Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Capitalizar os Capitas

19 de Setembro, 2019
Está na baila o que adjectivo por “Caso Capita”, que até onde sei envolve a direcção do Clube Desportivo 1º de Agosto, o agente do jogador, a Federação Angolana de Futebol e a família de sangue do referido atleta, que até prova em contrário, ainda está vinculado ao clube militar, que o inscreveu para a presente época futebolística.
Antes de ser elevado ao escalão sénior do clube tetra campeão nacional em futebol, Angola e os angolanos, com excepção daqueles que têm o prazer de acompanhar os jogos dos escalões inferiores, conheceram o potencial do jogador por via da Selecção de Sub 17, que o “garoto” ajudou a apurar para o mundial da categoria.
É lugar-comum, que qualidade técnica não falta ao jogador em causa, aliás, Capita é apenas mais uma das várias provas da “canteira do D’agosto” de onde já despontaram jovens como Nelson da Luz, Catraio, “Show e Zito Luvumbo”, sendo as aspas nos dois últimos, para salvaguardar o facto de terem dado os primeiros pontapés na bola em outros clubes, o que não retira a lapidação de que foram alvo no clube central das Forças Armadas Angolanas.
Mais do que a referida lapidação, fazer parte da carreira desportiva de um clube da dimensão do 1º de Agosto é experimentar um palco de excelência no capítulo do marketing desportivo, augurando-se, como é norma, a transferência para clubes de outras paragens por este mundo fora.
É como dizer, de forma rasteira, para além de atingir o “estatuto” de jogador da selecção AA, -a principal dos Palancas Negras-, o objectivo de qualquer atleta angolano passa por representar as cores e emblemas de clubes da Europa, em primeira instância, e quando não, se contentar com o Magreb, que também já representa alguma evolução.
A concretização deste processo representa, em toda a latitude, ganhos não só para o clube, mas para a toda a cadeia envolvente da questão, em que é possível todos saírem a ganhar, independentemente do que à cada um couber, enquanto parte de um todo.
Foi assim com Ari Papel, Gerson Dala, Geraldo e Show, e porque não pode ser também com Capita? É uma questão de comunicação, exercida no rigor da sua aplicação a nível institucional, que no fundo tem como objectivo a obtenção de lucro, na compreensão máxima da teoria que atribui ao desporto e o futebol em particular, o epíteto de indústria que movimenta muito dinheiro.
Isso não é mais senão a capitalização do activo, para o caso em questão é o Capita.
E é isto mesmo que estamos defender. Capitalizar a qualidade técnica do Capita, promovendo vantagens para o Clube, que sairá a ganhar com o encaixe de considerável quantia financeira, bem como a família do atleta, que poderá ver resolvida algumas questões de ordem económica ou financeira, entre outras.
E não menos importante que isso é o valor que se acresce à qualidade do jogador, uma vez “transaccionado para outras paragens”, e quando “requisitado” para servir a Selecção Nacional será referenciado como “profissional/estrangeiro”, factor que pode ser motivador de alguma instabilidade psico - emocional ao adversário.
Na prática, e como apresentadas as coisas, ainda que seja apenas a minha opinião, acho que todos podem sair a ganhar com a “capitalização dos Capitas”, percebendo que não é apenas o clube militar que forma, processo que devia ser uma exigência para todos os participantes ou aspirantes ao Girabola.
Para este caso concreto, e porque a disputa do mundial em Sub 17, que será disputado no Brasil, é uma questão de dias, sou de opinião que se encontre uma plataforma de entendimento que salvaguarde, sobretudo, a presença do atleta na maior montra do futebol, a nível do seu escalão etário.
E quem sabe não vem de lá uma melhor oferta em termos de transferência do atleta para outros clubes da Europa, como aconteceu com a actual revelação do Barcelona, e no final todos possam dizer que, de facto valeu a comunicação, com o valor estratégico que ela representa para as instituições, independentemente do seu objecto social. Carlos Calongo

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