Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Candidatos revelam insegurana

14 de Outubro, 2016
O Girabola está ao rubro, diz-se amiúde pelos bastidores. Não é comum chegar-se nas derradeiras quatro jornadas com três equipas em circunstância de igualdade de forças. Ou seja, com as mesmas probabilidades de erguer o troféu de campeão. No mínimo, o que tem ocorrido são duas equipas, a exemplo da edição passada, que 1º de Agosto e Libolo bateram-se sem quartel até ao limite.

No que é salutar para a competição temos agora 1º de Agosto, Libolo e Petro de Luanda envolvidos numa encarniçada batalha pelo título. E como seria de esperar as três equipas acreditam piamente na possibilidade de lograr o objectivo, quanto mais não seja forma de premiar todo um esforço conjugado ao longo da época ou ainda de compensar o investimento das respectivas direcções.

Até aqui tudo pacífico e perceptível, porque em competição o optimismo não pode nem deve dar lugar ao cepticismo. Mesmo quando em determinados momentos as coisas estejam a tomar um rumo errado, não se deve assumir o fracasso de ânimo leve. O que causa alguma inquietação é de facto a forma céptica como os próprios concorrentes encaram esta fase decisiva da prova.

Fala-se no belisco da verdade desportiva. E quando assim é, a coisa já se torna preocupante, porque o que o público consumidor do espectáculo futebolístico espera é que entre os três concorrentes “em pé de guerra”, diga-se de passagem, vença aquele que souber se impor com rigor competitivo, ou à custa de futebol jogado nas quatro linhas e não por via de métodos obscuros e menos recomendáveis.

Espero bem que os candidatos ao título não enveredem por este caminho, até porque ao longo do torneio deram evidências de maturidade competitiva quanto baste para chegarem ao objectivo sem necessidade de recurso à práticas menos decentes num circulo competitivo em que o mérito deve ser elevado.

É sabido que numa situação como a que se verifica de momento no topo da classificação do Girabola haja receios de tudo mais alguma coisa. Pois, dos três resultados possíveis numa partida de futebol apenas um (vitória) interessa aos protagonistas. Paradoxalmente, quando se ganha também é pecado em certos casos, receia-se sempre uma mãozinha misteriosa.

É este clima infestado que se vive nesta curva descendente da prova. Porém, cá comigo vou pensando que nenhum dirigente devia se achar com autoridade moral para falar na possibilidade de resultados viciados, porque foram eles mesmos que num passado ainda recente, trataram de contrariar a tese de quem teve a coragem de denunciar as falcatruas que grassam no nosso futebol.

Quando Horácio Mosquito assumiu a coragem de expor na praça pública os podres do nosso futebol quase que viu a cabeça na guilhotina, contrariado por dirigentes de outras agremiações. Logo, não colhe que se fale na falta de verdade desportiva, porque no nosso futebol, como defenderam, a corrupção não faz morada.

Por isso, 1º de Agosto, Libolo e Petro partam para a disputa sem receios. Procurem apenas vincar a vossa reconhecida maturidade competitiva. Dos três sairá sempre o vencedor, sem precisar de quaisquer “engenharias”. Mostrem por razão chegaram até onde chegaram. Os árbitros não são chamados na vossa disputa. Vamos à luta camaradas, que o povo quer conhecer o campeão e saudá-lo de forma efusiva.
Matias Adriano

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