Jornal dos Desportos

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Opinio

Benguela beira do silncio futebolstico

21 de Outubro, 2016
É com letras douradas que se escreve a história do futebol benguelense. Desta província costeira saíram, no tempo da outra senhora, referências que souberam se impor com classe nos grandes palcos do futebol nacional e internacional. Rui Jordão, Zé Águas, Yauca, irmãos Leitão (Manecas e Arlindo) são só alguns nomes que interessa realçar aqui neste escrito. Fora isso, Benguela incorpora também o leque de localidades em que na época que antecedeu à independência o futebol esbanjava grande vitalidade.

Não é sem razão que no primeiro campeonato nacional, disputado em moldes de séries, em 1979, se fazendo representar pelo Nacional(ex-Portugal de Benguela) e pela Académica do Lobito, quase levou Angola rendido aos seus pés. Com um futebol de apurado teor qualitativo, o Nacional foi das equipas mais expressivas, tendo disputado a final da prova contra o 1º de Agosto, perdendo por 2-1 em plena Cidadela Desportiva.

Apesar da força futebolística que se reconhecia nas equipas da época, apenas Benguela se rivalizava com Luanda no que à disputa de títulos dizia respeito. Havia no Huambo um senhor Mambrôa, também ele ousado e competitivo; na Huila o Desportivo da Chela; no Uige o FC local e o Construtores(MCH), mas eram Luanda e Benguela que ditavam as regras e que dividiam o mérito de representar o país nas competições africanas de clubes.

Mesmo quando o Nacional de Benguela foi resvalando para a vulgaridade, Benguela soube conservar o estatuto de segunda potência do futebol nacional, com a ascensão, em 1981, do Estrela 1º de Maio à primeira divisão. Tanto assim é que o título do Girabola, que escapou na primeira edição, e que em quatro sucessivas edições ficou em Luanda (1979780/81 1º de Agosto e 1982 Petro), teve em Benguela o primeiro destino fora da capital.

Em 1983 e 85 um destemido 1º de Maio que encontrava a sua expressão máxima na veia goleadora de Maluka, na capacidade defensiva de André e no génio criativo de Sarmento, tratou de mostrar a Angola futebolística que Benguela era também uma forte potência. Na época o futebol benguelense respirava saúde por todos os poros. Houve inclusive uma edição, a memória pouco ajuda a precisar, em que a província se fez representar por quatro equipas na primeira divisão. Ao 1º de Maio e ao lendário Académica se tinham juntado os Gaiatos e o Desportivo da célebre frase "Arregaça onde ninguém passa".

Por tudo isso, causa alguma inquietação o actual estatuto futebolístico da província. Quando amanhã 1º de Maio e Académica do Lobito jogarem entre si poderá estar ditada a sentença de uma das duas. As hipóteses de ambas conseguirem a salvação são bastante remotas. É mais provável que uma vá parar às vielas do escalão inferior o próximo ano, não estando descartada a possibilidade do infortúnio tocar às duas.

A ser assim, Benguela pode voltar a mergulhar no silêncio futebolístico, sendo o que acontece com províncias sem representatividade na maior competição doméstica. Porque até onde vai o meu conhecimento das três equipas apuradas para a próxima edição, nenhuma é detentora de identidade benguelense. A situação, quero acreditar, estará a constranger os agentes desportivos da província, os membros da tribo do futebol particularmente, que nada podem fazer para evitar o pior.

Dificuldades de ordem financeira, que não permitem às direcções de clubes uma gestão estável estarão certamente na base deste quadro sombrio.

Afinal desde o princípio da época que os dois representantes da província não ousaram mostrar uma prestação regular, algo que se foi reflectindo numa classificação quase atribulada. Há sério risco de uma delas jogar a toalha ao tapete, e é pena que numa só edição sejam despromovidas duas equipas em representação da mesma província.
MATIAS ADRIANO

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