Jornal dos Desportos

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Opinio

Basquetebol merece ateno especial

14 de Novembro, 2019
Quando em 1989, Angola conquistou o seu primeiro titulo Africano, em basquetebol seniores masculino, com jogadores como José Carlos Guimarães, Jean Jacques, Zezé Assis, Necas, Ângelo Vitoriano, Aníbal, Paulo Macedo e outros, sob comando técnico de Victorino Cunha, poucos ou ninguém sonhava que seria o início da supremacia do basquetebol angolano a nível do continente Africano.
Sim, num momento muito difícil da história do nosso país, com grande tensão política e militar, em nome do desporto angolano, o basquetebol espalhou o seu perfume a nível do continente, ganhou dez títulos quase de forma ininterrupta, num período de mais de 20 anos, destronou países como o Egipto, Senegal, Republica Centro Africana e outros considerados gigantes da modalidade em África.
Pela forma categórica, competente e convincente que Angola impôs o seu basquetebol em África (e porque não no Mundo?) em minha modesta opinião podemos considerar que depois do hino e da bandeira nacional, o basquetebol é por mérito próprio o terceiro cartão de visitas dos angolanos. Sim, todos os angolanos se revêem no basquetebol nacional.
Desde a geração dos jogadores acima mencionados, à geração de Miguel Lutonda, Carlos Almeida, Baduna, Vítor de Carvalho, Carlos Morais, Armando Costa e outros, o nosso basquete escreveu a sua história com letras de ouro e a África vergou-se ao tal feito. Por via desta façanha, Angola é o país Africano que mais vezes esteve entre os grandes, em Mundiais e Jogos Olímpicos.
Portanto, é para dizer simplesmente que o basquetebol angolano merece um tratamento a”cinco” estrelas, como soe-se dizer. É inaceitável ,que o nosso basquetebol esteja praticamente em debandada. É verdade, que estamos em crise financeira e outras situações menos boas. Mas em função da grandeza e o que o basquetebol representa para os angolanos, é somente normal que tivesse outro tratamento. Como podemos admitir ou aceitar, que o basquetebol continue a viver “numa trincheira”, para não dizer num buraco? Sim, a sede da Federação Angolana de Basquetebol fica debaixo das bancadas do Estádio da Cidadela, num lugar improvisado, onde em situações normais seria usado para estacionamento de viaturas!
Hoje, um dos desportos que mais alegrias deu aos angolanos, especialmente nos momentos mais difíceis da nossa história, está praticamente votada ao abandono, sem direcção, sem dinheiro para fazer funcionar o campeonato nacional e outros compromissos, em que a selecção principal deve participar por mérito próprio.
Pelo andar da carruagem, se nada for feito para inverter o actual quadro, todo o sacrifício consentido pelos nossos jogadores e o país no geral para atingirmos o estatuto que temos em África e no Mundo a nível do basquetebol, terá sido em vão. Temos de proteger este “castelo” construído com bastante suor, na maior parte das vezes, em momentos críticos da nossa história.
É também verdade, que nos últimos tempos, por via da mentalidade ou seja da ”lei da Auto gratificação” que se tinha apossado da maior parte de nós, propiciados por vários factores conjunturais, a gestão do nosso basquetebol e do desporto no geral não foi das melhores. Não nos interessa, aqui, apontar o dedo acusador a fulanos ou sicranos. O mais importante é aprender com os erros do passado e olhar para o futuro com bastante rigor.
Isso implica dizer, que o mais importante agora é criar condições para que “o castelo” continue de pé.
As pessoas de direito, nesta área, devem urgentemente encontrar mecanismos para salvar o nosso basquetebol. Isso é assim, em todo o Mundo. Por exemplo, o Brasil tudo faz para manter a supremacia no futebol.
Os Estados Unidos da América fazem o mesmo, a nível do Basquetebol Mundial e assim por diante. Quantos países em África, gostariam de ter e manter o estatuto ou a supremacia que temos no basquetebol Africano? Aliás, nos últimos anos, isso é desde 2011, no Afro -básquete realizado em Antananarivo, Angola só ganhou um campeonato Africano.
AUGUSTO FERNANDES

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