Jornal dos Desportos

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Opinio

Campees mundiais espevitados para o CAN

05 de Outubro, 2019
Benguela, também conhecida como Cidade da Acácia Rubras, reúne desde ontem a fina-flor do futebol adaptado em África, numa montra em que além de Angola, como anfitriã, desfilam ainda os Camarões, Nigéria, Libéria, Tanzânia e a Serroa Leoa.
Apesar da fraca divulgação em torno do certame que se estende até dia 11 do corrente, a província do Litoral-Sul do país esmerou-se, para albergar no seu seio este Campeonato Africano das Nações de Futebol para Amputados, que faz disputar a sua quinta edição. Angola, nas vestes de campeã mundial e vice africana, participa pela quarta vez neste torneio, depois das presenças em 2008 (na Libéria), 2011 (Ghana), 2013 (Libéria), um palco onde perdera na final com a selecção da casa, e agora vai então exibir-se como a grande anfitriã da festa. É óbvio que, por esse facto, as suas responsabilidades são acrescidas. Campeões mundiais há um ano na competição que decorreu em Guadalaja, México, os atletas da Selecção Nacional de futebol adaptado demonstram atitude clara de quererem conquistar agora o Continente Berço da Humanidade, a África.
A justificar o facto, está na grande entrega demonstrada durante a preparação, já palco da competição, e ontem no jogo de estreia frente a congénere dos Camarões em que venceram por 6-1. O combinado nacional enfrentou uma selecção camaronesa, cujo périplo pelo país e particular pela província de Benguela, o palco da prova, está também focado no título.
A competição, cujas hostilidades foram abertas com o confronto entre as selecções da Serra Leoa e da Tanzânia, testemunhou ainda ontem o jogo Libéria – Nigéria, deixa no ar certeza de que teremos uma discussão acesa em relação ao título.
Aliás, além de Angola, como anfitriã da festa, e a própria selecção dos Camarões, com quem jogou na estreia, a Libéria, com rótulo de tri-campeã continental, tem também uma palavra a dizer em relação a esta festa do futebol adaptado que o país alberga.
É importante realçar, que na antecâmara da realização do campeonato, quinta-feira, ocorreu uma reunião, que juntou além de responsáveis do Comité Paralímpico Angolano (CPA), membros das delegações que marcam presença em Benguela.
Durante o encontro, foram afloradas questões inerentes ao estado actual deste desporto adaptado em África, bem como se traçou estratégias para a criação de uma Comissão de Gestão da Confederação Africana de Futebol para Amputados (CAFA), cujo elenco está demissionário. Nesse vertente, fica claro, que se deve prestar maior atenção a este desporto e os futebolistas amputados, que são um verdadeiro exemplo de superação.
O secretário-geral do CPA, António da Luz, esclareceu na véspera do arranque deste CAN, que por não ser colocada no patamar de uma modalidade paralímpica, muitos governos não prestam o devido apoio às suas selecções.
E terá sido na sequência dessa pouca atenção que é dada ao futebol para amputados, que neste torneio que decorre na província de Benguela registou-se a desistência de alguns países, que inicialmente deveriam se fazer presentes.
É imperioso realçar, nesse sentido, que os futebolista amputado representam, em abono a verdade, um verdadeiro exemplo de superação, daí que deveria haver uma maior sensibilidade das estruturas “de jure” em relação a esse desporto e as pessoas portadoras de deficiência.
No caso particular do nosso país, não há dúvidas de que o desporto adaptado tem dado muitas alegrias.
Aliás, não é em vão que hoje temos marcas de registo indelével nesse particular, como foi o caso particular do atletismo, onde José Armando Sayovo colecciona várias medalhas de ouro de Jogos Paralímpicos, sem nos esquecermos também da prestação acima da média que tem o nosso basquetebol em cadeira-de-rodas e o próprio futebol para amputados, que ostenta um título mundial.
Grosso modo, com a organização de mais esta prova em terras das Acácias Rubras, Angola dá mostras do excelente nível de organização, que vem provando em tornos de vários eventos. Esse CAN de futebol para amputados é mais uma prova disso.E Benguela, como óbvio, também tem sido um bom exemplo disso. A prova desse facto está em certames internacionais, que a província teve o privilégio de albergar, casos do Afrobasket, Campeonato Africanos das Nações (CAN) de futebol e andebol, isto só para citar alguns exemplos.
Isso encontra também respaldo naquilo que vem sendo o próprio empenho do Governo Angolano, no concerne à organização de eventos desportivos no país.
De resto, Angola, que se sagrou campeã do mundo de futebol com muletas, ao vencer a 4 de Novembro de 2018, a congénere da Turquia por 5-4, na final do campeonato que decorreu em Guadalajara, no México, tem aqui mais uma oportunidade para mostrar aquilo que vale em termos de futebol adaptado. A jogar em casa, é legítimo esperar que os angolanos coloquem a cereja no topo do bolo, com a conquista deste CAN.
Angola, lembre-se, sagrou-se campeã mundial o ano transacto, depois de já ter conquistado o segundo lugar na grande montra de futebol para amputados de 2014, que foi disputado igualmente nesse país da América Latina. Sérgio V.Dias

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