Jornal dos Desportos

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Opinio

At onde ir a nova tendncia?

29 de Agosto, 2017
A história de Angola, enquanto República Popular, é marcada, dentre outras, por uma fase em que a vida era caracterizada por um Estado-providência que os teóricos definem como sendo o tipo de organização política e económica que coloca o Estado como agente da promoção social e organizador da economia.

No supradito sistema, o Estado é o agente promotor de toda vida social, desde a política à económica, até do mais simples processo de compra e venda.

Num estilo de quem paga e compra tudo que seja necessário para o andamento da sociedade, a referida forma de organização de Estado, também teorizada por Socialismo, parece não ter pernas para andar na nova dinâmica universal marcada pela liberalização económica que em última instância afecta todos os sectores da vida.

A realidade angolana é um bom exemplo para o que atrás se diz, o que até deixa os seus cidadãos com saudades do \"estado daquele tempo\", em que, dentre muitas coisas, o desporto era totalmente suportado pelo Estado, que fazia (ou faz?) uma espécie de divisão dos males pelas aldeias.

Daí foram potenciadas clubes como o 1º de Agosto, Petro de Luanda e do Huambo, Atlético Sport Aviação, 1º de Maio de Benguela, Mambrôa do Huambo, os Ferroviários, o Sagrada Esperança, por via da extintas Forças Armadas Popular de Libertação de Angola e hoje às Forças Armadas Angolanas, Sonangol, transportadora aérea de bandeira, TAAG, União Nacional dos Trabalhadores Angolano, Ministério do Comércio,

Caminho-de-ferro e Portos e Endiama, só para citar estes exemplos. Olhando para o peso do petróleo/Sonangol e das Forças Armadas, na história de Angola, pode-se entender, com alguma facilidade, as razões da hegemonia que os clubes adstritos às duas citadas instituições tiveram durante os primórdios do Girabola, razão pela qual são, somente, as mais tituladas e emblemáticas do país.
Está claro que nos referimos ao Petro de luanda e 1º de Agosto, sem que esteja em causa o ordenamento que foi aleatório.

Só para recordar, Petro de Luanda e 1ºde Agosto, juntos, possuem vinte e cinco títulos, estando quinze na galeria do Catetão e dez na dos militares do Rio Seco.

Ao clube dos campeões juntam-se o Atlético Sport Aviação, 1º de Maio de Benguela, Interclube, Sagrada Esperança da Lunda Norte, Kaburscorp do Palanca e Recreativo do Libolo, sendo que as duas últimas citadas sagraram-se campeãs nos últimos cinco anos, com hegemonia a recair para a equipa da Vila de Calulo que conquistou três dos referidos cinco campeonatos.

Por assim dizer, os últimos títulos reflectiam, pelo menos até aí, uma nova tendência (?) em que o Recreativo do Libolo com três títulos (2011,2012 e 2014), e Kaburscorp do Palanca com um (2013) se apresentavam como os detentores da hegemonia do futebol angolano, pelo menos no último quadriénio.

Nesta análise, é relevante o facto de se perceber que as consideradas novas tendências, emergem de projectos privados, ou seja, a existência delas deve-se ao querer e dedicação do General Bento Kangamba e Rui Campos, descontando os demais que, na sombra, actuam a favor dos referidos clubes.

Chegados aqui, e pela realidade económica que o País vive actualmente e que não voltará, pelo menos tão cedo, a ser a mesmo do chamado tempo das vacas gordas, a questão que se coloca é se tais equipas terão estofo para continuarem na alta roda do desporto angolano, suportados de forma privada?

Nem me ocorre muita ciência para, por conta própria responder a questão com uma negativa, o que não encerra a possibilidade de erro na minha projecção. Mas, pelo andar das coisas, o mais provável é que teremos dificuldades em assistir, em tempos tão curtos, o surgimento de novos projectos desportivos à dimensão dos que fazem o exemplo deste texto, sobretudo pelo prestígio e conquistas alcançadas ao ponto de ombrearam com os ditos “papões” do Girabola.

Mas, seja pelo que for, a outra certeza é que o desporto jamais morrerá na nossa sociedade, independentemente da sua hegemonia estar na nova tendência ou voltar-se à forma originária e, em última instância, inventar-se uma nova forma de se fazer desporto em Angola, que me parece a mais concretizável.

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