Jornal dos Desportos

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Opinio

Basquetebol angolano est em declnio?

14 de Setembro, 2017
A história secular ensina, que as grandes potências mundiais a nível de nações, um dia acabam por cair. Dão lugar a outras que surgem sem recuperação possível. Foi assim, com nações como o Egipto, que foi a primeira potência mundial, a nível político e militar, a Síria, Roma e outras.Desportivamente , podemos dizer que às vezes o mesmo acontece. Por exemplo, o Benfica de Lisboa, com Eusébio, Simões, Humberto Fernandes, bem conduzido por Bela Guttmann, dominou o futebol europeu nos anos 60, disputou mais de metade das finais da Liga dos Campeões, e destronou o Real Madrid.

Entretanto, ao passo que o Real Madrid recuperou a hegemonia, o Benfica de Lisboa continua praticamente desaparecido das finais da Liga dos Campeões Europeus, eliminado na maior parte das vezes, na fase de grupos. Esta situação serve para ilustrar a actual situação da nossa selecção principal de basquetebol, que tem dominado a modalidade em África, praticamente de forma ininterrupta desde 1989. Foi interrompida em três ocasiões, se a memória não me atraiçoa.

O desaire de Antananarivo, em 2011, o da Tunísia em 2015, e o mau arranque no presente campeonato, com uma vitória suada diante do Uganda , derrota diante de Marrocos, mesmo tendo ganho o jogo contra a RCA de forma folgada, faz com que muitos amantes do nosso basquetebol questionem , se estamos diante do fim da nossa hegemonia a nível de África.

Os factos apresentados acima, como motivos de insatisfação e temor de alguns amantes do nosso basquetebol, até certo ponto são aceitáveis, mas não são indicativos de que estejamos diante do início do fim, do domínio do basquetebol a nível de África. Podemos admitir que o nosso basquetebol está a atravessar um mau momento, porque as antigas estrelas não estão a ser devidamente substituídas, como acontecia no passado, sem descurar o facto de que algumas nações estão a evoluir, significativamente.

Temos, como exemplo, a Nigéria que está a apostar muito forte no basquetebol, não só a nível dos seniores masculinos, como em feminino. O próprio Senegal que é o adversário de Angola, também está a evoluir, significativamente. Portanto, o facto das antigas estrelas , que perdem o brilho em função da idade, não estarem a ser substituídas em termos de qualidade técnica, na maior parte dos casos, aliado ao facto de algumas equipas principais do nosso campeonato recorrerem ao estrangeiro, para reforçare os seus plantéis, contribuem grandemente para o mau momento do nosso basquetebol.

Mesmo assim, até 2015, o cinco nacional foi finalista vencido. Nunca se deu o caso de ser eliminada na primeira fase. Isto, por si só, indica claramente que apesar de algumas situações menos boas que contribuem para o mau momento do nosso basquetebol. Ainda assim, não há motivos para fazer soar o alarme. Um grande exemplo, de que as grandes potências no Mundo do desporto podem recuperar-se dos maus momentos, é o que acontece com a selecção de futebol do Brasil, cinco vezes campeões do Mundo.

No Mundial de 2014, por sinal realizado nas terras do Samba, o Brasil perdeu o campeonato depois de ser copiosamente derrotado pela Alemanha, por 7-1, em pleno Estádio do Maracanã. Antes disso, o escrete canarinho, foi várias vezes vulgarizado por selecções teoricamente mais fracas, e que para muitos parecia ser o fim do domínio brasileiro. Agora, estamos a observar que o grande Brasil está de volta aos velhos tempos, na corrida ao Mundial da Rússia, para o qual já está praticamente apurado.

Tudo isto, é possível graças ao surgimento de novas estrelas, como Neymar e outros. Não nos podemos esquecer que o facto da maior parte das selecções do Mundo do futebol evoluirem bastante nos últimos anos, também influenciaram muito na forma de estar da selecção Brasileira, no mosaico futebolístico Mundial.

Por isso, não há necessidade de pensar que o nosso basquetebol esteja em fase de declínio, mesmo que a nossa selecção perca o jogo de logo mais, com o Senegal, não há motivo de muita preocupação. Para outro lado, os resultados que o cinco nacional obtiver neste Afrobasket, deve servir de motivo de muita reflexão para os dirigentes da Federação Angolana de Basquetebol, para corrigir o que está mal e melhorar o que está bem, como soe dizer se.
Augusto Fernandes

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