Jornal dos Desportos

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Opinio

Augusto Toms facturou no CAN?

10 de Junho, 2019
A interrogação tem a razão de ser porque sobra ainda presunção da inocência até ao \"Dia D\", dia da decisão condenatória ou absolutória. Por isso mesmo, do rol de acusações por que está a responder, em julgamento, o ex-Ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, estou curioso por saber se, de facto e jure, este dignitário, agora nas teias da Justiça...deu ou não destino incerto ao dinheiro e viaturas que, há cerca dez anos, o nosso Estado disponibilizou para a fase final da Taça de África das Nações de 2010.
O Ministério Público, representando o Estado, nessa acção criminal contra Augusto Tomás, acusa-o, gravemente, de ter criado, em pouco tempo, a empresa Afro-taxi, para - vejam só !- de propósito servir os seus interesses; uma espécie de \"negócio consigo mesmo\" porque era já titular de cargos públicos e, seguidamente, oferecer as viaturas aos seus familiares.
Aos juízes, estes árbitros que o interrogam, o ex-ministro, na pele de réu, e à pala da defesa que legal e constitucionalmente lhe é devida, já disse de \"boca cheia\" - para os juízes e o povo ouvirem - que na realidade a tal Afro-taxi foi mesmo criada em 2009, no âmbito da Taça de África das Nações de 2010, mas, honestamente, reconheceu que ocorreu sem a realização de qualquer concurso público.
Significa que, neste ponto, Augusto Tomás deu a mão à palmatória, mas, como lhe cabia, justificou que só foi assim porque o tempo urgia.
Isto é, tinha de ser já face à escassez do tempo até ao campeonato... e que, como também alegou, a única concessionária que na altura tinha condições de pôr as viaturas em tempo útil no país era a empresa Imporáfrica. António Félix
Perguntado sobre os fundos investidos na constituição da referida empresa Afro-taxi, Augusto Tomás não disse se resultaram do Orçamento Geral do Estado, ou se dali, do que foi particularmente para o Comité Organizador.
Simples e directo \"contou a verdade\": provieram dos \"cofres\" do Conselho Nacional de Carregadores, também da empresa Unicargas e que depois do campeonato a Afro-taxi não resistiu e faliu.
Então quando o Ministério Público (MP) questionou de quem foi ou é a responsabilidade pela falência da Afro-taxi criada com fundos públicos, Augusto Tomás \"atirou a bola\", como se diz na linguagem desportiva...para os gestores do Conselho Nacional de Carregadores e da empresa Unicargas, visto terem sido estas que, supostamente, investiram na sua criação com um montante que não especificou.
Se o Ministério Público indaga tudo isto é porque já fez o seu “trabalho de casa”. Investigou , apurou e acusou.
Afinal, em todas as esferas ou sectores da nossa da sociedade há \"roubalheiras” económico-financeiras de grandes cifrões.
No caso vertente, Augusto Tomás, servido tecnicamente pelos seus advogados, vai ter de defender-se para provar que não descaminhou criminosamente o dinheiro e os meios da Afro-taxi com actos que praticou durante o CAN, enquanto Ministro dos Transportes.Da minha parte só estou lembrado a ouvi-lo anunciar, a 5 de Novembro de 2009, a partir de Washington (Estados Unidos da América), acompanhado da nossa então embaixadora de Angola nos EUA, Josefina Pitra Diakite, que chegariam ao país cerca de 300 táxis de um lote de 500, para apoiar o programa de transportes durante a realização do CAN 2010.
Até para fortificar a pretensão, já em Luanda, dia 24 do mesmo mês, deu a conhecer, durante o 33º aniversário do Ministério dos Transportes, que seriam mesmo introduzido - antes da realização do Campeonato Africanos das Nações - um novo serviço de táxi nas províncias sede dos quatro grupos da competição, nomeadamente, em Luanda, Benguela, Huíla e Cabinda.
Disse, à época, que caberia a cada uma das quarto cidades 75 viaturas. E que para uma segunda fase, Augusto da Silva Tomás previu introduzir mais 200 viaturas, perfazendo um total de 500 táxis. Portanto, o nosso compatriota Augusto Tomás, neste particular, tem o ónus de defender-se como pode para mostrar que não lesou a pátria, por via do crime de que foi acusado, pronunciado e julgado.
Já agora, a par desta querela, defendo que não se pode ficar por aqui. Pergunto - e certamente muitos também to:
Quando, onde e como já foram fechadas as contas daquele CAN de 2010?
Como está aquela questão da operação com vista à aquisição de quatro carros de exteriores, de custos considerados muito elevados, junto da empresa portuguesa, Media Lusa, que fez deslocar para Angola todos os seus meios técnicos e com 100 técnicos, inclusive da Rádio Televisão Portuguesa, que também foi solicitada, despachando para Angola 18 técnicos sob uma oceânica sobre-facturação?

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