Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Cad a FAF da campanha eleitoral?

07 de Fevereiro, 2019
Durante muito tempo, fiquei indiferente a certos actos protagonizados pela Federação Angolana de Futebol, com relação a comentários sobre os mesmos, adoptou sempre a atitude de fazer ouvido de mercador, ou seja, de alguém que não está nem aí, para prestar a mínima atenção aos discursos dos diferentes agentes desportivos.
Tais atitudes fazem-me crer, que alguém da super estrutura do órgão reitor do futebol nacional fez dele “refém”, que o seu resgate depende, igualmente, da sua única e exclusiva vontade, como se de herança pessoal ou familiar se tratasse. E, mais do que isso, admira-me o silêncio sepulcral dos que têm voz autorizada para falar do futebol angolano, que em surdina, parecem adoptar o “Amém”; com o sentido clérigo – litúrgico, como termo para absoluta concordância da bênção.
Refiro-me à figuras como, Armando Machado, Justino Fernandes, Osvaldo Saturnino de Oliveira \"Jesus\", Daniel Ndunguidi, Domingos Inguila, Oliveira Gonçalves, Carlos Queirós, etc., etc., que há muito andam nestas coisas de chutar a bola, não só com os pés, até mesmo com a palavra, por via do capital de conhecimento e experiência que ao longo do tempo acumularam.
Isso, repito, à mim repugna, pois, dentre outras coisas, alguém tem de recordar aos “donos da FAF”, que de per si, o futebol doméstico é um património colectivo dos contribuintes, que como eu, ajudam a pagar as despesas efectuadas pela referida instituição, e que de nós devem, pelo menos, ouvir as sugestões, apesar do poder discricionário que os assiste na hora da decisão.
E, se é verdade que ao falar-se da instituição, o discurso seja entendido no abstracto, não é menos verdade, a norma do direito administrativo que estabelece o princípio de que no abstracto , em termos concretos, o responsável é a figura máxima da instituição em referência.
Porém, não andemos com “mesmices”, meios -termos, pensos quentes, água na fervura, pois, são por estas e demais atitudes similares que muitas coisas estão no estado em que estão ,- não só no futebol, em outros segmentos da sociedade -, parece não existir solução, quando na verdade (quase) tudo já está inventado no mundo do futebol, o resto é uma questão de modernização.
Hoje, por hoje, faço um restart para comparar o discurso de campanha da actual equipa que dirige a FAF, e a prática com que nos brindam. Sem muito esforço chego à conclusão, que existe um enorme vácuo que me leva a perguntar, à moda brasileira, “cadê a FAF anunciada na campanha eleitoral”?
Claro que não é esta, que ia apostar nos treinadores nacionais para as selecções, pelo menos nos seniores nunca aconteceu (e nem vou falar da passagem de Beto Bianchi), a que prestaria uma atenção especial ao futebol feminino; a que faria todo o esforço e mais o resto para pagar os salários dos funcionários que registavam atrasos consideráveis; como está mesmo este quesito?
Em nenhum momento a FAF da campanha eleitoral fez-se anunciar como uma instituição que não cumpre a sua própria palavra, neste particular serve como exemplo a realização da “segundona”, com tudo que se conhece e está a dividir a posição dos clubes, sem que para tal a FAF dispensa os ouvidos para estes cumprirem a sua missão.
Também não é esta a FAF da campanha, que sem dó nem piedade, altera a ordem de realização dos jogos em atraso, sem que para tal sejam avançadas e fundamentadas as razões que encontram acolhimento, que não levantem suspeitas de existência de eventuais e claras tendências de beneficiar uns, a troco do que não se sabe, pelo menos na praça pública.
Por fim, uma palavra às Associações Provinciais de Futebol, por via das quais os clubes se ligam ao órgão reitor da modalidade: Sejam mais acutilantes e activas na defesa dos interesses dos associados, pois, tendes força jurídico -legal para pelo menos, exigir não a realização de eleições antecipadas, mas que a FAF tenha ouvido para ouvir.
Carlos Calongo

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