Jornal dos Desportos

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Opinio

Campeonato regressa em fora

18 de Janeiro, 2020
Não há fome que não dê em fartura. Depois de uma primeira volta aos soluços, com algumas paragens, devido ao calendário dos Palancas Negras e por capricho do órgão reitor do futebol nacional, no caso a Federação Angolana de Futebol (FAF), esperemos que esta segunda volta tenha poucas paragens até ao seu final.
E a verdade é que dificilmente se poderia pedir um regresso mais animado e até potencialmente decisivo na luta pelo título. O balanço da 1ª volta fica marcado por um conjunto de erros de arbitragem. Muitos deles inexplicáveis e incompreensíveis. O que habitualmente se verifica é que, entre eventuais benefícios e perdas, acaba por haver um equilíbrio no final das contas, entre equipas que lutam pelos mesmos objectivos.
No confronto directo entre os principais candidatos ao título, não se tem afirmado a superioridade de quem surge destacado na liderança. Bem pelo contrário. Trata-se, pois, de uma liderança muito alicerçada em erros sucessivos em momentos decisivos de jogos, a que não será alheio todo o clima de pressão.
O Petro acabou a primeira metade da prova na frente (38 pontos), com um de vantagem sobre o segundo colocado, o 1º de Agosto (37), dez sobre a Académica do Lobito (28) e treze sobre o Recreativo do Libolo (25).
Da temporada 2000 até a actual (2020), o Petro terminou a primeira volta na liderança oito vezes, nomeadamente nos anos 2000, 2001, 2003, 2004, 2008, 2009, 2010 e 2017.
Contudo, em apenas quatro vezes se sagrou campeão nacional. Em 2000, 2001, 2008 e 2009. Nos anos 2003, 2004, 2010 e 2017, em que se sagraram “Campeões de Inverno”, os petrolíferos deixaram fugir o título. Como será esta epoca? Só teremos a resposta no final do campeonato.
Terminada a primeira volta e a escassas horas do início do segundo turno, o das decisões finais, a luta pelo título tem sido a dois (Petro e 1º de Agosto) e provavelmente assim vai continuar, dada a diferença de pontos que separa as duas equipas do terceiro e quatro classificados, nomeadamente Académica do Lobito e Recreativo do Libolo.
Deste quarteto, o Petro superiorizou-se dos demais, até do seu grande opositor, no caso o 1º de Agosto, a quem venceu no derby dos derby por 2-0. Contudo, perdeu pontos frente a equipas teoricamente inferiores, como o Wiliete, na ronda inaugural do campeonato (2-2). Num plantel, cujas novidades se fizeram à base de algumas contratações,Yano e Doli Menga, e a promoção de alguns jovens, o treinador Toni Cosano devolveu aos petrolíferos a garra que sempre os caracterizou.
A partir deste fim de semana tudo será a doer. De se cometerem o menor número de erros. A liderança petrolífera está em risco, mas também pode expandir-se para uma vantagem mais confortável se a equipa do “eixo viário” for bem sucedida nesta fase crucial da prova e o seu grande rival, os militares do “rio seco”, tropeçarem em alguns dos obstáculos importantes que terão pela frente.
Muito do sucesso (ou insucesso) nesta fase decisiva dos petrolíferos e militares passa pelo que suceder nas primeiras quatro/cinco jornadas. Desde logo, no campeonato em que o conjunto do rio seco está a um ponto da liderança e tem falhado exacatamente nos jogos fora de casa.
Cinco pontos “voaram” nesta condição: derrota com o Progresso e empate no Tafe, diante do Sporting de Cabinda. Dolorosa foi tambem a derrota caseira, diante do Petro de Luanda, que o atirou para a segunda posição na tabela classificativa.
Com o início, amanhã, da segunda volta do Girabola Zap, veremos que peso tem o ponto que separa as duas equipas na classificação e se reflectem as diferenças importantes em termos de desempenho do Petro e do 1º de Agosto.
“Chicote” estalou cinco vezes
Durante a primeira volta registou-se a mudança de treinadores em cinco situações. Interclube, Sagrada Esperança, Recreativo da Caála, Progresso e Santa Rita foram os clubes onde o “Chicote” se fez sentir.


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