Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Batalha de Sochi

27 de Junho, 2018
Portugal logrou ficar em segundo lugar do Grupo B, do Campeonato do Mundo de futebol. Uma vitória e dois empates selaram a participação na primeira fase, balanço extremamente positivo, num agrupamento em que pontificava, igualmente, a vizinha Espanha, com um currículo mais rico e expansivo, e com quem fechou \"ex - aequo\".
Pode-se dizer, que a primeira batalha está ganha. Agora, que venha o resto. Pelo menos até aqui, Cristiano Ronaldo e companheiros fizeram jus ao estatuto de campeões da Europa, trataram de levar à razão quem eventualmente ousasse colocar reticências quanto à sua capacidade competitiva.
A exemplo do ocorrido no Euro em 2016, os portugueses revelaram forte optimismo e depositam grande confiança na sua equipa em que acreditam que possa também fazer o inédito, ou, na pior das hipóteses, superar as meias-finais de 1966, na Inglaterra, a mais alta fasquia em Campeonatos do Mundo.
Fernando Santos, o estratega, ou se preferirem a alma do Euro, também vê neste campeonato uma oportunidade soberana de escrever o seu nome com letras de ouro, na história do futebol português e mundial. E, talvez não seja um pensamento errado, para quem tem no plantel aquele que é só o melhor jogador do mundo.
Aliás, o seleccionador português é alguém que reage com muita discrição, e nessa sua forma de ser e estar, constrói pedra - a -pedra o seu castelo. Baseando-se em números, com a vitória na segunda-feira sobre o Irão, completou 15 jogos oficiais sem perder, à frente da selecção portuguesa. Não é pouca obra.
Agora, a caminho vem o Uruguai, adversário nos oitavos -de -final. Pode-se dizer que é a sua curva mais apertada. Talvez não seja, se olharmos ao poderio de selecções que em outras competições caíram aos seus pés, para o efeito basta recordar a final do Euro\'2016, em que o adversário jogava em casa, com todas as vantagens que a particularidade proporcionava.
No caso do jogo de sábado em Sochi, o problema pode estar no facto das duas selecções que vão estar em confronto directo, partilharem o mesmo pensamento, a mesma ambição. Portugal procura escrever o seu nome no palmarés dos campeões, o Uruguai joga para quebrar um jejum que dura 68 anos.
Campeão da primeira edição, em 1930, em casa, e em 1950 no Brasil, o Uruguai perdeu, na sequência do tempo, o orgulho de se ver ao espelho como campeão, anda à procura da reabilitação. Para esta edição apostou forte, depois de em 2010, na África do Sul, ter chegado às meias-finais.
Os resultados conseguidos até aqui, mostram as suas principais forças. A safra da primeira volta (5-0) confere-lhe o estatuto de única selecção que ainda não sofreu golos nesta copa, e a origem de cada um dos cinco remates certeiros destaca a eficácia predatória em bolas paradas. Três cantos, um livre indirecto e outro directo.
Portanto, muito se espera do jogo de Sochi. O calculismo de Fernando Santos pode sobrepor-se a matreirice de Óscar Tábarez, uma velha raposa no cargo desde 2006. Diga-se de passagem, que é um verdadeiro poço de conhecimentos. Enfim, será um teste de fogo, capaz de ajudar a perceber até que ponto Portugal pode elevar a fasquia.
Cristiano Ronaldo, o carregador do piano, vai ter de fazer face à uma defesa que é um tormento para os dianteiros. À frente de um guarda-redes muito experiente, como é Muslera, vão estar Diego Godín e José Maria Giménez, que absorveram do Atlético de Madrid o entendimento e a coesão para o eixo defensivo da selecção. Enfim, é carga que vem para Portugal...
Matias Adriano


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