Jornal dos Desportos

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Opinio

Bolseiros feitos pedintes

14 de Julho, 2018
Durante esta minha presença em Moscovo, despertou-me a atenção o facto de diariamente dezenas de jovens cidadãos nigerianos passearem-se pela cidade, num constante vai e vem, sobe e desce entre avenidas, comboios e autocarros, feitos viajantes de destino incerto.
Surgem como “cogumelos” plantados em vários locais da cidade. Parecem jovens sem Norte. Uns muito mal apresentados, outros nem por isso, despertam a atenção da maioriasempre que resolvem se aproximar de outros transeuntes. São antigos estudantes bolseiros hoje transformados em pedintes. É verdade. Incomodam quanto basta...
Consta que são inúmeros em Moscovo. Vieram para cá parar fruto de bolsas de estudo proporcionadas pelos pais, mas a meio da formação acabaram atraídos pela vida do comércio de drogas. Todos os meses muitos vão parar à prisão. Já morreram também muitos, conta-nos um estudante angolano também bolseiro residente em Moscovo. A polícia russa tem-nos debaixo de olhos. Sempre que se justifica uma acção policial, acontece um arrastão que surpreende a todos e, às vezes, até inocentes caiem na armadilha, desde que seja negro. Aqui reina a mania de que negro é tudo “farinha do mesmo saco”. Que tamanho disparate...!
Já fui abordado por estes tipos por duas vezes. Não falam muito. Dizem apenas terem fome. O pior é que ainda estipulam o valor. Não pedem menos de 100 rublos, que equivale a qualquer coisa como 730 kwanzas. Chegam a meter medo estes nigerianos.
Por estes dias, não se aconselha andar isolado. Torna-se imperioso ter companhia, porque não se sabe do que são capazes estes “bolseiros” feitos pedintes pelas ruas de Moscovo. A abordagem é feita de forma calma e quase silenciosa. Como quem anda perdido pela cidade e deseja apenas uma informação. Uma imagem muito triste, pintada por estes irmãos africanos no palco do Mundial.
Paulo Caculo|Moscovo

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