Jornal dos Desportos

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Opinio

Camos no Gabo a olhar para o futuro

23 de Maio, 2017
Quando em Outubro do ano passado (2016) os nossos Sub-17 qualificaram-se para o CAN do Gabão o Carlos Calongo justamente no canto esquerdo desta página, onde está de novo nesta terça-feira, qualificou-os de \"operários\", porque Angola tinha ficado 17 anos sem marcar presença na prova.

Na altura até criticou a malta do futebol que, face à qualificação, se mostrou reticente. E vou recordar as palavras escritas por Carlos Calongo:
\" Defendo que o momento não é para discurso em torno de quem fez mais ou menos, mas, sim de conjugar esforços na busca das condições necessárias para uma participação da equipa nacional até aqui orientada por Languinha Simão\".

Depois o Carlos Calongo ainda sublinhou: \"Por estas e outras boas razões prefiro experimentar o optimismo exagerado e esperar de Angola uma participação vencedora, representando isso a conquista do troféu máximo que, a acontecer, não beliscaria o Carmo tão pouco a Trindade\".

Não sei se o meu companheiro naquela altura projectou com exagero uma selecção de Sub-17 vencedora. Inclusive - porque admitiu com optimismo - falou de uma eventual hipótese da conquista deste CAN. É claro que sonhar não é proibido! É, aliás, pensar positivo que em 2001 vimos a África a cair aos pés de Angola, olhando e aplaudindo os nossos rapazes de Sub-20 a conquistarem o Campeonato Africano da categoria, competentemente orientados pelo professor Oliveira Gonçalves.

E agora é legitimo porque até o próprio técnico Simão Coxe teve os seus sonhos: prometeu boa participação nesta prova que primeiro estava para decorrer no Madagáscar e a última da hora transferida para o Gabão.

É certo que Angola \"caiu\" logo da primeira fase. E se caiu, tal significa logo fracasso ou podemos aqui apregoar que estes \"putos\" Sub-17 são já o futuro dos nossos Palancas Negras? Caiu o Carmo e Trindade? Não senhor!Se eu disser aqui que a participação não for proveitosa estarei a mentir. Se igualmente defender que não há nessa selecção garotos que podem amanhã brilhar na selecção de honras, isto é, nos Palancas Negras, também estarei a faltar à verdade.

Acho que esta selecção de Sub-17 tem de facto futuro. Ela é o resultado de um trabalho que não é de hoje. Vem já de há vários anos para não se dizer apenas que nela simplesmente há impressões digitais o actual técnico, Simão Coxe.

Há três anos (2014) já havia sinais de \"futuro à vista\" quando muitos destes rapazes estavam sob o comando do técnico André Nzuzi. Lembro-me de que em 2015 a selecção de Sub-17 tinha quase se apurado para o CAN que decorreu no Níger.

Só por batota acabou vitima da \"máfia de falsificação de idades\" que impera no futebol africano, porque na altura a Costa do Marfim afastou Angola com jogadores \"matulões\".

Estas aldrabices não esmoreceram porém os angolanos. Nos clubes, nas escolas e nas academias continua-se a desenvolver um trabalho excelente a nível das camadas jovens, de que já saiu este naipe de jogadores que, agora, foram ao CAN do Gabão.

Em boa verdade, e realística e futebolísticamente falando, Angola apenas participou no CAN do Gabão, porque só marcou presença. Não competiu no verdadeiro sentido da palavra.

Se assim fosse não cairia logo na primeira fase. Mas isto compromete o futuro dos Palancas.

O técnico Nzuzi André tinha já dito aos jornalistas, em 2014, que possuía um programa de desenvolvimento do futebol jovem no país para o período de 2014/2017. Apresentou-o à FAF e houve um processo de continuidade que não ficará por aqui.

E se não ficará por aqui, é então razão para dizer que os Palancas Negras têm de facto o seu futuro. Muitos dos jogadores têm ainda entre 15 e 16 anos de idade: Serão a base dos Sub-20, Sub-23 e depois das honras. O actual elenco da Federação Angolana de Futebol tem um programa para o futebol jovem. Da FIFA receberá de tempos em tempo cinco milhões de dólares. Parte deste valor pode servir para potenciar os Sub-17 para haver Palancas Negras fortes.

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