Jornal dos Desportos

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Opinio

Basquetebol espreita resgate da mstica

30 de Março, 2019
O recente apuramento de Angola para a disputa de mais um campeonato do mundo, na modalidade de basquetebol, que irá decorrer ainda este ano, na China, configura um misto de cogitações, se tivermos em conta que, a nível do continente, convenhamos, temos estado com algumas dificuldades de reconquistarmos a chamada hegemonia, a julgar pela evolução competitiva de outras Nações que, imitando os processos do nosso país, tendem a nos superarem.
Porém, tal como dizia, a qualificação para a Copa do Mundo, que aconteceu aqui mesmo em Luanda onde se disputou a última “janela”, foi de toda boa. Aliás essa foi uma estratégia válida dos dirigentes do basquetebol nacional e do País em geral, em “puxarem” a competição para o nosso reduto e, aqui, resolvermos a questão. Felizmente ficou resolvida, sendo por isso, uma imensa “lufada de ar fresco”.
A todos os títulos este é um feito transcendente e transversal que pode proporcionar que a modalidade catapulte para os níveis em que já esteve e que, diga-se, proporcionava imensas alegrias aos amantes e aficionados. Do outro modo, o contacto internacional, as competições a nível do continente acabam por conferir outra estaleca e traquejo. Para isso, convenhamos, a competição interna deve estar acesa.
Os níveis de organização devem ser de topo e, por conta disso, todas as coisas à volta do basquetebol devem ser sérias. É preciso a família do basquetebol estar encontrada e não desencontrada, nem tão pouco com hipocrisias pelo meio. A união faz a força e, tal como se diz em reforço: unidos somos mais fortes.
Por estas e outras razões, o basquetebol angolano precisa de reorganizar-se. Mobilizar-se. Unir-se, já que as “empreitadas” que vêm, não serão fáceis de superá-las. O Campeonato do Mundo China\'2019 é um exemplo claro de que devemos recuperar a hegemonia e a “petulância” que já tínhamos no continente em geral. Tudo isso, naturalmente passa por um trabalho estruturado e transversal de que, de certeza, as autoridades que gerem a modalidade estão atentas.
Por isso, as perspectiva animadoras que agora se desenham para o desenvolvimento da modalidade, no que ao seu crescimento competitivo diz respeito, devem fazer com que se reforce o espírito de coesão e organização, sob risco de, tal como se diz: “ficarmos por debaixo da onda (…)”O surgimento da Liga Profissional de Basquetebol Africana, para o próximo ano, é um indicativo de que a FIBA África e a FIBA Mundo em geral não querem brincadeiras com a competição e a revitalização do basquetebol.
Reconhecendo imenso potencial no continente berço, as estruturas organizativas ensaiam este modelo competitivo para dotar de maiores pergaminhos competitivos os africanos e puderem, por via disso, equilibrar mais a balança, comparando com as potências de outras latitudes do mundo. Reconhece-se que há um fosso grande entre, por exemplo o campeão africano e o europeu ou asiático.
Independentemente de outras questões intrínsecas do continente e mesmo com imensos atletas africanos evoluindo em Ligas Europeias, o nosso continente, quer nas provas mundiais, como por exemplo nas Olimpíadas, ainda apresentam níveis de discrepâncias exorbitantes. Os outros continentes não podem ver sempre os africanos como o chamado: “parente pobre!” Nem tão-pouco, como “saco de pancadas”. Temos que exalar as nossas competências. As nossas potencialidades. O nosso vigor.
Este novo modelo competitivo vem resgatar, digamos assim, “prepotência” do basquetebol africano e demonstrar ao mundo, que a África continua viva e presente. Por outro lado, bem aproveitado, pode ser uma oportunidade flagrante de Angola procurar a sua reafirmação e resgatar a hegemonia do basquetebol africano. Se quisermos, nas duas vertentes: masculino e feminino.
Para que isso aconteça de forma natural, façamos um sério exame de consciência e revisão de tudo quanto vimos executando, para detectar os constrangimentos. Acompanhemos milimetricamente a evolução dos outros e suas valências e fraquezas; requalifiquemos a organização competitiva interna; estimulemos os escalões de formação, como base de sustentabilidade da modalidade, e continuemos a formar técnicos e a erguer infra-estruturas adequadas para a prática da modalidade porque, matéria humana, essa temos até demais. Tenho dito!MORAIS CANÃMUA


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