Jornal dos Desportos

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Opinio
por Morais Canmua

Bom teste no primeiro exame

17 de Fevereiro, 2018
A recente safra alcançada pelas duas equipas que representam o nosso país nas competições africanas, provocou um alento adicional e substancial aos adeptos do futebol que acederam a apostar um pouco mais no apoio incondicional à esses emblemas, principalmente, enquanto “embaixadores”.
A julgar pelas enormes expectativas criadas, pode aferir-se à partida que os resultados obtidos nesta primeira mão da primeira eliminatória são satisfatórios, mesmo a termos em conta os adversários da ocasião. Há muito não passávamos da primeira eliminatória agora, com as goleadas impostas pelo Petro de Luanda e pelo 1º de Agosto diante dos seus respectivos adversários, torna-se acalentador para os objectivos que ambos têm nas respectivas competições em que participam. O que se pretende é que se “leões” aqui dentro, o sejam também a nível da África do futebol.
Os petrolíferos desfeitearam o Master Security do Malawi, por cinco bolas sem resposta, num jogo em que a turma de Beto Bianchi tinha tudo para conseguir um resultado historicamente mais gordo, oportunidades realmente não faltaram. Tiago Azulão, sozinho, desperdiçou cerca de seis a sete oportunidades de golo, sem contar com os colegas que diante das facilidades que encontravam no jogo, não acreditaram daí perderem totalmente a concentração. Valeu a entrada atempada de Tony que saltou do banco para espevitar os colegas, e ele próprio assinou o ponto por três vezes, as outras duas foram de Tiago Azulão e Diney. Portanto, e curiosamente, foram golos de brasileiros apenas.
Um jogo em que a safra de golos explica bem as facilidades que o adversário permitiu, algo inexperiente e um pouco ingénuo. Entretanto, isso não pode servir para embandeirar em arco nem dormir à sombra da bananeira, face ao jogo da segunda mão.
Por seu turno, o 1º de Agosto recebeu e venceu o F.C. Platinum do Zimbabwe, por três bolas sem resposta, jogo algo difícil dada a diferença de adversários e o grau de dificuldades que este trouxe, obrigou os militares comandados por Zoran Maki a empenharem-se um pouco mais, embora no princípio da época futebolística.
O que mais trouxe expressão foi o facto, de dois dos vários reforços do rio seco, apontarem os golos do jogo. Mongo (1) e Jacques (2), ambos congoleses democráticos vindos do Kabuscorp do Palanca, apontaram os golos que deram a vitória aos campeões nacionais, que se deslocam a Harare com vantagem considerável, ainda assim, não muito folgada. É que o Platinum demonstrou que não é uma equipa qualquer. Sabe trocar a bola, tem sistema de jogo disciplinado e jogadores com grande profissionalismo. Esses argumentos podem conferir alento no jogo da segunda mão, que os zimbabuanos realizam em casa.
O nosso campeão tem de ter cuidados mil, não vá o diabo tecer sentenças maldosas que provoquem o “enguiço” de “morrer na praia”, que assombre e estrague uma estratégia bem delineada no “rio seco” e que passa necessariamente chegar pelo menos, na fase de grupo nesta Liga dos Campeões Africanos. E, a conquista da África do futebol. Urge ser leão nas competições externas…
Os nossos embaixadores, diga-se, tiveram de aplicar-se a fundo, para mesmo em início de época complicada e inadvertida, a opção que tiveram em não disputarem a Supertaça acabou por “roubar” a possibilidade de pelo menos terem um jogo a “doer” e testarem os grupos para a empreitada que se avizinhava. Tal não aconteceu e preferiram ir assim mesmo sem jogos de grande calibre para a competição africana.
Vale no entanto ressaltar o facto, do Petro de Luanda que forneceu jogadores à Selecção Nacional que esteve a disputar o CHAN, tirou partido disso, porque Job, Wilson, Mira e Herenilson deram de facto um brilho ao conjunto, com um andamento competitivo melhor e acutilante. Os petrolíferos, como que estrategicamente, admitiram que os seus principais elementos fossem “rodar” na prova como CHAN para depois tirar partido.
O 1º de Agosto abdicou disso, apresentou-se bastante reticente chegou a tirar o pé do acelerador, quando na prática tinha possibilidades de dilatar o resultado para margens mais almofadadas. A condição física limitada, prisão de movimentos, fraca consolidação de processos, próprio de início de época, fizeram que vencesse por três a zero, um jogo que em condições normais podia ter outro resultado, embora, o adversário se apresentasse muito mais versátil que os petrolíferos.
Agora, há que trabalhar de forma intensa para os jogos da segunda mão, de onde virá a confirmação da avalanche vitoriosa, para na segunda eliminatória mais rodados competitivamente, ultrapassem os adversários seguintes, ainda que venham provavelmente da África do Sul.

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