Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Caminho aberto para a Segundona

05 de Outubro, 2017
“Desista de qualquer esperança. Quem entra aqui não volta mais”. Esta frase, proferida na porta do inferno, segundo a Divina Comédia de Dante Alighieri, parece que está instalada na parte final da tabela classificativa do Girabola.
Os quatro últimos, nomeadamente o ASA (23) Progresso da Lunda Sul (23), o JGM do Huambo (21) e o Santa Rita de Cássia (16), por mais que se estiquem, não conseguem o desejado sucesso, muito embora a equipa da Lunda, depois da vitória no Huambo (3-0 ao JGM) no último fim-de-semana, tenha motivos para sonhar alto.
Deste quarteto, o ASA, equipa com maior estatuto na prova, comparado com as demais, está numa situação bem delicada. Chegou à porta do inferno e não parece que tenha forma suficiente para de lá sair. Está sem reacção.
Quando restam apenas quatro jornadas para o final da competição, a Segundona vai se transformando num caminho irreversível para a equipa do aeroporto, caso não tenha argumentos para, nestas derradeiras jornadas, somar o numero de pontos que lhe dará a desejada manutenção.
A verdade é que qualquer adversário tem sido complicado para este ASA moldado a Paulo Saraiva, pelo que as últimas quatro jornadas serão a matar. Pior, é constatar que se de facto se consumar a descida de divisão, será amplamente merecida, porque verdade seja dita, a equipa em nada melhorou com a “chicotada” de que foi alvo o anterior técnico, João Machado.
A descida seria um cartão vermelho para o presidente do clube, Elias José, que pouco ou nada tem feito para arrumar a casa. Os adeptos é quem mais sofrem. Contudo, vale lembrar que a Segundona pode não ser o fim o mundo. Bem pelo contrário. Às vezes força um reinício, um recomeço, depois de se descer tão baixo.
Restam, como disse mais acima, apenas quatro jornadas para o final do Girabola. Por isso estou expectante em saber o que acontecerá nos próximos dias para os lados do aeroporto. Espero que o futuro imediato não seja assim tão ruim; que a grandeza dessa “marca histórica” do futebol nacional possa ser recuperada.
No lado oposto do campeonato, concretamente no que diz respeito a luta pelo título, está tudo no limão, como soe dizer-se. Hoje lideras tu; amanhã eu. Esta é a sina das últimas três jornadas.
No final da jornada 24, a liderança pertenceu ao 1º de Agosto, fruto da vitória sobre o seu principal concorrente, o Petro de Luanda. Na jornada seguinte a equipa do eixo viário recuperou a liderança, beneficiando do empate dos militares diante do Progresso do Sambizanga. No último fim-de-semana, foi o 1º de Agosto quem beneficiou da derrota do seu rival para voltar a liderança.
Esta alternância que se verifica, semanalmente na liderança, vem confirmar aquilo que disse aqui há duas/três semanas: o nível competitivo das últimas três edições do Girabola.
Em 2015, o Recreativo do Libolo foi campeão com o mesmo número de pontos do 1º de Agosto. Valeu a vantagem da equipa de Calulo nos jogos entre si. O ano passado o 1º de Agosto foi campeão com apenas um ponto (!) de vantagem sobre o Petro de Luanda. Este ano nada está anda decidido.
Os dois pontos que o 1º de Agosto tem de vantagem sobre o Petro não significam absolutamente nada. Há ainda muito caminho para percorrer. Teremos campeonato até ao cair do pano. Isto é bom para a grandeza do nosso futebol.
Não poderia terminar esta minha peça sem falar de dois casos que marcaram, nos últimos dias, o futebol nacional. A tão falada desistência do JGM, que acabou por não se concretizar (apenas na Taça de Angola), e a derrota do Recreativo da Caála, em sua própria casa, pelo facto do trio de arbitragem condicionar o seu trabalho ao pagamento do respectivo prémio.
Dois casos que mancham a credibilidade do nosso futebol. Aliás, a credibilidade do nosso campeonato está em jogo há já muito tempo, em função de todos os casos que ultimamente têm acontecido.
A possível desistência do JGM não é um caso raro no nosso futebol. Vivemos em época de absoluta atenção, no que diz respeito à situação económica dos clubes e a última coisa que pretendemos neste momento, a escassas quatro jornadas para o final do campeonato, é que prevaleça a Verdade Desportiva. Ela é fundamental para a concorrência leal e para a justiça nas diferentes actividades desportivas.
POLICARPO DA ROSA

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