Jornal dos Desportos

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Opinio

Bianchi no vai fazer praia

14 de Março, 2017
Cá para mim, não considerando como assunto ultrapassado, tenho a dizer oxalá este técnico hispano -brasileiro Beto Bianchi nos faça cantar vitória atrás de vitórias, para não o abominar como alguns dos seus anteriores sucessores, sobretudo, como aconteceu a Gustavo Ferrín que foi pago a \"preço de ouro\", porém, nas frentes competitivas nada fez, mas nada mesmo, para guindar os Palancas Negras nem ao anterior \"mundial\" do Brasil, em 2014, nem ao da Rússia, em 2018.

Eu estive atento e escutei o presidente da Federação Angolana de Futebol, Artur Almeida e Silva, a abrir o livro: Disse que como o órgão que dirige não tem dinheiro...\"devemos agradecer a direcção do Petro, pelo acto patriótico demonstrado\".

E teve mesmo a coragem de frisar, que \"o técnico continuará a ser assalariado pelo Petro de Luanda e vai apenas colaborar com a Federação. Mas também devemos agradecimentos ao professor Bianchi pelo sentido patriótico\".

Artur Almeida até disse mais: Beto Bianchi não veio fazer turismo, porque um dos grandes objectivos da ou para a sua contratação é garantir a qualificação imediata ao CAN de 2019. António Félix

Oxalá também resulte. E, digo isto, porque não foi a primeira vez que vi e ouvi um dirigente da federação a dizer que o seleccionador nacional, sendo estrangeiro, não veio fazer turismo.
Estou lembrado que o anterior presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, quando os Palancas Negras, em 2012, perderam em Harare, para os Guerreiros do Zimbabwe, por 3-0, disse que \"Gustavo Ferrin não veio fazer praia\".

A verdade é que com aquele treinador uruguaio a selecção de todos nós não foi longe nas competições em que esteve engajada. Foi muito triste.
Artur Almeida justificou, fundamentou e esclareceu o técnico continua a ser pago pelo Petro de Luanda e a sua instituição atribui apenas um bónus, pois, deve-se o facto à actual realidade financeira da do país toca igualmente a Federação. Tem a sua razão.

Aliás, mesmo Pedro Neto queixava-se deste particular. Eu sei que em condições normais a federação precisa, no mínimo, de nove milhões de dólares norte-americanos para cumprir com as exigências administrativas e competitivas, nacionais e internacionais, sem sobressaltos.

Sem isto - não é ser aqui pessimista - confesso que coloco reticências que os Palancas Negras possam fazer brilharetes. Se por exemplo com o técnico Gustavo Ferrin a ganhar 30 mil dólares por mês não fomos a sítio algum, como vai ser agora com Beto Bianchi, com salário do Petro e apenas com um bónus federativo?

Mas costuma-se dizer que quem vai à chuva molha-se, e Beto Bianchi deu a cara, mostrou o peito, assumiu por sua conta e risco a parada do CHAN.
Se ele próprio disse - e vou citar - \"quero colocar Angola no lugar que merece, e deixo por isso o meu compromisso com a nação e selecção, os dirigentes confiaram em mim, espero estar à altura da confiança depositada”... então, quem sou eu para aqui duvidar da promessa?

Devemos apoiá-lo. Sobretudo esta é uma obra, uma missão dos actuais dirigentes da Federação Angolana de Futebol, que devem fazer tudo em termos de suporte para os Palancas Negras moldados a Beto Bianchi logrem um brilharete na fase final CHAN.

Refiro-me a apoios que devem ser obrigatoriamente pontuais para o treinador triunfar. Na hora certa, o Petro e a FAF devem abrir os cordões à bolsa. Ele tem de ter salários e prémios em dia.

Porque remediar à frente da selecção, com o pouco que sacrificadamente se colocar à sua disposição nestas condições, os resultados sonhados só se forem mesmo miragem, se não mesmo autênticas frustrações.

A prova disso é o reflexo das insuficiências que resultaram nos descalabros na prestação da selecção nas fases finais dos CAN realizados no Gabão e Guiné Equatorial, em 2012, na África do Sul , em 2013.

Em quaisquer deles sem chegar aos quartos de final. E, mais ainda: decepção nas eliminatórias para à fase final do Campeonato do Mundo disputado em 2014 no Brasil, e no CAN deste ano de 2012, no Gabão.
O tempo, de resto, é o maior fiscal. As provas estão a caminho!

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