Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

CAN dos Camares no prioridade

15 de Junho, 2017
A Federação Angolana de Futebol (FAF) deve reafirmar publicamente e a letras “garrafais”, qual é o objectivo da Selecção Nacional de futebol na fase de apuramento para o CAN de 2019, que vai disputar-se na República Unida dos Camarões.

Por altura da contratação, ou seja, do pedido de colaboração do treinador Beto Biancchi, a direcção do órgão reitor do futebol angolano foi clara em dizer, que o CAN dos Camarões não era uma prioridade.

Entretanto, em minha opinião, a pretensão foi dita de forma não muito categórica, e até à presente data, a FAF não passa a ideia de qual é o seu real objectivo com a colaboração de Biancchi, e a participação dos Palancas Negras nesta fase de grupo, para montar uma equipa competitiva que dignifique o futebol angolano a médio prazo.

Nesta altura do campeonato, e depois da realização da primeira jornada no passado dia 10, em que o onze angolano perdeu por 3-1, em Ouagadougou, no jogo com o Burkina Faso, é imperioso que a família do futebol nacional e não só, saiba com clareza o que a FAF pretende.
Com este gesto, Artur Almeida e Silva e seus pares retiravam a pressão que normalmente a equipa técnica e os jogadores sentem, nesta fase que conduz à maior montra do futebol a nível do continente.

Assim, os adeptos da selecção nacional preparavam-se para tudo o que viesse, e não exerciam aquela pressão que normalmente fazem com relação à equipa, especialmente quando jogam em casa.

Recordemos de que quando Angola se apurou pela primeira vez, para um Mundial em 2006 que se disputou na Alemanha, foi uma agradável surpresa. O país começou a acreditar em tal proeza, depois do empate por 1-1, na Nigéria, o que nos deixou isolados na tabela classificativa, a dois pontos dos nigerianos.

Até antes daquela memorável ocasião, os adeptos do futebol angolano eram pacíficos e aceitavam com naturalidade os resultados negativos dos Palancas Negras, mas depois da ida ao Mundial, as coisas mudaram completamente.

Slogans, como “estamos sempre a subir”, ninguém mais nos pode parar”, e outros, apossaram-se da mente de muitos, e o resultado é o que estamos a observar. De pacíficos, os adeptos dos Palancas Negras passaram a muito exigentes.

É importante também frisar, que o futebol em Angola tornou-se numa espécie de “religião principal”, onde todos ou quase todos se revêem. Por isso, é importante que todos os passos a dar pela selecção nacional, sejam entendidos por todos. Além disso, a julgar pelo que observamos desde a preparação da equipa nacional em Portugal, a FAF precisa de tempo para organizar-se bem no campo económico, para evitar situações humilhantes como as que os nossos jogadores passaram em terras de Camões.

Voltando a nossa atenção à intenção da FAF montar uma equipa competitiva capaz de dignificar as cores nacionais, podemos dizer que por aquilo que vimos no jogo diante dos burkinabes, estamos no bom caminho. Os nossos rapazes jogaram de peito aberto com uma das cinco melhores selecções de África, num ambiente hostil como foi o do Estádio 4 de Agosto, na capital burkinabe. Os jogadores novos nestas andanças, como Gerson, Manguxi, Nelson, Nari e outros, só precisam de tempo para atingirem os níveis desejados.

Contrariamente ao jogo realizado no Estádio 11 de Novembro, em que os burkinabes venceram por 3 -0, em 2013(?) e praticamente vulgarizaram os Palancas Negras, no jogo do dia 10, mesmo a jogarem em sua casa, o Burkina Faso teve de suar a camisola para vencer a nossa selecção. A vitória burquinabe por 3-1, não condiz com a realidade, devido à forma como os nossos palancas se comportaram diante de jogadores do quilate de um Bancè, Beltran e outros, o resultado mais justo seria 2-1. Mas um empate era o grande prémio para a nossa rapaziada.

Assim, deve ficar claro que o objectivo dos Palancas Negras, ainda não é o CAN dos Camarões. Se lá estivermos, tudo bem. Vamos deixar a selecção jogar sem pressão. Haja paciência, pois tem-se dito: devagar se vai longe. Por isso, a FAF deve trabalhar seriamente para que com a ajuda da imprensa, o recado passe inteligivelmente à toda a família do futebol nacional e não só, que o objectivo dos Palancas Negras não é o CAN de 2019.

Mas em 2021 chegar ao CAN, deve ser uma obrigação dos Palancas Negras a presença na maior cimeira do futebol continental, porque até lá, de certeza absoluta, que a FAF tem de criar as condições para o efeito. Por enquanto, deixem a selecção jogar sem pressão!
Augusto Fernandes

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »