Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Atitude de amor e dio

04 de Abril, 2019
Para início de conversa considero importante reafirmar que, em termos de simpatia por algum clube, a minha preferência recai para 1º de Agosto, paixão esta que tem os mesmos anos quanto os que levo nestas coisas de seguir o desporto doméstico.
A referida condição em nada condiciona as opiniões, que ao longo do tempo vou emitindo sobre matérias desportivas, pois sempre tive presente o facto de, apesar de ser apenas a minha observação sobre determinado assunto, devo manter uma postura de equilíbrio e equidistância, para não cair na tentação de deixar as emoções do coração pulsarem mais alto que as razões da mente.
Daí que não tenho e nunca tive qualquer receio em abordar aspectos negativos relacionados com o 1º de Agosto, cujos exemplos superabundam nas várias edições deste título, e para a certificação basta consultar os arquivos da casa por quem, verdade se impõe, serei eternamente grato, por representar o embrião da minha afirmação nas lides do jornalismo desportivo.
Postas as coisas em jeito de ponto prévio, sinto-me confortado para apresentar o meu sentido de repulsa, pela forma como a Federação Angolana de Futebol, por via do Conselho de Disciplina, em deliberação expressa no Comunicado Oficial nº 13/SG/19, com a data de 28 de Março, decidiu suspender o atleta Tony Cabaça, com quatro jogos de suspensão e retirar três pontos ao 1º de Agosto.
Como fundamento, no caso de Tony Cabaça, o referido Conselho considerou o “relatório do Comissário ao jogo e as imagens televisivas, onde constata nitidamente que o atleta cospe no rosto do seu adversário (acto considerado bárbaro e desprezível do ser humano)”, factos que merecem o nosso vivo e veemente repúdio, pelo que neste particular, a FAF esteve bem.
Porém, o mesmo não posso dizer em relação a moldura sancionatória (4 jogos), que, apesar de salvaguardada a subjectividade na análise, considero exagerada, atendendo factores como a conduta disciplinar do jogador, que pode ser considerado um réu primário, para lá da expressão de desculpas públicas que o mesmo fez por via de um órgão de comunicação social, no final do jogo contra o Académica do Lobito e que, poderia ser entendida como atenuante.
Quanto a isso, vozes há que dizem ter a FAF actuado com amor e ódio, jogando bem com o “timing”, sendo o primeiro adjectivo, amor, aplicado para deixar o jogador representar os Palancas Negras no jogo crucial frente ao Botswana, e depois de apurada para o CAN, anunciar-se a medida de ódio, no caso a suspensão de 4 jogos, poucas horas antes do clube militar defrontar o Progresso do Sambizanga. Será mera coincidência?
Sendo ou não, a verdade é que o castigo em referência estende-se até depois do jogo Petro – 1º de Agosto, que será disputado neste domingo, sem que os militares possam contar com uma das suas melhores unidades de momento, que tem sido, de facto, um empecilho para os atacantes do Girabola, daí a razão de ter sofrido golos em apenas dois jogos.
Se isto também não tem nada de coincidência, não sei se o mesmo se pode dizer em relação aos três pontos retirados aos militares do Rio Seco, em função do jogo que disputou com o Desportivo da Huíla, que, na perspectiva do Conselho de Disciplina, “não pode ter outra leitura, senão a que nos diz, não se ter tratado de um jogo com desenvolvimento e desfecho normal”.
Nos seus argumentos, a faz elenca como motivo, dentre outros que não passam de suspeição, “o facto de praticamente ninguém do Desportivo da Huíla ter festejado qualquer dos golos, ou seja, não é visível o esboçar de qualquer expressão ou gesto de alegria ou satisfação…ou algum gesto de repúdio ou desagrado pelos últimos dois golos marcados pelo 1º de Agosto”.
De minha parte, apenas uma questão: Os membros do Conselho de Disciplina da FAF nunca viram Cristiano Ronaldo a não festejar golos marcados frente ao Sporting de Portugal ou Manchester United, bem como Paul Pogba, frente a Juventus, apenas para citar este, dentre muitos casos?
Haverá, de forma subjacente, algum beneficiado deste procedimento de amor e ódio da FAF, sobretudo ao retirar três pontos quando as equipas no jogo em referência conquistaram apenas um?
Finalmente, neste imbróglio todo, melhor esteve a direcção do Clube militar, que ordenou a “tropa” a manter o foco e a serenidade, tendo a “ordem” resultado nas goleadas impostas aos dois últimos adversários, (Progresso e Libolo), em véspera do jogo frente ao Petro de Luanda, que poderá ser decisivo para o título. Carlos Calongo

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