Jornal dos Desportos

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Opinio

Bocas de Faria e de Rui Campos

30 de Maio, 2017
Tomás Faria e Rui Campos, presidentes de direcção do Petro de Luanda e Recreativo do Libolo, respectivamente, facilitaram a elaboração do texto desta semana em que o não há Girabola, do qual extraímos grande parte dos assuntos por nós abordamos neste espaço.

Começo por Tomás Faria, que por ironia do destino, igual ao que aconteceu no ano passado, quando me prestei a falar sobre as suas \"bocas\" de Tomás Faria, voltou a dar-me motivos para escrevinhar estas linhas, por conta do pronunciamento que, quanto a mim, beliscou a arte da elegância que deve pautar o discurso de uma figura com responsabilidade pública.

No alto das razões que teve ou tem para assim se pronunciar, dentre muitas coisas que disse na conferência de imprensa de balanço da primeira volta do Girabola Zap 2017, Tomás Faria disse: \"não compramos comentários para falarem bem da nossa equipa\".

Enquanto comentarista desportivo, não me caiu bem ouvir do dirigente petrolífero a denúncia, ainda que de forma subjectiva, que há colegas pagos para falarem bem de determinada equipa, o que é um verdadeiro vexame, caso a \"boca\" de Tomás possa ser comprovada, sem colocar em causa a sua idoneidade.

No campo competitivo, Tomás Faria \"acredita que o plantel do Petro ostenta os jogadores que melhor aprenderam a ocupar os espaços livres, fazer bem os passes interiores\". Sabendo cada um, com que linha se cose, a referida \"boca\" do presidente tricolor pode ser aceite no quadro de alguma relatividade, porquanto os números não representam diferenças abismais comparativamente ao seu eterno \"rival\", sobre quem os homens do Catetão têm vantagem de apenas uma vitória, um golo e, para não variar, também um ponto.Considerando que o 1º de Agosto e o Kaburscorp têm menos derrotas que os petrolíferos, (2/1) respectivamente, sou forçado a concluir que, se é taxativo o facto de ser o Petro a equipa que melhor domina os conceitos de ocupação de espaços livres e feitura dos passes interiores, este não é elemento bastante de desequilíbrio, por via do qual se venha a definir o desfecho do campeonato, na mesma composição de posicionamento. Aliás, a coisa não é como começa, mas como termina. E talvez o conforto do que em cima se escreve está na incerteza que paira nas hostes do Petro de Luanda quanto à conquista do título que, segundo o presidente, apenas deve ser acontecer em 2018, mesmo ano indicado para a equipa o começar a competir ao nível dos outros no mercado, representando isso, talvez, a conquista do campeonato que já foge há alguns bons pares de anos.

Todavia, e como os números não mentem, eis aí o Petro de Luanda, gozando boa saúde apesar de estar a ser muito prejudicada pela arbitragem, segundo ainda Tomás Faria.

Quanto ao presidente do Recreativo do Libolo, Rui Campos, confesso ter boas referências suas, na base do “ouvir dizer”, impondo-se a observação, até porque acredito na idoneidade das pessoas que tecem elogios à maneira de ser e estar presidente de direcção do clube do Kwanza Sul, tida como elegante.

Tais referências positivas não anulam as observações menos boa das \"bocas\" por si mandadas recentemente. E quanto a mim estão eivadas de alguma agressividade verbal que em nada se coadunam com o ar de calculista que deixa transparecer. Sobretudo para as pessoas como eu que o conhece à distância.

De boca cheia, Rui Campo afirmou: \"Vejo que há, desde o início da temporada (2017), uma protecção divina aos mesmos de sempre, empurrando, para os lados, todos aqueles que lealmente se metem no seu caminho. Acho que estamos a regredir no tempo: parece que regredimos ao tempo da organização da FAF, de há seis anos”.Julgo ter, Rui Campos, razões mais que suficientes para \"disparar\" da forma que o fez.

Até porque as suas responsabilidades, a nível da Confederação Africana de Futebol, obriga-o a maior contenção verbal, sob pena de, entre outras formas de interpretação do seu pronunciamento, permitir que se chega à conclusão que se escuda no cargo que detém no órgão reitor do futebol no continente.Mais do que isso, melhor trabalho seria prestado por Rui Campo, caso fosse mais concreto apresentando factos e protagonistas, possibilitando o despoletar das acções possíveis e necessárias para se pôr cobro a situação e assim evitar-se subjectivismo que podem produzir culpas que morram solteira.
Carlos Calongo

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