Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por TEIXEIRA CNDIDO

Cad a liga?

09 de Dezembro, 2019
O ano apressa-se para o seu fim, e nada se conhece sobre a liga. Depois de Pedro Neto, então presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), ter prometido durante todo o seu consulado constituir a prova nacional do futebol numa liga, o certo é que terminou o mandato sem honrar com a sua palavra. Chegou aliás a encomendar um estudo, inspirando-se no modelo português, ainda que com certas diferenças, o certo é que não se conhece nenhuma liga até hoje. O Girabola Zap continua a ser disputado nos mesmos moldes que o viram nascer. Ensaiou-se a atribuição de um valor ao campeão nacional, mas permear o vencedor não torna a competição numa liga de futebol. A liga impõe mudanças estruturantes não apenas no modelo de disputa da prova, mas sobretudo na gestão dos clubes, e na relação com terceiros como empresas que publicitam, as televisões assim como o público-adepto. Noutras realidades os clubes que nela participam tiveram antes de se transformar em sociedades anónimas. Há outras realidades, que conservam a natureza de simples clubes. De todo, é uma prova que suscita uma mudança na gestão dos clubes, o que beneficia tendencialmente a modalidade. Não há menor dúvidas em relação ao benefício que uma liga traz, por isso todo o sacrifício que exige na altura da sua criação, pode ser compensado com os enormes resultados que dela resultam. Na região Austral já temos exemplos que podem ser imitados, com respeito sempre ao nosso contexto. Não há outro caminho a seguir. A concretização deste sonho perseguido há muito depende não só da Federação Angolana de Futebol, mas também dos clubes. Ou sobretudo deles. São os principais interessados, os que gastam dinheiro (mesmo não sendo fruto do trabalho deles), têm mais do que simples pretensão a obrigação de assegurar o futuro dos clubes. Os sinais de afastamento que as empresas e outras instituições do Estado vão dando, devia ser uma alerta, em particular para os seus dirigentes. Não haverá festança sempre. As coisas estão a mudar, ao Estado se lhe exige hoje satisfação das necessidades primárias. É nelas que deve concentrar os seus esforços. E nesta equação entre priorizar as necessidades urgentes e o desporto, seguramente o último pode ser uma das primeiras vítimas. Importa esclarecer, que falamos do desporto federado. É avisado por isso que os clubes e a Federação Angolana de Futebol arranquem com a competição, ainda que se reconheça a sua complexidade. Os outros começaram de algum modo, e foram corrigindo e melhorando ao longo do percurso. Aliás, é a regra da vida. O amadurecimento é filho do tempo. Não é inato. Recolham por isso os receios, e que se avance para uma liga. Quem se arroga o título de gestor tem de ser capaz de prever. Não apenas as despesas e as receitas mas também o ambiente no qual trabalho. É isso que se exige dos presidentes dos clubes.

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