Jornal dos Desportos

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Opinio

Beto Bianchi, quando?

17 de Fevereiro, 2017
Não faz muito tempo que escrevemos neste espaço a urgência da Federação Angolana de Futebol de contratar um seleccionador nacional. O relógio não pára, tão pouco anda ao ritmo da nossa burocracia, desnecessária na maior parte das vezes. As eliminatórias para o CAN'2019 começam já amanha.
Ou como quem diz, dentro de pouco tempo. Há duas edições que os Palancas Negras não são capazes de se qualificar. E a Federação Angolana de Futebol ainda está pensar no nome do seleccionador nacional.

Esta semana veio a publico o nome do treinador do Petro de Luanda, o brasileiro Beto Bianchi. Longe de fazermos qualquer exercício sobre o mérito ou demérito da ideia, trata-se apenas e só de uma hipótese. Logo é inútil destilar qualquer ideia sobre uma hipótese, por mais materializável que seja. A questão que se coloca e que fundamente mais uma vez este exercício é a urgência. A urgência dos Palancas Negras terem um seleccionador. Capaz de começar a desenhar uma equipa, cujos frutos vão depender da matéria prima ou recursos humanos, das condições à sua disposição e da assimilação por parte dos jogadores das ideias do seleccionador nacional.

E não se descarta também o facto do seleccionador ter de aprender a nossa filosofia de vida, experimentar as várias alternativas assim como fazer jogos de preparação.Tudo isso exige tempo, planificação e depois a execução. O tempo é apenas de três meses para tudo isso, uma vez que a FAF ainda está a roer as unhas, ainda está a escrever carta de pedido, vai esperar a resposta e depois consumar o namoro. Porém, quando o treinador aceitar, pode ser tarde, salvo se a Federação Angolana de Futebol quiser abdicar de jogar o próximo CAN, se for o caso, era melhor dar a conhecer a opinião pública e assim retirar qualquer pressão sobre o treinador e “matar” ao mesmo tempo desde já as expectativas dos adeptos.

Tudo isso era para ontem, amanhã poderá ser tarde. Não se pode falar de experiência ou coisa próxima. Artur Almeida já foi vice-presidente da FAF, o secretário-geral, Rui Costa, também conhece de cor e salteado os meandros da casa, assim como a dimensão da pressão que tradicionalmente recai sobre a direcção FAF quando o assunto é ou são os resultados dos Palancas Negras. É por isso escusado recordar isso. Uma negligência pode ser o caminho para destruturar todo um trabalho que se adivinhava bom. A não inscrição devida dos jogadores angolanos que nasceram no estrangeiro foi fatal para a derrota dos Palancas Negras em casa, e consequentemente toda a campanha. Foi o início da derrocada de Pedro Neto, que podia ainda continuar no comando da FAF.

Por outro lado, se a ideia lançada no ar sobre o futuro seleccionador nacional tem ponta por onde se lhe pegue, então como será o futuro do Petro de Luanda, que tem toda uma época já traçada, à maneira do tal treinador que se quer para os Palancas Negras. Poderão os tricolores deixá-lo sair ou vai acumular os dois cargos. A primeira solução é não só remota mas também fatal para os interesses do Petro de Luanda. É, quanto mim, pouco crível que o Petro de Luanda abras as mãos. Deixe sair o seu treinador depois do trabalho que fez na edição passada do Girabola, e das expectativas criadas em torno da presente edição.

Em síntese, a FAF não devia estar a fazer desse processo um alambamento. É um casamento que deve ser feito com a maior urgência e brevidade possível, de outro modo, o país voltará a sentir vergonha sua selecção, dos seus Palancas Negras.
Teixeira Cândido

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