Jornal dos Desportos

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Opinio

Basquetebol angolano busca o resgate da mstica

07 de Dezembro, 2019
O nosso basquetebol, modalidade que muitas glórias deu ao País, mergulhou numa crise sem precedentes, ao ponto de uma boa parte de elementos da direcção do órgão reitor da mesma, com o presidente à cabeça, se demitisse.
As causas foram várias. Desde a falta de recursos financeiros, ausência de patrocinadores, falta de clima de relacionamento interpessoal, sincronização com os parceiros associativos, enfim, um sem número de questões que foram apresentadas que, verdade seja dita, nenhuma colheu. Ou seja, nenhuma delas, desde as mais sérias às mais bizarras, convenceu o eleitorado da modalidade da «bola ao cesto», assim como os agentes, os amantes e os aficionados da mesma. Foi algo inédito, o facto de Hélder Cruz “Maneda” ter “abandonado o cavalo na travessia do rio”.
A verdade, crua e nua, é que o fez e, obviamente, isso provocou consequências gravosas quer no capítulo competitivo, como nos de organização e gestão corrente da própria modalidade, a ponto de, por exemplo, o País ter sido representado numa competição de carácter qualificativo, praticamente por um clube, o Interclube. Vendo a coisa a descambar e ressalta-se, com alto sentido patriótico, os dirigentes do clube da polícia abraçaram a causa e predispuseram a sua equipa, juntando mais algumas atletas de outras agremiações e lá foram à Maputo disputar uma das vagas para o torneio pré-olímpico e, obviamente, foi apenas e só para participar e mostrar a cara “feia”. Obviamente que esteve mal competitivamente e não conseguiu a qualificação desejada, tal foi a forma precipitada e abrupta que chegou ao local da prova.
Mas, a questão fundamental que provocou o imbróglio, pelos dados que foram veiculados oficialmente pela imprensa desportiva e oficiosamente nas redes sociais, que passam a ser um parceiro, as vezes privilegiado na captação de dados ainda que com seriedade duvidosa e questionável, a questão fundamental, dizia foi sem dúvidas o “finca pé”, que os árbitros da modalidade começaram por fazer em função do avolumar da dívida que o órgão reitor detinha. Cerca de uma dúzia de Milhões de Kwanzas pendurava inclusive competições e provocava que ninguém, por parte dos árbitros se dignasse a soprar o apito em qualquer jogo que fosse.
Maneda terá esgotado as fórmulas mágicas para demover os homens do apito da sua decisão, por um lado e não tendo encontrado soluções com os potenciais “fornecedores” e patrocinadores, por outro, só viu um caminho, “a deserção”.
O basquetebol angolano andou aos farrapos durante cerca de 50 dias sem que houvessem soluções plausíveis à vista. Muita tinta correu por debaixo da ponte até que, a família da modalidade que sempre demonstrou serenidade, paciência e resiliência, achou por bem fazerem-se contactos preliminares para que fosse realizada uma Assembleia-geral já que, impunha-se tirar o poder da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) da rua. Era premente, ingente e urgente que todos os agentes se reunissem à volta de uma mesa, debatessem o assunto de maneira frontal e então “lavassem a roupa suja” em foro próprio.
Era necessário voltar a colocar a carruagem nos devidos carris. Uma comissão de gestão teria que emergir para assegurar o curso normal do processo nos próximos cinco, seis meses e depois se providenciar o processo eleitoral para novos corpos gerentes.
Gustavo da Conceição, Tony Sofrimento e Bi-Figueiredo foram assim indicados para levarem avante o processo, em frente da aludida comissão de gestão. Claro que não houve unanimidade das associações que constituíram a população , mas pelo que se tornou conhecido, Gustavo, Sofrimento e Bi, com créditos dados a nível do dirigismo basquetebolístico do País, viram a maioria votar-lhes para assegurar o resgate da mística da modalidade que, num passado recente, deu imensas glórias ao País. Ainda assim, a Associação de Luanda tudo fez, no período cinzento, para que as coisas não esmorecessem, fez disputar o campeonato provincial que, mesmo a meio-gás provocou o desentorpecimento. Acções análogas devem ser extensivas ao País inteiro.
Muitos desafios há naturalmente pela frente quer no capítulo das competições internas (em todo País) e externas como no que se refere à organização de todo um processo que visa a reconquista dos títulos pela África dentro. As provas internacionais há muito calendarizadas, estão no dobrar da esquina. Auguro que a modalidade consiga sacudir a água do capote e com resiliência consiga reencontrar os caminhos da glória para bem de todos nós que sempre tivemos orgulho desta modalidade. Tenho dito. Morais Canãmua

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