um exercício comunicacional permanente, dinâmico, eficaz e eficiente?
Enfim, e ainda não falei tudo do que não está nada bom na FAF e já o espaço se faz exíguo, para a continuidade da abordagem conforme preambulada, o que me deixa com algum desconforto por não poder espargir toda a mágoa que me inunda a alma e a deixa
abatida, pela forma como a actual direcção da FAF está a gerir o futebol do país que viu meu pai nascer, como o outro cantou.
Sobre a dívida do Akwá, e porque o espaço é mesmo diminuto para tal, aconselho, apenas, que não deixem as emoções tomarem de assalto a necessidade de racionalidade profunda na análise da questão, para não se atribuírem culpas à quem não as tem, ou fazer herói, quem também não é. Carlos Calongo

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