Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Silva Cacuti

Brincadeira!

07 de Março, 2020
Meu Deus! São 09h15 da manhã, consegui levantar-me da cama. A noite foi curta demais, aliás, quase vivemos uma noite constante. Sei que daqui à pouco volto para a cama. Não há nada a fazer!
Dei uma vistoria aos quartos onde dormem os miúdos e me parecem bem. No sono ainda! Noutros tempos já estariam na escola, quatro estudam de manhã, apenas, a mais velha o faz no período vespertino.
Ainda não lavei os dentes. Pudera, quase não tenho dado a utilidade certa à boca. Mesmo a falar, com essas máscaras, é preciso economizar a fala. Desde que estamos em quarentena, comer, uma das funções mais privilegiadas da boca, é o acto mais infrequente.
É travar com tudo. Nem nos dois anos... lá no Huambo! Abro o portão e não vejo vivalma na rua. Não há táxis a funcionar. Oiço o cainhar na vizinhança, sei que é choro abafado, porque os poucos cães que havia no bairro, há muito foram sacrificados, em prol da fome humana.
Anteontem, fui ao Jornal de Angola, encontrei as instalações fechadas. Anda tudo fechado. Os mercados fechados. Lojas, fábricas, todos os serviços suspensos. Nos hospitais há cenas indescritíveis. É o caos! A vida parou. Parou cá e parou, antes, lá nas potêncas mundiais, de onde nos chegou o Covid19.
Quem nos dera tivesse sido accionado o “Plano Júnior”, para combater o tal vírus! Júnior, cientista angolano, teorizou, desde cedo, a incineração de todos os indivíduos com casos positivos e suspeitos. “Assim, não há propagação e acaba-se com o vírus”, defendia ele. Para o Júnior, o mundo não soube lidar com o vírus, desde o início. “Depois construir-se-ia um monumento a homenagear todos aqueles que foram sacrificados pela humanidade”, acrescentou.
Não há espectáculos, nem artistas. Ouvi de alguns famosos, que já foram desta para melhor!
O Executivo, esforça-se por manter a música melancólica na RNA. Não há contexto para grandes quetas. A música só é interrompida, para passar a mensagem de encorajamento e avisos, para que as pessoas se abstenham de saquear os bens públicos e privados desguarnecidos. Não há sorrisos!
Vemos na televisão, os avanços e recuos anunciados pelas potências mundiais, com a OMS e outros misturados.
Ainda temos televisão, porque com tantos serviços paralisados, ninguém se deu ao luxo de desligar a energia, de lá onde vem. Quando passar este holocausto, os sobreviventes poderão receber as facturas da energia.
Da água, não se pode dizer o mesmo! O pouco, que há no tanque, é economizar, por que não a temos corrente. Aqueles que não têm tanques, sinceramente, não sei como estão a sobreviver.
Jogos? Desporto? Tudo cancelado! Não há Champions league, Fórmula 1, NBA, Girabola, Ball league, europeus, africanos; nada! Aquelas chorudas conferências internacionais ou viagens presidenciais, ficaram para a recordação.
Até os cultos a Deus ganharam mais seriedade. As pessoas estão transformadas em cristãos e procuram Deus com fervor verdadeiro. São feitos em casa, não há como ir às igrejas!
Luta-se pela vida. Os números de perdas humanas são descontínuos! Cada órgão de informação tem os seus estóicos repórteres, que feitos “Abel Abraão” anunciam dados díspares, sobre os números de mortes e contágio. Não sabemos em quem acreditar. Todos são credíveis!
O Programa Alimentar Mundial e outras ONGs anunciaram, para breve, operações de envio de bens, nem me ocorre, como vai ser! Se portos e aeroportos estão fechados e quase todos saqueados.

Brincadeira!

Felizmente, o drama descrito neste texto é uma ficção, decorrente de um debate que ouvi numa rádio qualquer, em que alguns debatistas consideravam precoce ou desnecessário o cancelamento da Ball League. Esta prova devia levar o nosso Petro de Luanda ao Senegal e trazer uma das suas fases a Luanda.
Diziam que o Corona Vírus ainda não atingiu o “alerta vermelho” nos países africanos e que, por isso, a vida devia continuar numa boa. Seria qualquer coisa como a cena retratada no filme “Titanic”, em que enquanto o gigante se afundava, a banda mantinha a música, o ambiente festivo.
Ouvi muitos argumentos, que só são válidos se nos esquecermos da velocidade com que sobem não só os números de mortes, mas também os de casos suspeitos.
Aqui está a brincadeira, mas o Covid desde 2019 que é assunto sério. Amigos, é preciso que se tomem medidas, para evitar que nossos países cheguem aos níveis de alerta vermelho. Embora, o desporto seja profissão para muitos, é uma ocasião de lazer para mais gente. O que se precisa mesmo, é de gente viva para poder praticar desporto. Com o Corona Vírus não se brinca. Pensem, que nossas competições internas, já efémeras, podem ser canceladas. Que o nosso adocicado Girabola pode ser interrompido e o título ser atribuído, na secretaria, a quem estiver na frente. Pensem. Haja seriedade!

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