Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Carta de verdade, condenao injusta!

30 de Abril, 2018
Devido à suspensão da árbitra Marximina Bernardo, por três anos, por acto de corrupção passiva - agora, desconfio serem muitos casos - decidi recordar hoje a triste condenação sofrida por este jornal, por em 2002 publicar uma carta, em que se dizia ter sido, assinada por Carlos Zacarias ( nota bem: dizia-se!), membro do Conselho Central da Federação Angolana de Futebol, em que o seu responsável “dava indicações” para se contactar os dirigentes do Petro de Luanda e anuncia-los o nome do árbitro do encontro com o ASA, assim como o local de alojamento.

Tratava-se do juiz Eugénio Colembi. A carta não revelava o mote para o encontro, todavia, a publicação fez gerar desconfianças que hoje em dia são fáceis de perceber, agora que a respeitável juíza está suspensa.

Infelizmente, o Tribunal Provincial achou a carta falsa e alegadamente os seus autores sabiam da falsidade. Decretou uma condenação (pena suspensa por cinco anos ao director), absolvição a alguns jornalistas chamados a juízo e multa de 50 Kwanzas por dia ao tribunal, mais uma indemnização no valor de 20 mil Kwanzas aos lesados.

Quais foram os lesados? Nada mais do que a Federação Angolana de Futebol (FAF), Petro de Luanda, o árbitro internacional Eugénio Colembi e Carlos Zacarias (do Conselho Central árbitros). Na altura, a advogada do jorna, Pulquéria Van -Dúnem, ainda interpôs recurso ao juiz, por notar algumas imprecisões no processo.

Até hoje não entendo a condenação lida pelo juiz José Augusto Marceneiro da 6ª Secção da Sala de Crimes do Tribunal Provincial de Luanda. Acho que o contributo dado pelo jornal para o levantamento do \"véu\" que pairava sobre a nossa arbitragem não mereceu a devida investigação.

Criou precedentes pelo seguinte: se as afirmações públicas pronunciadas há poucos anos pelo presidente e proprietário do Clube Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, fossem tomadas à sério, não haveria motivos de sobra para a suspensão da árbitra internacional Marximina Bernardo por acto de corrupção passiva.

Se na altura Horácio Mosquito fosse tido à sério, julgo mesmo que as autoridades policiais, judiciais, administrativas e fiscais podiam desencadear uma copiosa investigação que seria útil ao combate à corrupção no futebol nacional, em particular na arbitragem nacional.

Os que hoje apontam o dedo a Marximina Bernardo fizeram ouvidos de mercador quando Horácio Mosquito na ocasião chamou a imprensa no majestoso anfiteatro do Hotel Epic Sana, em Luanda, e de lá, alto e em bom som, ter admitido a existência de actos de pura corrupção no Girabola.

Como podia Horácio Mosquito mentir, se sem receio, admitiu que ele próprio em anos anteriores esteve no jogo de corrupção de arbitragem?

\"Eu já paguei árbitros internacionais, lá fora, e alguns árbitros aposentados, mas hoje não o faço, aliás, há muitos anos que deixei de o fazer, porque rapidamente percebi como isto funciona a partir do momento em que recebi uma denúncia de um árbitro internacional\". Então, essa afirmação não era de levar à sério?

Como não, se de viva voz revelou na altura, por exemplo, o facto da Federação Angolana de Futebol não agir, tomou a iniciativa de enviar cartas ao então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, à Casa Civil e à Procuradoria Geral da República para validarem a abertura de um inquérito sobre a questão?

Para mim, esta suspensão a Marximira Bernardo veio mostrar que se \"abriu, finalmente, o jogo sujo\" , o \"jogo da batota e que, em última instância, já houve “campeonatos comprados”.

Só o facto, de um clube oferecer prendas a árbitros e dirigentes de clubes ou de Associações e Federação é uma suspeição.

Os actos de corrupção são notórios e de natureza criminal. Há, ainda, por tudo isto, quem duvida da denúncia feita no ano passado pelo técnico Zeca Amaral, no Luena?
ANTÓNIO FÉLIX

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