Jornal dos Desportos

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Opinio

Campes franciscanas

26 de Abril, 2018
O lado bom é o da vitória. O título podia, muito bem, estar relacionado com o facto de Vivaldo Eduardo, também, ser Francisco. Na perspectiva de que as pupilas de Francisco são campeãs. Seria ouro sobre azul. Dar-me-ia muito gosto em abordar o assunto nesta perspectiva. Também.
Não. O título tem mesmo a ver com o conhecido frade católico que entendia a pobreza como um instrumento pelo qual se podia obter a purificação necessária para a habitação de Deus no interior de cada um e para a perfeita comunhão com o semelhante. Voltou-se para a vida religiosa de completa pobreza.
Mas, o bom do santo católico lá da Itália, não podia imaginar que teria seguidoras neste longínquo pedaço de África, nas lides desportivas.
Aquilo que o Petro de Luanda mostrou no Cairo é pobreza ou quê?
Inscreveu-se sem equipamento alternativo. Durante a prova teve de depender de favores de adversários que, com direito de escolher as cores a usar, tiveram que ser generosos e desportistas, para aceitar perder em campo e não ganhar de falta de comparência, porque os regulamentos assim permitem.
Depois, o tal equipamento único me pareceu ser só uma muda. Não estava em condições.
Quando soube da intenção de voltar às competições africanas, julguei que os três anos de ausência serviram para organizar a casa. Não esperava por essa!
Até nem sei como é que faziam. Se lavavam durante a noite ou quê.
Eu fazia isto com meu único macacão de ir à escola, que minha tia Elvira, a terra lhe seja leve, me tinha mandado de Luanda. Isto foi num tempo difícil, quando estudava a quarta classe na Escola Primária de Fátima, lá no Huambo. Quando tento esquecer-me destes episódios da vida, lá vem o Petro de Luanda!
Umas camisolas traziam números azuis, outras pretos e ainda as que tínham números brancos. Umas sem nomes e outras com nomes estampados, provavelmente por um alfaiate, dalí perto do local de treinos. Nos congolenses. Sim, porque percebe-se que a camisola era destinada a outro jogador, provavelmente de outra modalidade, e improvisada para a equipa de andebol.
Não. Não vou falar das meias. Me pareceram ser de futebol e, como estou ligado a uma editoria de modalidades, fico só assim. Senão vou descambar nos empates, bianchis e Caála. É melhor não!
Aqui é mesmo só andebol. A modalidade mais ganhadora do clube, definida como terceira na ordem de prioridades da actual gestão. Nem imagino a podridão do hóquei em patins, do atletismo e outras que vêm atrás do andebol.
Curioso é que tais camisolas trazem estampadas o símbolo da Sonangol. Supostamente patrocinadora do clube. Um dia vou saber se costuma mesmo a patrocinar o andebol, como e com que valores. Por este símbolo publicitário colocado no lado esquerdo da camisola, à altura do coração, o clube paga multa nas competições africanas.
Os calções valem por serem de boa qualidade. Ainda assim o azul desbotado, números desgastados lembram a sua idade. As \"pólos\" dos treinadores, é azar!
Sem dúvidas, deve haver mais de cinco anos que o Petro não veste a sua equipa de andebol.
Não quero entrar no aspecto avenças. Senão teria de comparar o que recebem as que ganham com aquilo que se paga às que perdem. Porquê não falar em campeãs franciscanas, se vivem e jogam na pobreza?
Se esta equipa solicitar, pelo que joga, teriam vida principesca, porque atraem patrocínios. Há outras a fazerem menos e com vida abastada. É preciso corrigir isto que, também, está mal.
Silva Cacuti

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