Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

CAF e a pedra no sapato

13 de Dezembro, 2018
Em 1996 o Quénia renunciou à organização do Campeonato Africano das Nações, por alegada falta de condições ideais para o efeito. Sendo assim, a África do Sul, que se preparava para acolher a edição de 1998, assumiu o desafio, e, acto ,contínuo, o Burkina Faso, candidato à edição de 2000, teve de acelerar as obras para receber a prova de 1998.
Vale aqui abrir um parêntesis, para dizer que na edição de 1996, que marcou, por sinal, a estreia de Angola, a Nigéria, campeã em título, não se fez presente. Uma divergência política havida entre Sani Abacha, à época presidente nigeriano e Nelson Mandela, da África do Sul, esteve na base do boicote por parte do campeão africano.
Mas é dos constrangimentos resultantes de renúncias à organização, que pretendemos abordar aqui. A última a vez com a maior cimeira do futebol africano acorreu em 2015, quando o Marrocos jogou a bola para os palcos da Guiné Equatorial, sob receio de infestar do país com o vírus Ebola, que solava alguns países do centro de África.
Quanto ao caso presente, diga-se de passagem, há muito as autoridades camaronesas vinham dando sinais de insegurança. Qualquer observador atento terá percebido, que só com ginástica suplementar Camarões chegaria à organização do evento. Pairava a ameaça de desistência, desde a primeira hora. Tanto é que Marrocos, que organizou o CHAN no princípio do presente ano, esteve sempre à espreita.
Defendemos que a Confederação Africana de Futebol deve se certificar da capacidade dos países, que se candidatem à organização da sua maior competição, uma vez havendo um caderno de encargos deve ser rigorosamente respeitado. Ou na pior das hipóteses, definir o timing para declarar desistência, devidamente justificada, que não deve estar muito perto da prova.
Trata-se de um timing, que possa dar margem de manobra ao país que se predisponha à substituição daquele, a quem foi inicialmente confiada a organização. Pois, não fosse a alteração no período de realização do certame, não se sabe com que linhas a CAF se iria coser a escassas semanas de Janeiro, mês em que sempre tem lugar a prova.
Temos quase certeza que se Camarões tivesse renunciado um pouco antes, não teríamos apenas Marrocos e África do Sul na corrida. Na verdade, da parte de outros países com forte tradição no futebol africano, vontade de assumir a organização não terá faltado. Mas, o tempo terá se colocado de permeio, como um elemento desencorajador.
Por tudo isso, deviam haver medidas sancionatórias para as renúncias à organização, sobretudo quando não suficientemente justificadas. É certo que existem situações como epidemias e conflitos armados, que deixam os países em desnorte, sem condições mínimas para receber competições de carácter internacional. Para estes casos é compreensível. Mas para alguns nem tanto.
Aqui chegados, vamos esperar pelo 9 de Janeiro de 2019, para saber se será Marrocos ou África do Sul a sede do próximo Campeonato Africano das Nações. Ambos têm potencial para o efeito. O primeiro acolheu, ao princípio do presente ano, o CHAN\'2018, e o segundo foi organizador do CAN\'2013, para além de ter sido sede do Mundial de 2010.
Portanto, são países que precisam acertar apenas pequenos detalhes, o que podem fazer perfeitamente nos próximos quatro meses, para que a nata do futebol africano se possa juntar no seu regaço em Junho do ano que, dia menos dias, daremos boas-vindas, por entre fanfarra e festival de fogo-de-artifício...
Matias Adriano

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